domingo, 9 de janeiro de 2011

A iniciação # 5




Outubro 2010. local e hora marcada.


Encontrei-me com o meu interlocutor Guia Humano e demos início à jornada. Saímos de Lisboa e entrámos na auto-estrada com relativo tráfego acelerado. Estava ansioso por chegar ao local. Os meus dedos não paravam quietos tamborilando uma melodia enervante no banco da viatura. Para me acalmar, verifiquei o material. Com medo que algo corresse menos bem, tirei a máquina fotográfica da mochila e limpei a lente da objectiva. Por fim, certifiquei-me que o cartão de memória estava formatado e as baterias carregadas. Digitalmente mais descansado, deixei-me levar por pensamentos e considerações.



Em algumas espécies, as alterações climatéricas estão na origem da variação do número de posturas, diminuído assustadoramente o números de juvenis. As alterações climatéricas contribuem para a mudança nas rotas de migração fazendo com que muitas aves antecipem ou atrasem destinos. Todavia, é notável o aguçado engenho manifestado ante a necessidade de sobrevivência. Sem bússola ou GPS que lhes valha, a força da natureza impõe o seu chamamento. Um bom exemplo de quem não faz uso das nossas fabulosas passarolas tecnológicas para se orientar são os Fuselos (Limosa Lapponica). Estas aves, no seu movimento migratório, voam mais de onze mil quilómetros, do Alasca à Nova Zelândia em apenas nove dias, sem parar para abastecimento ou descansar as pernas (asas). Ou então, o Falcão-peregrino (Falco-peregrinus) a ave mais rápida do mundo que consegue atingir os 200 km/h em voo picado. É obra. Justiça seja feita, é obra da Natureza.

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