sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Café Poema - 05-11-2010 - ANIVERSÁRIO






meus caros Amigos,
estão desde já convidados a participar no aniversário do Café Poema.

é já no próximo dia 05 de Novembro, pelas 21:30, no Cappuccino's coffee shop em Carcavelos.

da Poesia à Dança, da Expressão Corporal à Interpretação e o que mais couber
dentro da alma de um sorriso, assim será essa noite, a Vossa.
por isso, tragam poemas, contos, ensaios, receituários ou inventários e façam deles corpo em viva voz

contamos com todos.

Abraço.
SG

sábado, 23 de outubro de 2010

PH





Hoje reparo que o aquário insiste
no fascínio pela morfologia da guelra
e foi isso que me fez coleccionar peixes tropicais
onde água, mais quente que a minha febre,
era um convite para afogar as mãos frias na ânsia
de invasão por um espaço aquático só meu

foi isso mesmo,
não sei dizer como, apeteceu-me e…
enchi os olhos de todas as cores que a vida desconhece
e o que se espera
do fascínio pelo vidro e pelo PH alcalino do néon
em êxtase típico de uma noite natal em pijama e sapatinho na chaminé?
o que se espera de uma noite
na qual acordei várias vezes com medo que a temperatura
do sonho não fosse a ideal para o ecossistema vítreo?
tentando com isso corrigir a trajectória do destino
depois, era ver os peixinhos de saúde invejável em cardume de azul cobalto
a nadarem numa eclipse doce de amanhã
ah como eu gostava de os ver cortar as águas tempo!
como quem rasga um telegrama tardio
e satisfeito com a imagem calma do mundo subaquático
quis lá saber do pai natal ou da chaminé
e…
apaguei todas as luzes das cidades e deixei o meu farol iluminar
o perímetro do quarto - o meu aquário de almas azuis -

Escrevo isto hoje, precisamente no dia em que,
reparo que o aquário ainda existe (no sótão) e tem móvel com luz morta e tudo
lá dentro os peixes continuam a cumprir o que deles se espera
a beleza subaquática das sombras, a voz das coisas que não se esquecem
os meus peixinhos transformaram-se em verde, amarelo, plástico
estáticos, espetados em varetas de metal no fundo de um areal
onde tudo é tão seco como o meu palato febril.