quarta-feira, 27 de junho de 2012

Quantos rostos cabem dentro do teu rosto?


Ainda estou por descobrir quantos rostos cabem dentro do teu rosto;
para isso recorto a tua face de silêncio na curva de Vénus
e sigo os pontinhos das estrelas que perfazem o labirinto do teu sorriso,
desarmado o encanto da dançarina secreta Mata Hari. 
Peço-te uma palavra, uma qualquer, tanto faz.
Tu num esgar mágico ergues o sobrolho típico de uma mulher de armas
e dizes baixinho: Nefertiti.
Eu não digo nada.

Tu continuas a metamorfose do rosto e dos rostos que nele habitam. 
No rasgar náutico dos teus lábios és agora Joana d'Arc;
olhas para o horizonte e deixas o vento escorrer a beleza das coisas simples
deixando antever na nudez do quadrante esquerdo do teu pescoço,
um sinal castanho em forma de ilha virgem só habitada pelo sol.

Pergunto se sabes quem és?
Tu apanhas o cabelo, qual Marlene Dietrich, e para demonstrar a tua impaciência
fechas o rosto de animal ferido ao desgosto imitando o fado de Severa
de perfil frio, tão frágil.

Passas as mãos pelas mãos e depois pela face e já não és quem eras.
De língua curta a percorrer o lábio húmido seguindo-se um cruzar de pernas,
para depois libertares o cabelo como um cavalo selvagem montado por Minerva.
Pedes um café com adoçante e trincando o agradecimento;
por instantes és Sugar Cane ou Marilyn Monroe deitada na cama do amante impossível.
Por fim, quando espreitas por entre a chávena de café e um raio de sol,
em diagonal perfeita, o mapa dos teus olhos celebra um bom dia que não descansa.

Existem tantas mulheres no teu rosto
que não cabes em alguma delas
mesmo quando não te vejo
és todas e nenhuma outra.

4 Estações sobre Monsanto II

Está em fase de produção o segundo episódio do 4 Estações sobre Monsanto, que desta vez contará com uma linha narrativa e uma entrevista, para além claro, dos principais intervenientes, a fauna do Parque Florestal Monsanto.

Aqui fica um pouco do que se poderá ver, breve... brevemente...



video

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Solstício de Verão | 21 de Junho

às 21:05,

quando o astro rei cair sobre a serra, lá estarei em Monsanto, para celebrar o sol e outras luzes que não se vêem mas ainda se sentem, na noite mais curta do ano, na celebração do Solstício de Verão.



entre muita coisa... vamos falar da luz de Monsanto, dos mistérios do Sol, dos ritos, e do meu projecto Quatro Estações sobre Monsanto.

E até vamos caminhar pela serra alegremente iluminados.



sábado, 16 de junho de 2012

Mars Volta & Le Butcherettes - Lisboa - 14-06-2012

 

Não estava cheio. Bem composto, por um público variado, tanto nas idades como na indumentária genérica, assim se engalanou o Coliseu dos Recreios para receber os Mars Volta, dita por muitos como a melhor banda de rock progressivo da actualidade.

Mas para mim, quem realmente encantou (admito, tão modesta como tendenciosa opinião masculina) foi a menina Teri Gender Bender (animal de palco, de tantas caras e vozes quanto o diabo e o anjo permite) assim foi a vocalista dos Le Butcherettes, banda que abriu a noite e fechou os olhos da mesma.


O experimentalismo, a revolta e a paixão, do trio aqueceram os ânimos. Talvez deixe cair o estereótipo punk e prefira a força de 3 almas num palco que foi pequeno para tanta energia e talento.

Quanto aos Mars Volta, uma viagem espacial por entre perfeição musical, onde tudo parece tão simples como complexo, às vezes idílico.

 
Cedric Bixler-Zavala, excelente vocalista; desculpem-me os fãs tamanha comparação, mas este senhor fez-me lembrar, (salvaguardando as devidas distâncias da farta carapinha e com toda a carga simbólica e respeito) o Grande Herman José com o seu Serafim Saudade nas suas energéticas coreografias dos finais dos anos 80.

 

De resto, passou-se uma boa noite sem direito àquela repetição dos previsíveis "encore", e ainda bem... confesso que já me doía a imaginação.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Projecto 4 Estações sobre Monsanto - Alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea)


Depois de acompanhar os movimentos desta Alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea) em torno de cursos de água, chegou a altura de montar um abrigo e observar:


Junto do Açude, em cima da ponte, esta magnifica ave de ventre amarelo forte e cauda elegantemente alongada, entretinha-se em tarefas de limpeza cuja beleza é digna de registo.


Estávamos em Março deste ano e ainda não tinha chovido nada que se visse. A Alvéola-cinzenta ciente desse facto, e depois de um ritual invocatório aos deuses da chuva e de outras águas, não virou costas à luta, e lá choveu o suficiente para não se falar mais no assunto.


sábado, 9 de junho de 2012

"Prometheus"


Já foi à tanto tempo. Lembram-se dos bichinhos a sair das barrigas dos astronautas e outros bichinhos a entrar pela boca dos mesmos?


Por si só, ir ao cinema com uma plateia composta por 5 pessoas já é um facto relevante, se estivermos a falar do último filme do realizador Ridley Scott ainda mais estranho será.
Mas não me senti incomodado pelo vazio da sala, muito pelo contrário, uma vez que iria presenciar um género de cinema de que gosto particularmente e um realizador que admiro na sua vertente “Sci-Fi”. Portanto, sou um pouco suspeito para criticar. Este texto também não é uma critica, antes uma comemoração às tardes de bom cinema, sem pipocas, sem empurrões, sem gritinhos histéricos e com um intervalo generoso, o suficiente para contar os passos até à esplanada.
A ficção cientifica de saga Alien já foi à trinta anos mas depois de ver Prometheus, fico com a impressão que o tempo não passou, ou se passou não se fez notar na tecnologia envolvida, a não ser pelo 3D. Eu vi o filme a 2D (sou conservador nestas coisas de sensações e profundidades) e posso dizer que os efeitos especiais (2D) são extraordinários; a história respira sem ajuda desses efeitos e as personagens são sólidas o suficiente para justificarem e defenderem a sua tarefa no filme, em especial a brilhante Moomi Rapace (a menina Lisbeth Salander da versão sueca de «Millennium»)


O argumento não é novo. Mas torna-se quase filosófico quando aborda a existência divina na criação da humanidade. Sendo esses “Deuses”, visitantes extraterrestres e as muitas interrogações que se levantam sobre as diferentes civilizações ( Maias, Sumérias, Egípcias) que adorariam esses seres humanoídes de grandes proporções, edificando esculturas e pinturas onde essas entidades divinas, de braços erguidos aos céus, supostamente apontavam para uma determinada constelação.
Essa é a viagem que a tripulação da nave Prometheus vai realizar em busca de uma resposta para a criação dos nossos erros e das nossas virtudes.

Levei alguns murros nos estômago. Quem viu o filme não se vai esquecer da operação cirúrgica que é realizada em tempo recorde para retirar um “feto indesejado” e ficamos por aqui. 


Valeu o dinheiro do bilhete? Sim. Voltava a ver? Sim. Se estamos perante um filme de culto? Creio que não, com a saga Alien o 8º Passageiro por perto, falta-lhe uma estrelinha, aquela novidade.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Projecto 4 Estações sobre Monsanto - Sardão (Lacerta lepida)



Foi uma experiência fantástica fotografar este réptil no seu habitat no Parque Florestal de Monsanto. Quando me dizerem que tinham visto um Sardão perto de uma ladeira apressei-me e planear uma sessão fotográfica com este maravilhoso animal. Nem sempre as coisas correm como nós desejamos, e depois de muitas horas de espera lá veio o nosso amigo dizer: Bom Dia!
O Sardão (Lacerta lepida) é o maior lagarto da Península Ibérica e pode viver aproximadamente 25 anos e atingir os 80 centímetros de comprimento. Nestas fotos o animal está abrir a boca não por sentir-se ameaçado mas antes por ter acabado de sair da toca, diria até que seria um bocejo à moda do Sardão.
 
Mas no  caso de sentir-se ameaçado, comporta-se de forma curiosa ao soltar a cauda como manobra de distracção, depois a mesma volta a regenerar.

Durante muitos anos foi alvo de perseguição. Em Portugal o seu estatuto é “não ameaçado (NT)” muito embora, possa ser considerado raro no norte do país. Esta magnífica espécie faz parte do Anexo II da Convenção de Berna e urge respeitar e preservar.

Depois de vários dias de convívio com o nosso amigo Sardão, este estranhamente desapareceu durante uma semana. E a sua toca foi ocupada por uma família muito curiosa, da qual irei falar no próximo artigo do projecto 4 Estações sobre Monsanto.