quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Rota da BioMelides


Ora aqui está o percurso. Venham descobrir a rota da BioMelides, um percurso pedestre circular com 13 quilómetros de bom caminhar.






A rota da BioMelides pretende promover o contacto directo com a natureza em torno da Lagoa de Melides e dos seus ecossistemas adjacentes. Por esta rota iremos percorrer caminhos e veredas onde se pode observar a avifauna em torno dos arrozais, como é o caso dos grandes bandos de íbis- pretas, ou dos pinhais, onde evoluem vários tipos de passeriformes como chapins, cucos, melros e poupas. De olhar atento, entre sombras florais, podemos descobrir o reino lepidóptera onde as borboletas do medronheiro e cauda-de-andorinha são elementos de beleza diferenciadora. Por fim, e como complemento, teremos uma passagem obrigatória pelos abrigos de observação de aves estrategicamente colocados para contemplar a natureza em comunhão com as coloridas matizes proporcionadas pelos reflexos da Lagoa. 



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

BioMelides - Inauguração do abrigo para observação de aves



Durante vários anos caminhámos para Melides com o intuito de divulgar a biodiversidade da lagoa. O nosso trabalho e dedicação, em parceria com a autarquia local, deu frutos e eis chegado o momento da apresentar a infraestrutura criada na lagoa. Este é o abrigo para observação de aves. Apareçam e divulguem!





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Descobrindo Monteverde



Em Monteverde fiquei alojado numa casa de turismo de habitação de nome Sarita casitas. Os anfitriões, Sara e Danilo, foram muito prestáveis e facultaram-nos preciosas indicações sobre a biodiversidade e costumes locais. Para além da simpatia, a casa apresentava todas as comodidades, desde a sala à cozinha, tudo com muita higiene e eficiência. A água era potável e tínhamos Internet por wi-fi com relativa velocidade. Nas imediações reinava uma calma paradisíaca e a vida corria devagar guiada pelos ciclos e vontades da natureza. Estávamos em Maio, a temperatura rondava os 25º e a época das chuvas já se fazia notar. O dia começava a clarear às 04:50 da madrugada e depois aflorava-se de cores que mereciam ser inscritas no manual de outro arco-íris. Seguia-se uma palete de cheiros que instigava ao movimento e nos fazia ter fome por descobrir e condensar as experiências num álbum de recordações. Pelas 16:00 o tempo fecha-se invariavelmente a toque de uma orquestral chuvada. O tempo tinha a cor das aves e o temperamento impiedoso da chuva. 

Nas minhas incursões pelas redondezas vi várias espécies de aves, mamíferos e insectos. Observei umas espécies mais colaborantes que outras, mas todas elas de redesenhada novidade e beleza. Desengane-se quem pensar que fotografar foi tarefa fácil, uma vez que as constantes mudanças de luz obrigavam as constantes compensações. De resto os bichos não ficavam muito tempo no mesmo lugar - ariscos o suficiente para desespero de quem espere facilidades. Foi curioso seguir os esquilos que pulavam entre as ramagens verdejantes e quase vieram dar-nos os bons-dias, tal como os macacos-uivadores que se faziam ouvir de manhãzinha empoleirados nas árvores altas numa algazarrara territorial. Pasme-se... em Monteverde não senti os braços do vento uma única vez. 

Há quem diga que os Ticos (habitantes da Costa Rica) são povo mais feliz do mundo. Se calhar é verdade, muito embora desconheça como é calibrado barómetro felicidade. Contudo a julgar pelo fácil sorriso, são sem dúvida um povo de contagiante alegria. Tão simpáticos e afáveis que não precisam de exercito para esperar o melhor do mundo e um mundo melhor. É verdade... na Costa Rica não há exército mas vê-se policia com regularidade, posso dizer que me senti em segurança, mesmo exibindo o material fotográfico nunca houve nenhuma situação que causasse desconfiança.
As casas são de construção típica sem ostentarem grandes luxos (excepto mansões dos americanos que por lá ficaram)
O grau de limpeza das ruas, estradas e outros locais públicos é satisfatório. Por onde andei não vi pobreza e ainda bem. Pelo que reparei existe um sistema de educação cuidado, existem aulas ao ar livre,  as crianças usam uniforme (pelo menos as que vi) e circulam muitos autocarros escolares estilo americano (fez-me lembrar o Pesadelo em Helm Street).

Já agora... sabem o porquê dos Costarriquenhos terem a alcunha de Ticos? Há quem diga que tico  é um sufixo utilizado em vez do espanhol tito. Exemplo: gatico em vez gatito, momentico em vez de momentito ou chiquitico em vez de chiquitito


A pé fizemos vários caminhos e aqui estão alguns bichos que vi em Monteverde nas redondezas da casa.



Este foi o primeiro beija-flor avistado.




Ah...  Ora aqui está tico tico (Zonotrichia capensis), um paldal a saltitar na casa de um vizinho.




Na mesa situada no jardim da casa esta fêmea de Great-tailed Grackie (Quiscalus mexicanus) veio provar as bananas


O macho raramente vinha provar a fruta que colocávamos nos comedouros.


Agora os "amarelinhos" como carinhosamente os baptizámos: Em primeiro temos o Great Kiskadee (Pitangus sulphuratus) que alisava as penas com vagar e nada preocupado com a nossa presença.





Por sua vez, o Tropical Kingbird (Tyrannus melancholicus) gostava de empoleirar nos fios de electricidade em frente à casa.


Por último dos pássaros amarelos, temos no fio de baixo o Social Flycatcher (Myiozetetes similis) que tão bem socializava com os vizinhos.




Nos telhados as rolinhas Inca Dove (Columbina inca) quase passavam despercebidas.



Do outro lado o Masked tityra (Tityra semifasciata) observava a geometria das construções.



Nos arbustos situados nas traseiras das casas este casal de Greyish saltator (Saltator coerulescens) veio aprender a falar português.


Yellow-faced grassquit (Tiaris olivaceus) Grande cantor de Cuba



Mountain Elaenia (Elaenia frantzii) sacudia-se dos chuviscos


O pica-pau Golden-olive woodpecker (Colaptes rubiginousus) caminhava calmamente pelo seu poiso.



Um pombo espreitava do seu ninho Red-billed Pigeon ou Pomba-do-méxico (Patagioenas flavirostris)


Já o Emerald Toucanet (Aulacorhynchus prasinus), de tão espantado, parecia que tinha acabado de cortar o ramo da árvore à bicada.


Por fim,  este periquito white-fronted parrot (Amazona albifrons) poisou no ramo de um pinheiro e deixou que nos aproximássemos .. relativamente...


Estas foram algumas das muitas aves que observei em Monteverde. Se quiserem saber o nome de todas as espécies podem consultar a lista realizada pelo amigo José Frade e por ele publicada no eBird. Todavia não foram só aves. Mesmo ao lado da casa ainda dei de caras com alguns mamíferos curiosos.


Este esquilo Variegated squirrel (Sciurus variegatoides) sacudia a árvore com os seus saltos.





Em futuros artigos irei relatar a minha experiência no Santuário dos Colibris, tais como uma Saída Nocturna pela Floresta Tropical, Sobrevivi na San Gerardo Biological Station e a Descoberta de Borboletas Nocturnas, tudo isto em Monteverde onde em cada canto habita um segredo vivo por revelar.

Tudo se passou por aqui, nas imediações de Sarita casitas.





Para finalizar, um brinde à saúde dos meus amigos com a cerveja da Costa Rica. Imperial!











terça-feira, 26 de setembro de 2017

Stella's Bakery - as panquecas e as aves


Nos dias em que permaneci em Monteverde (Costa Rica) tive oportunidade de tomar o pequeno-almoço no Stella's Bakery coffee shop. Um bar muito acolhedor, construído em madeira, com uma esplanada e um pequeno jardim. Foi aqui que provei as fantásticas panquecas com mel - um manjar imperdível. Este restaurante pauta-se por um bom atendimento, onde a simpatia anda de mão dada com a singularidade dos afectos, sinónimo de pura vida.


É sem dúvida um local muito simpático e ainda para mais dispõe de um alimentador para aves. Sem mais delongas pedimos que colocassem fruta nos alimentadores e passados poucos instantes, os bichos não se fizeram rogados, e vieram espreitar o que lhe calhou em sorte. Tal como a gulosa borboleta azul que se entretinha com os vestígios açucarados da fruta, tudo voava em redor da fruta. 

Recordo estes momentos de sabor tropical. Inesquecíveis combinações - tão depressa chovia como fazia sol, a humidade e o calor abriam o apetite acalmando o olhar para um horizonte voador. De quando em vez lá vinham as aves debicar a fruta, enquanto lavrava memórias visuais ao sabor de deliciosas panquecas e café de escuro universo.




Blue-gray tanager (Thraupis episcopus)


Alimentadores para aves Stella's Bakery



Lesson's motmot (Momotus lessonii)



E aqui o Lesson's motmot  no topo da árvore a preparar-se para devorar a fruta nos comedouros.




Ao meu lado surgiu um acelerado beija-flor Steely-vented Hummingbird (Amazilia saucerottei) que por breves segundos esteve entretido a sugar o néctar das flores para depois desaparecer, fazendo parte integrante da segunda pele da vegetação.


Este pardal White-eared Ground Sparrow (Melozone leucotis) andava no chão a ver o que lhe calhava mas cedo se apercebeu que a fruta estava nos comedouros à sua espera. 


Os gulosos preparos da fêmea de Great-tailed Grackie (Quiscalus mexicanus).




O Emerald Toucanet (Aulacorhynchus prasinus) parece não ter gostado da espetada de fruta.



Por isso escolheu os frutos situados no topo das árvores o que dificultou o ângulo de abordagem fotográfica mas o que conta é a intenção.






Por fim chegou o momento da borboleta Blue morpho (Morpho peleides) aproximar-se da fruta, exibindo as asas pintadas de azul eléctrico, contudo esta apelativa iridescência  não passa de uma ilusão de cor e luz.

Agora que termino este texto, fico com vontade de molhar panquecas no café e espreitar novamente por esta janela de sonho.






sexta-feira, 15 de setembro de 2017

BioMelides: Episódio 5



Este foi um conjunto de pequenos filmes realizados no ano passado em Melides e que agora vêem a sua publicação em mais um episódio da BioMelides. Chamo a vossa atenção para o espectáculo dado pelas aves brancas que ao entardecer compõem uma aguarela sobre a lagoa.





quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Em busca do Pilrito-canela (Calidris subruficollis)


No dia 11 de Setembro partimos em busca de uma ave proveniente da América do norte mas que de quando em vez visita a Europa. Passavam poucos minutos das 8:00 da manhã quando entrámos no frenético ritmo da A5 já congestionada em filas infindáveis na direcção da grande urbe. Pacientemente o tráfego foi desvanecendo-se e quando chegámos à Ponta da Erva dirigimo-nos ao local indicado pelos nossos amigos observadores. Lá encontrámos mais um fotógrafo a tentar a sua sorte na demanda pela raridade pilrito-canela. Realmente foi uma sorte o que aconteceu a seguir; uma vez que não vimos o bicho chegar, e logo após uma volta de reconhecimento em torno de várias poças de água, lá estava ele. Nós bem tentámos uma aproximação gradual e discreta mas o bicho estava inquieto não permitindo grandes veleidades. Andámos devagar acompanhando as movimentações da ave e depois de alguns registos fotográficos sempre com uma pauzinho à frente, decidi rastejar para tentar uma abordagem de outro ângulo. É certo que tive que evitar algum resquício de dejecto bovino já seco, porém lá consegui uma outra fotografia mais ou menos representativa da espécie. Sim, podia ser melhor se o pilrito olhasse na direcção da objectiva, se não estivesse uma ervinha à frente da ave, se a luz fosse melhor, se o engenho do fotógrafo  fosse outro, ou até se o bicho viesse desejar um bom dia com a canção de madrugar das aves felizes. Contudo isso seria outra coisa para além das artes de representação da natureza de tantos imponderáveis acasos. 














O pilrito-canela não apareceu mais, entretanto nas voltas incessantes pela procura de ocasiões felizes, encontrámos este bispo-de-coroa amarela a pavonear-se de sol antes de levantar voo.


E ainda assistimos aos voos curiosos de algumas aves.  O primeiro foi um casal de peneireiros-cinzentos que  ao longe trocavam mimos num voar de cortejo. 


Seguiu-se um sisão a cruzar os céus da lezíria anunciando o lento esmorecer da luz.


O dia findou com a debandada das cegonhas para um dormitório não muito longe de certos sonhos.





Agradecimentos:

Frederico Morais
José Frade
Pedro Marques 
Luís Arinto




quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Fotógrafo Acidental



Para mim, o mês de Agosto é o mês ideal para visitar museus e espaços culturais livre do grande rebuliço e agitação das multidões. Assim, ainda não tinha finado o oitavo mês do ano e levado com ele todas os irremediáveis excessos de disparates e desgraças, já eu decidira que era desta que visitava a exposição: O Fotógrafo Acidental - Serialismo e Experimentação em Portugal, 1968-1980. 


Quando cheguei à Culturgest estava completamente fascinado pelo estímulo e pela absorção artística do espaço e deixei-me ir. E fui. Só reparei mais tarde que tinha começado pelo fim, ou seja, entrei pela saída da exposição. Acontece.


A primeira ala (última para os visitantes não tão distraídos como eu) apresentava grandes fotografias a preto e branco acompanhadas por telas azuis vazias - uma demonstração do quarto e cama de núpcias onde supostamente Julião Sarmento fora concebido e como tal o nascimento do artista.


Ainda sobre Julião Sarmento, foi na segunda sala onde me detive por mais tempo e regressei para uma segunda abordagem. Com o título "Life and death of small european birds" e "Don Juan Lord Byron" era-nos dado a observar composições fotográficas de árvores e jardins, como sendo possíveis habitats de várias espécies de aves. No topo da composição tínhamos uma foto de um eventual "ecossistema" e por baixo uma folha de um livro de ornitologia com a espécie da ave que habitava o aspecto conceptual daquelas paragens. Um autêntico roteiro ornitológico que percorre várias terras lusitanas no ano de 1976. As fotos eram acompanhadas por curiosos e improváveis textos que relatam o espanto de um corsário ao regressar de uma viagem e encontra o seu palácio numa enorme festa e a sua filha numa paixão ardente com um mancebo. Nesta sala só estou eu e de vez em quando, irrompe um eco vivo; há uma ave (mandarim) que canta numa gaiola de madeira abandonada no centro, ao mesmo tempo que ouvimos uma voz a declamar excertos do canto III do Don Juan de Lord Byron. Apreciei bastante a originalidade com que o artista mesclou os diferentes compostos literários e biológicos e desconstruiu os elementos vivos entre céus, árvores e aves.


Outra artista que despertou a minha curiosidade foi Helena Almeida com as séries: Sente-me, Ouve-me, Vê-me.


Na espectacular série "Ouve-me" (1979) somos confrontados com de 16 fotografias onde da boca os lábios são suturados por um fio "ilusório" e com o vagar do observador vão-se libertando da clausura dos silêncios que ficam entre palavras, conferindo-lhes um role de expressões que ficam para além de um abecedário de emoções. "Ouve-me", durante alguns minutos fico parado em frente àquela série de fotografias a saborear os meus lábios e os desenhos que eles tentam imitar naquela sequência de fotografias. Só que a minha boca não esta cosida por um fio imaginário, ou não será que está? Tantos são os silêncios que a sociedade nos obriga.


Nas outras salas da exposição também pude assistir a trabalhos de outros artistas como Alberto Carneiro, Ângelo de Sousa, Ernesto de Sousa, Fernando Calhau, Jorge Molder, José Barrias, Leonel Moura e Vítor Pomar, todos eles tendo em comum o aspecto da serialidade das suas obras, em que uma imagem isolada (por mais extraordinária que seja) não é suficiente para retratar uma sequência de movimentos sucessivos (às vezes quase invisíveis) num determinado espaço / tempo.


E ainda sobre "Ouve-me" de Helena Almeida, também eu de quando em vez, ponho a língua de fora na tentativa de libertar-me dos grilhões sociais que me fazem curvar ante do politicamente e socialmente correcto, com caretas das caretas e sorrisos dos sorrisos, às vezes tento timidamente ripostar. Da boca irrompem lábios provocadores, instigadores, às vezes cómicos, reparo que a uns escassos dois metros de mim: "liberdade, liberdade meu amor!" ouço eu dizer a uns estranhos que por ali, tal como eu, andavam arrebatados e perdidos à espera que a entrada e a saída fossem um instante de uma dimensão qualquer.













Pedras Parideiras



Ao chorar das pedras nunca assisti mas pedras que "parem" outras pedras... só  em Arouca! Mundialmente este fenómeno só encontra comparação com uma outra ocorrência na Rússia. Situada na aldeia da Castanheira, no planalto da Serra da Freita, em pleno concelho de Arouca, este é sem dúvida um geossítio de relevante importância internacional. Para quem chega com vontade de ver as pedras, o acesso é realizado por passadiços de madeira onde podemos observar a área de afloramento rochoso. Subimos e descemos pelos caminhos de madeira ladeados por um manto rochoso aclarado com  "buracos" de onde saíram pequenas rochas. Mas como?

Na verdade trata-se de rochas sedimentares que aquando da sua formação terão acumulado no seu interior resquícios de outros compostos rochosos - encraves. Os ditos encraves são corpos rochosos que estão aprisionados no interior da pedra granítica original é são libertados por acção erosiva. Estima-se que o granito original terá 280 milhões de anos e terá estado na origem destas deformações. Depois de fazer o percurso em torno das pedras, ainda assisti no centro de interpretação local, a uma curiosa apresentação destes caprichos da natureza. Não! Desengane-se quem pensar que pode levar para casa uma pedrinha destas como recordação, ficamo-nos apenas pelas fotografias, que às vezes podem parir outras ideias.