terça-feira, 31 de outubro de 2017

Em Busca do dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula)


Durante vários anos andei à procura desta fantástica ave. Desde jardins em propriedade privada, cedidos amavelmente a título de empréstimo para tentar fotografar, passando pela Serra da Estrela e outras geografias lusas, este granívoro foi sempre escapando ao meu olhar. Tantas foram as tentativas onde a falta de engenho e a ausência da tão trabalhosa sorte, falaram mais alto na altura de registar o momento. Recordo uma vez em que vi o colorido dom-fafe em cima de uma árvore e segredei para comigo, "deixa-o descer", e não é que o bicho levantou voo e nunca mais apareceu. Às vezes é assim, nunca sabemos quando é o momento certo, nem tampouco se ele existe dessa forma assertiva e certeira. Com a chegada do outono, seguiam-se várias visitas ao Parque Natural da Arrábida, mais concretamente aos abrigos fotográficos do Alambre, na expectativa de observar este tímido passeriforme da familia dos fringilídeos,  mas todas elas sem lograr a satisfação de um momento de deslumbre. Até ao dia e esse dia chegou. Foi ontem que tive o privilégio de observar as matizes coloridas deste sonho fugidio.





















Agradecimentos:

José Frade
Manuel Aldeias



sábado, 21 de outubro de 2017

Observatório BioMelides


Birdwacthing BioMelides!

Sejam bem-vindos ao Observatório BioMelides. Como quem vai para a praia, situado na parte sul da lagoa e Melides, eis um local onde devem parar para respirar natureza. Nesta infraestrutura criada com materiais de manutenção reduzida podemos observar mais 172 espécies de aves nas suas interacções com os ecossistemas locais.
Queiram entrar nesta viajem pela avifauna da lagoa e desde já desejamos boas observações!



Abrigo BioMelides from Sérgio Guerreiro on Vimeo.












quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Rota da BioMelides


Ora aqui está o percurso. Venham descobrir a rota da BioMelides, um percurso pedestre circular com 13 quilómetros de bom caminhar.






A rota da BioMelides pretende promover o contacto directo com a natureza em torno da Lagoa de Melides e dos seus ecossistemas adjacentes. Por esta rota iremos percorrer caminhos e veredas onde se pode observar a avifauna em torno dos arrozais, como é o caso dos grandes bandos de íbis- pretas, ou dos pinhais, onde evoluem vários tipos de passeriformes como chapins, cucos, melros e poupas. De olhar atento, entre sombras florais, podemos descobrir o reino lepidóptera onde as borboletas do medronheiro e cauda-de-andorinha são elementos de beleza diferenciadora. Por fim, e como complemento, teremos uma passagem obrigatória pelos abrigos de observação de aves estrategicamente colocados para contemplar a natureza em comunhão com as coloridas matizes proporcionadas pelos reflexos da Lagoa. 



sábado, 7 de outubro de 2017

Inauguração do Observatório BioMelides




A população desceu até à lagoa para assistir à inauguração do observatório BioMelides. Foi gratificante verificar que o nosso trabalho em parceria com o município deu os seus frutos. O município de Grândola fez-se representar pelo seu presidente, tal como a junta de freguesia de Melides. Não houve fita para cortar mas ouviram-se palavras de incentivo e confiança para com a obra erigida nas margens da lagoa. A construção do observatório recolheu aplausos de esperança e ficaram no ar promessas de novas iniciativas em torno da biodiversidade local. Um dos primeiros visitantes a entrar no observatório foi uma turma de alunos do ensino básico que olhavam a lagoa com olhos de futuro e sorriso de amanhã. Ali está uma ferramenta para outros novos dias.

As primeiras fotos do Observatório BioMelides









O momento em que eu e o Frade apresentávamos o projecto BioMelides na Feira de Ar Puro.


Entre entrevistas para a rádio e para revistas foi um dia em cheio!


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

BioMelides - Inauguração do abrigo para observação de aves



Durante vários anos caminhámos para Melides com o intuito de divulgar a biodiversidade da lagoa. O nosso trabalho e dedicação, em parceria com a autarquia local, deu frutos e eis chegado o momento da apresentar a infraestrutura criada na lagoa. Este é o abrigo para observação de aves. Apareçam e divulguem!





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Descobrindo Monteverde



Em Monteverde fiquei alojado numa casa de turismo de habitação de nome Sarita casitas. Os anfitriões, Sara e Danilo, foram muito prestáveis e facultaram-nos preciosas indicações sobre a biodiversidade e costumes locais. Para além da simpatia, a casa apresentava todas as comodidades, desde a sala à cozinha, tudo com muita higiene e eficiência. A água era potável e tínhamos Internet por wi-fi com relativa velocidade. Nas imediações reinava uma calma paradisíaca e a vida corria devagar guiada pelos ciclos e vontades da natureza. Estávamos em Maio, a temperatura rondava os 25º e a época das chuvas já se fazia notar. O dia começava a clarear às 04:50 da madrugada e depois aflorava-se de cores que mereciam ser inscritas no manual de outro arco-íris. Seguia-se uma palete de cheiros que instigava ao movimento e nos fazia ter fome por descobrir e condensar as experiências num álbum de recordações. Pelas 16:00 o tempo fecha-se invariavelmente a toque de uma orquestral chuvada. O tempo tinha a cor das aves e o temperamento impiedoso da chuva. 

Nas minhas incursões pelas redondezas vi várias espécies de aves, mamíferos e insectos. Observei umas espécies mais colaborantes que outras, mas todas elas de redesenhada novidade e beleza. Desengane-se quem pensar que fotografar foi tarefa fácil, uma vez que as constantes mudanças de luz obrigavam as constantes compensações. De resto os bichos não ficavam muito tempo no mesmo lugar - ariscos o suficiente para desespero de quem espere facilidades. Foi curioso seguir os esquilos que pulavam entre as ramagens verdejantes e quase vieram dar-nos os bons-dias, tal como os macacos-uivadores que se faziam ouvir de manhãzinha empoleirados nas árvores altas numa algazarrara territorial. Pasme-se... em Monteverde não senti os braços do vento uma única vez. 

Há quem diga que os Ticos (habitantes da Costa Rica) são povo mais feliz do mundo. Se calhar é verdade, muito embora desconheça como é calibrado barómetro felicidade. Contudo a julgar pelo fácil sorriso, são sem dúvida um povo de contagiante alegria. Tão simpáticos e afáveis que não precisam de exercito para esperar o melhor do mundo e um mundo melhor. É verdade... na Costa Rica não há exército mas vê-se policia com regularidade, posso dizer que me senti em segurança, mesmo exibindo o material fotográfico nunca houve nenhuma situação que causasse desconfiança.
As casas são de construção típica sem ostentarem grandes luxos (excepto mansões dos americanos que por lá ficaram)
O grau de limpeza das ruas, estradas e outros locais públicos é satisfatório. Por onde andei não vi pobreza e ainda bem. Pelo que reparei existe um sistema de educação cuidado, existem aulas ao ar livre,  as crianças usam uniforme (pelo menos as que vi) e circulam muitos autocarros escolares estilo americano (fez-me lembrar o Pesadelo em Helm Street).

Já agora... sabem o porquê dos Costarriquenhos terem a alcunha de Ticos? Há quem diga que tico  é um sufixo utilizado em vez do espanhol tito. Exemplo: gatico em vez gatito, momentico em vez de momentito ou chiquitico em vez de chiquitito


A pé fizemos vários caminhos e aqui estão alguns bichos que vi em Monteverde nas redondezas da casa.



Este foi o primeiro beija-flor avistado.




Ah...  Ora aqui está tico tico (Zonotrichia capensis), um paldal a saltitar na casa de um vizinho.




Na mesa situada no jardim da casa esta fêmea de Great-tailed Grackie (Quiscalus mexicanus) veio provar as bananas


O macho raramente vinha provar a fruta que colocávamos nos comedouros.


Agora os "amarelinhos" como carinhosamente os baptizámos: Em primeiro temos o Great Kiskadee (Pitangus sulphuratus) que alisava as penas com vagar e nada preocupado com a nossa presença.





Por sua vez, o Tropical Kingbird (Tyrannus melancholicus) gostava de empoleirar nos fios de electricidade em frente à casa.


Por último dos pássaros amarelos, temos no fio de baixo o Social Flycatcher (Myiozetetes similis) que tão bem socializava com os vizinhos.




Nos telhados as rolinhas Inca Dove (Columbina inca) quase passavam despercebidas.



Do outro lado o Masked tityra (Tityra semifasciata) observava a geometria das construções.



Nos arbustos situados nas traseiras das casas este casal de Greyish saltator (Saltator coerulescens) veio aprender a falar português.


Yellow-faced grassquit (Tiaris olivaceus) Grande cantor de Cuba



Mountain Elaenia (Elaenia frantzii) sacudia-se dos chuviscos


O pica-pau Golden-olive woodpecker (Colaptes rubiginousus) caminhava calmamente pelo seu poiso.



Um pombo espreitava do seu ninho Red-billed Pigeon ou Pomba-do-méxico (Patagioenas flavirostris)


Já o Emerald Toucanet (Aulacorhynchus prasinus), de tão espantado, parecia que tinha acabado de cortar o ramo da árvore à bicada.


Por fim,  este periquito white-fronted parrot (Amazona albifrons) poisou no ramo de um pinheiro e deixou que nos aproximássemos .. relativamente...


Estas foram algumas das muitas aves que observei em Monteverde. Se quiserem saber o nome de todas as espécies podem consultar a lista realizada pelo amigo José Frade e por ele publicada no eBird. Todavia não foram só aves. Mesmo ao lado da casa ainda dei de caras com alguns mamíferos curiosos.


Este esquilo Variegated squirrel (Sciurus variegatoides) sacudia a árvore com os seus saltos.





Em futuros artigos irei relatar a minha experiência no Santuário dos Colibris, tais como uma Saída Nocturna pela Floresta Tropical, Sobrevivi na San Gerardo Biological Station e a Descoberta de Borboletas Nocturnas, tudo isto em Monteverde onde em cada canto habita um segredo vivo por revelar.

Tudo se passou por aqui, nas imediações de Sarita casitas.





Para finalizar, um brinde à saúde dos meus amigos com a cerveja da Costa Rica. Imperial!