sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Saudade-Portugal?



Para onde vais saudade-Portugal?
se de vertigem na casa dos olhos trazes o engenho na vela-âncora 
se do teu corpo de fado fazes do sol gente-esperança; 
meu amor se há caminho...
então que de infinito seja o rumo-feito.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Assim foi o Workshop

Foram horas cheias de emoção. Não tivemos muita luz para fotografar mas a caminhada pelo Espaço Biodiversidade foi muito interessante. Agradeço a todos os participantes no Workshop de Fotografia de Natureza organizado pela CML. Aqui ficam alguns momentos do dia 23 de Novembro, num cantinho do imenso Parque Florestal de Monsanto.









sábado, 16 de novembro de 2013

Workshop de Fotografia de Natureza | 23 Novembro |

Meus caros amigos,

Neste Workshop organizado pela Câmara Municipal de Lisboa irei falar da minha experiência sobre fotografia de natureza. Apareçam!

Reservas: 218170200
Email: monsanto@cm-lisboa.pt
Entrada gratuita.
Inscrições limitadas (ESGOTADO)


Hoje



Queria dizer-te dentro dos teus olhos e de coração aberto: 
hoje pensei em ti!
nas tuas órbitas e nas tuas palavras que esculpiam um canto
na tua madeixa de noite e na impossibilidade da noite ser infinita
no teu vestido sensual de constelação distante
no traço corporal do teu regaço e na curva do teu sorriso 
nas mãos misteriosas das quais não consegui tirar a imaginação
no tempo que suspiras para além do tempo 
da tua atenção de mulher feita sonho doce algodão
no tempero picante da comida que ardeu em lágrima 
do teu adormecer em ponto de interrogação.
hoje quando vi uma andorinha poisada na tua janela
pensei no teu silêncio e escrevi
como são boas as surpresas que surgem no Outono.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

4 Estações sobre Monsanto no reino das aves com o Caimão-americano (Porphyrio martinica‏)

Estava a fotografar no Cabo Espichel com um amigo, quando fui informado da observação de uma ave "pouco vulgar" no Parque Florestal de Monsanto. Um colaborador do parque tinha fotografado com o telemóvel uma espécie rara no açude do Espaço Biodiversidade e depressa as imagens circularam pela Internet. Depois de ouvir vários entendidos na matéria, verifiquei que existiam dúvidas sobre a identificação do bicho. Decidimos rumar a Lisboa. Quando chegámos a Monsanto confirmou-se a identificação, tratava-se de um Caimão-americano (Porphyrio martinica‏)

As notícias correm depressa; em poucas horas juntaram-se  dezenas de observadores, fotógrafos e ornitólogos em torno de tamanha raridade. O mesmo aconteceu durante o fim de semana com a chegada de vários fotógrafos provenientes dos mais diversos países da Europa.

O caimão-americano é uma ave migradora oriunda dos Estados Unidos e das regiões tropicais da América Central e da América do Sul.  Esta foi a primeira vez que tal espécie foi observada em Portugal continental, tratando-se da sexta observação em toda a Europa.









quinta-feira, 7 de novembro de 2013

4 Estações sobre Monsanto no reino dos Fungos - Colecção 2013 - parte I

Com o Outono chega ao Parque Florestal de Monsanto todo o encanto dos cogumelos.
Esta é a primeira parte da nova colecção Outono - Inverno 2013.  Em cima da hora, é certo, contudo gostaria de realçar certas tendências para esta estação; entre outras modas de indumentária mais sóbria, destaco os tons esbatidos e misteriosos que se agigantam por entre as sombras informes destes magníficos seres.

Debaixo da terra há um movimento expansionista, sem direcção, abrangente, sem que se note a manobra secreta de moldar os pés ao abraço da terra. 

Clathrus ruber ou gaiola-das-bruxas é estonteante a dança das moscas em redor do rendilhado vermelho deste nome cogumelo.

Gymnopilus spectabilis - dos velhos troncos de madeira cortada, espreitam pequenas estruturas vivas, atentas ao manto profundo de Novembro e à sua fala.

Stropharia aurantiaca - dos meus pés erguem-se organismos de vigia provenientes das cidades do subsolo.

As explosões que ocorrem na garganta da manta morta são ecos de vida que se perpetuam na humidade destes meses.

Das tuas florestas renascem pequenos seres do tamanho das grandes cidades nunca dantes vistas.


Dos troncos que sustêm a força terra, surgem as mãos dos fungos que se querem libertar e nada os detém.


A proporção do adorno, ainda que minúsculo e discreto, faz toda a diferença no reino dos grandes nadas e tantos amores.

Da casca da árvores nasceram bocas insuspeitas, mãos de veludo e pérolas de rezina. 
Um mês depois tudo será verbo em movimento e ficção.

A sorte do trevo não tocar nas arestas onde a membrana afiada com espinhos reclama por esperança.

O fruto da terra e de todas as chuvas com nome de mulher.

Lentamente, o movimento do  fungo, por entre a caruma dos pinheiros, sem que se ouça um grito de luz.

Na noite das torres inclinadas escutamos os tambores da lua.

Experimentei encostar o ouvido à terra para ouvir noticias de nós dois.

Desbotado o Outono quando uma russula gostaria de ser uma rosa.

Depois de muito caminhar por entre o verde profundo há uma porta que se abre