segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Hoje estou de partida





hoje estou de partida;
no cais vejo barcos fantásticos
com velas em cruz carne e céu de lusa dor e salmoura,
digo adeus aos amores que ficaram à porta
dos sonhos e das promessas de naufrágio seguro,
e abraço os amigos e as nuvens sempre que digo:
- até
de tão velha que a esperança se tornou
não me chegam 366 luas para amar a noite
e sem levantar os olhos do chão,
procuro encontrar a fímbria da matéria
que desfaz em sorrisos até quem perdeu a boca
mas só encontro patentes de animais polítcos em pecados financeiros.

se Deus quiser, amanhã cedinho, chegarei a esta casa
de tantas partidas apetece-me ser qualquer coisa de novo,
sem esquecer o mapa que desenhei na sola dos sapatos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Nove meses depois



hoje colecciono novos odores e sabores das índias
reaprendo o cheiro da terra e das fábulas perdidas
se me dão a provar frutos de outro mundo qualquer,
na ponta da língua apuro o descarnado palato e redescubro-me

quando tudo é novo cansa-se o corpo até não puder mais,
quando tudo é diferente desfaz-se o verbo e inventam-se desculpas
para perdoar vícios parvos e prazeres insensatos dos velhos tempos,
na quinquilharia do lume, qualquer ritual de fumo e cinza vencia o tédio.

onde uma mortalha servia para embrulhar uma urgente ninfa
de olhos grandes e ventre laminado pelo desejo cego do vício
a última vez que te levei à boca foi à nove meses:
desde então foste o meu último cigarro e não mais te pari de novo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

4 Estações sobre Monsanto: Lugre (Carduelis spinus)


Será este um ano abundante em Lugres?


Para fugir a um inverno particularmente rigoroso no norte da Europa, um bando de Lugres brindou Monsanto com as suas acrobacias em torno das sementes do medronho, quase diria em bebedeiras de cor.
 
Em fruto doce e maduro, os medronheiros, não se têm livrado de grandes razias, resultante dessas manobras de degustação surge uma nova e estranha combinação: Medronho-ou-Lugre.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pó de fantasma





era o pó do fantasma que te servia de máscara e encanto,
ao rosto de mulher tão jovem em fios de oiro e promessas mil.
quem olhasse assim, à primeira vista, não reparava,
nas múltiplas cambiantes de sombras que ganhavam fala na tua pele.
às vezes eras tu, outras vezes eram eles que adensavam a matéria dos dias,
mas depois da curva que se estendia do bairro da noite até ao beco do suspiro,
era vê-los a correr nos teus braços num esplêndido sorvedouro de almas
de abismos e outros livros esquecidos para além da impressão do toque e do gosto
depois...
ficou a promessa no pó do fantasma que agora vestes:
nunca te falte a luz que eles velam por ti.



Poema dedicado a uma amiga desta e de outras vidas / Sérgio Guerreiro, 26 de Setembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12122012





do que me lembro?... apenas isto...
num acto rápido e sem importância alguma:
as chaves do carro caíram-me da mão!

(+12122012)

nenhures, num ponto multi e inverso a si mesmo,
existe um outro eu que habita as consequências improváveis,
os rumos e as veredas que não escolhi como primários
pessoas, verbos e paisagens que não experienciei
porque não foram o fundamento das minhas escolhas iniciais;
tudo o resto existe num curto-circuito de hipóteses
numa repetição eterna e longínqua da qual nos chega o eco
num estilhaço efémero.

(-20121212)

procurei  as chaves, e lá estavam elas no meio do asfalto,
não olhei para mais nada e quando me precipitei para as apanhar;
o meu outro eu evitou o meu atropelamento num dia de eco infinito:
no seu próprio acidente.


domingo, 2 de dezembro de 2012

a CP e as suas greves

com todo o respeito que qualquer profissional me merece... mas tanta greve e grevinha já chateia !
por favor....sem rumo nem vergonha, estes senhores vão ditando a vida dos seus clientes e ainda se riem.
como é possível um dia depois da greve ainda haverem serviços suprimidos? como é possível um dia depois da greve; circular um comboio fantasma com atraso de mais 15 minutos, sem ninguém comunicar o motivo ou estimativa, com a iluminação interior parcialmente desligada e em marcha lenta durante toda a viagem? não compreendo,  como é possível não assegurarem os serviços mínimos decretados pelo tribunal e continuarem impunes como se nada fosse?
estamos no início do mês, com milhares de passes adquiridos e sem um pingo de respeito por quem afinal é cliente, para não dizer quem lhes paga o ordenado, porque seria por certo acusado de excesso no vernáculo ou populismo.
a greve é um direito consagrado na constituição mas os serviços mínimos também o são. estes senhores não estão acima da lei!
para termimar... não se esqueçam de comprar o vosso título de transporte que para a semana temos mais uma greve fresquinha.  não quererá o estado depois de privatizar a CP Carga, privatizar também estas greves?