domingo, 27 de novembro de 2011

Café Poema, 2º aniversário, os vídeos



Meus Amigos,

Confesso... Não estava à espera deste mar...
Bem sei que o espaço foi pequeno para tantos abraços em tamanha comemoração.
Depois de uma casa cheia, tão cheia de emoções e sorrisos, aqui deixo uns pequenos vídeos que retratam o 2º aniversário do Café Poema.  Um autêntico Mar de Poetas.

Atuação dos Vox Maris.




Os Poetas da Casa.




O Vinho de Carcavelos e o "Carcaveló".




O Fado.



A projeção da minha curta metragem "Mar" (oportunamente o filme será aqui publicado, na integra, e com outra qualidade de som e imagem)





A todos, o meu Obrigado.

Abraços
SG




sábado, 19 de novembro de 2011

Café Poema O Mar - 25-11-2011 - 2º Aniversário




Meus caros amigos,


É com enorme prazer que anuncio o segundo aniversário do Café Poema.
No passado dia 16 de Novembro celebrou-se o Dia Nacional do Mar e esse será o mote da nossa celebração. No entanto, e como já temos dois aninhos e idade suficiente para ter algum juízo, aqui vai uma mão cheia de surpresas; ora tomem nota:

- Projecção da curta metragem "Mar" - de Sérgio Guerreiro
- Actuação do grupo coral Vox Maris
- A história do Vinho de Carcavelos e do CarcaveLó, Pão de Ló artesanal de Carcavelos, por Pedro Caetano.

e ainda:

O Cappuccino's coffee Shop e o Macro Poema oferecerem*
( leram bem- o-f-e-r-e-c-e-m) um pequeno CarcaveLó, limitado ao stock existente.

 * em tempos de crise esta palavrinha não devia ser sequer pronunciada quanto mais escrita. Não fossemos nós uns mãos largas e uns esbanjadores muito certinhos, por este andar já estaríamos todos presos.


Já agora tragam os vossos poemas sobre o Mar... que água já temos quanto baste.

Saúde e Abraços.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fogo fátuo e o artíficio

Fogo fátuo by Sérgio Guerreiro
Fogo fátuo, a photo by Sérgio Guerreiro on Flickr.
Em silêncio, Suki entrou no quarto 127 do Hotel Mandarim,
lá fora comemoravam-se as horas novas de um aniversário qualquer

Suki ligou o telemóvel e despiu o Quimono moderno numa imitação de Gueixa
(quando foi que fiz dezoito anos?)
segui-se um duche rápido perpetrado por uma dezena de mãos fantasmagóricas
posto isto, deitou-se na cama de abandono decorada a preceito
com pétalas de vermelho sangue e pérolas de um branco silencioso.
Passados dez minutos retirou uma ficha de casino da sua mala de senhora
(esta mala foi tão cara, nunca tive sorte ao jogo!)
acendeu um incenso e deixou-o queimar entre os dedos
e esperou como quem espera que nada aconteça depois de uma explosão
enquanto não chegava o morto, Suki...
(morto ou fantasma, como preferirem chamar!)
retirou uma caneta e numa caligrafia tantas vezes esquecida escreveu no ar:

“ De Macau, meu amor, ficou a bandeira e os pássaros de fogo
numa língua que explode todos os dias em estilhaços de verbo saudade
Os gangs e os casinos são habitados por legiões de homens que já morreram
sem que ninguém lhes dissesse como, nem lhe soprasse por cima do ombro tal novidade;
são assim as coisas que queremos esquecer e nos lembramos todos os dias,
eu durmo com estes homens por que sei que eles
morrem sempre um pouco mais, quando no ar explode um sonho distante.

De Macau, com Amor, meu fado”

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ciclo de entrevistas - Um Café Poema com Luís Ferreira


Um dia destes (ainda havia sol) estivemos à conversa com o Poeta Luís Ferreira que nos falou do seu último livro, “O céu também tem degraus” e de outras coisas que não lembra ao Outono esquecer:


Entrevista com Luís Ferreira
(poeta)




SG: Acabou de lançar o seu último livro “O céu também têm degraus” fale-nos dele?

LF: O livro é uma história de um caminho ou de um retrato de uma vida. Tem diversos patamares que retratam a vida do autor e qualquer pessoa se pode rever neles. O livro tem seis estágios mas podiam ser mais. São seis momentos, onde a vida é constituída por outras tantas peças. Cada patamar aborda um tema especifico e o leitor pode explorar esse capitulo. O primeiro e o mote e o último a conclusão desse caminho. Tirando o primeiro, o segundo e o sexto, todos os outros capítulos surgem por mero acaso.  Cada poema é um degrau e cada tema é um conjunto de degraus que constitui o patamar.

Em muitas religiões, existe uma simbologia de uma escada em direcção ao céu, como sou uma pessoa religiosa, associei esta temática ao título do livro




SG:Nos seus livros versa predominantemente sobre a temática do amor e...

LF: Não consigo fugir e mesmo que tente, acabo por ir lá cair. Daí o segundo patamar ser o maior,  é patamar que fala do Amor. Sem Amor não pode haver vida. O Amor não se esgota apenas numa relação entre homem e uma mulher, ou uma pessoa e um clube de futebol; mas antes na grandiosidade dos afectos, sejam eles de que ordem forem. Sou uma pessoa apaixonada e esse romantismo está-me no sangue. Gosto do Amor no seu aspecto idílico. Sou uma pessoa positiva. Que melhor positivismo pode existir... senão o Amor? Neste livro não utilizei a palavra morte. Não consigo abordar essa temática muito embora espere o contacto com Deus, faz parte das leis da vida.  Se eu quero encontrar Deus não pode existir um fim, mas sim continuidade.




SG: E quando o poema não sai?

LF: É uma grande preocupação. Quando escrevo, quando sinto necessidade de escrever, sai sempre alguma coisa. No entanto, alimento o meu fantasma (aquele bichinho que está dentro do guarda-fatos) só de pensar que esse poema não tem valor nenhum. Rasgo o poema e atiro para o caixote do lixo; escrever palavras secas não faz sentido. O meu problema é quando o poema sai e não tem sabor, está frio...  Por isso, não consigo fechar um poema no imediato. Faço uma revisão e volto a escrever o mesmo poema, com outro sentido, com outras palavras. É um quadrado fechado diferente do original.



SG: Os seus Poemas favoritos (dos outros, aqueles que não escreveu)?

LF: Os meus poetas favoritos são os meus amigos. Para mim, faz mais sentido ler a poesia dos meus amigos, uma vez que vou aos seus eventos e partilho com eles esses momentos. Todavia, admiro bastante, Mia Couto, José Luís Peixoto,  Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Pablo Neruda. Florbela Espanca e Manuel António Pina.




SG: Agora uma pergunta “verdadeiramente descabida”: Hoje não?...

LF: Hoje espero que o Benfica não perca com o Braga (risos). Agora uma resposta mais séria. Hoje não? Sinceramente não sei se aquilo que escrevo tem assim tanto impacto nas pessoas.
Será sempre poesia?


SG: Depois de tantas outras palavras em silêncios escritas, o meu sincero Obrigado pelo tempo no qual fizemos sombra. Aqui fica um poema do Poeta Luís Ferreira.

Longe

Longe,
Tão longe e ninguém...
Esvaziando o espaço
Onde as lágrimas
Deslizam até à foz.
Há muito...
Que os pássaros já não voam,
Nada existe,
Nem os nomes,
Secando palavras
Quando os dias acabam.
Sem alma,
Equívoca sombra,
Que fecha as pálpebras,
Esperando que os relógios,
Despertem...

“Longe”, in “ O céu também tem degraus” de Luís Ferreira.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fernando Pessoa na praia de Carcavelos

Outubro 2011,

Em Manukau, Nova Zelândia, uma menina brincava com um elástico azul entre os dedos, até que o elástico se soltou e foi projectado a dois metros de distância caindo num poço profundo. Na impossibilidade de recuperar o seu brinquedo a menina chorou e no seu antípoda:

Praia de Carcavelos.

Depois de uma chuvada intensa uma onda gigantesca levantou-se no horizonte.
Ao ver um enorme corpo de mulher que se levantava sob a forma de maré viva no horizonte, os transeuntes que assistiam a uma demonstração heróica de surf fugiram para o túnel subterrâneo que atravessa a Marginal, abrigando-se da força brutal da maré que se aproximava.

E assim, com estrondo, as esplanadas, os quiosques que ainda vendiam gelados fora de prazo,
foram varridos pela força descomunal do mar, desaparecendo numa espuma branca furiosa.
Sem piedade, a areia, as escadas, o empedrado e até o passadiço, tudo foi desventrado pela sopro ímpio de uma onda com mais de vinte metros de altura.
Algumas pedras foram arremessadas a mais de oitocentos metros da praia, caindo perto da estação dos comboios.

E o corpo de uma alga gigante cobriu a marginal no sentido Cascais Lisboa como se uma enorme cabeleira ruiva de uma deusa grega descansa-se sob a estrada.
Enquanto que, peixes e polvos foram parar à Quinta dos Ingleses, levados pela mão feminina da onda branca descontrolada.
A Protecção Civil não tinha lançado nenhum alerta, mas depressa helicópteros e lanchas foram enviados da Capitania do porto de Lisboa para apurar a dimensão da tragédia.

Quando a maré desceu e o mar permitiu os primeiros bombeiros desceram até à praia.
O que viram?

Outubro de 1924
A Praia de Carcavelos, num hiato de tempo dimensional, onde Fernando Pessoa passeava por entre a fina membrana de espuma que dividia o passado do presente. Dez minutos depois o arrebol pintou a realidade de Athena e tudo voltou a ser partícula actual. No chão um elástico azul boiava numa poça sem reflexo. Ninguém apanhou o elástico e naquele dia ninguém se magoou.