terça-feira, 20 de junho de 2017

Pica-pau-malhado-grande no Parque Florestal de Monsanto


No âmbito do projecto 4 Estações sobre Monsanto tive o privilégio de observar algumas rotinas de uma família de pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major). Estes são alguns momentos de ternura. Foi curioso observar que o pica-pau juvenil instigava o progenitor a despachar-se na busca por mais alimento, bicando-o para ele se apressar.














segunda-feira, 19 de junho de 2017

Até quando o fogo?






ao manto de fogo que tudo arrasta
segue-se a dor de não ser chuva,
de não ser torrente de água madrugadora
sob a fogueira que consome este país.

o maior dos incêndios cava silêncios inexplicáveis,
e nós rendidos à força cruel desta besta de lume,
vemos calcinados carros de horror,
estradas sem saída, ladeadas por paredes infernais,
florestas de cinza e tantas vidas feitas ruína,

homens, mulheres e crianças de uma triste Pompeia Lusitana.


aos Bombeiros e aos Homens destas e de outras terras,
(quantos deles enlutados também, meu Deus)
que lutam para apagar este círculo de inferno:
com a força dos heróis que os move por não deixar cair,
a esperança do que fazer com a cicatriz do amanhã,
o que fazer com este punhado de terra queimada. 


silêncios de tantas vidas por florir.






sábado, 17 de junho de 2017

O torcicolo (Jynx torquilla)




Esta foi mais uma visita ao abrigo fotográfico do Parque Ambiental do Alambre, situado no Parque Natural da Arrábida, com o intuito de fotografar uma espécie que há muito me escapava - o torcicolo. Por ser véspera de feriado não apanhámos trânsito na ponte e a travessia do rio Tejo fez-se com rapidez e tranquilidade. Quando chegámos ao local, as nuvens eram escassas e já se faziam sentir os ecos de um verão anunciado. Antes de montar as máquinas fotográficas nos tripés, tivemos a necessidade de colocar uma segunda rede de camuflagem nas janelas do abrigo, uma vez que a rede camuflada que lá estava não apresentava as melhores condições. Contudo, o simples acto de abrir uma janela desencadeou uma guerra de imprevisíveis consequências. Nós bem esbracejámos, rogámos pragas e impropérios mas de nada valeu. As hostilidades estavam abertas. Um ataque certeiro, desferido por vespas irritadas, que sentiram o seu espaço invadido, obrigou-nos a fechar a janelas e a debandar. Fui picado na orelha e a dor foi forte, ainda tentei amenizar com água mas não havia muito a fazer senão deixar que o mal-estar diminuísse. Enquanto a dor não passava, os chapins e os verdelhões espalhavam encanto nos raminhos adjacentes e no espelho de água de tantas sedes. Com o passar das horas fiquei melhor porém não havia sinais do torcicolo. Já passava do meio-dia quando verificámos que o tronco seco de uma árvore contígua ao abrigo estava ligeiramente mais alto. O prolongamento desse tronco sofria do efeito de mimetismo do torcicolo. A ave estava no topo do tronco como se fizesse parte do mesmo, sem diferenças assinaláveis para os observadores mais experimentados. Esta espécie de pica-pau de plumagem críptica e que tem o curioso hábito girar o pescoço com um contorcionista, regressou mais duas vezes para gáudio das criaturas que tanto ansiavam o seu aparecimento. E já passava das treze horas, quando pedíamos só mais uma tentativa para fazer uma outra fotografia (aquela fotografia melhor do que qualquer outra), quando o aviso suou. Primeiro um som ténue, depois a movimentação de uma pequena sombra voadora, até que a vespa atacou novamente e eu fui atingido na minha face rubra de contentamento. Era este o preço a pagar para fazer algumas fotografias deste pica-pau e não havia tempo para lamentações. Estávamos a mais naquele local era hora de partir com os restos de uma sorte naturalmente efémera.
















Agradecimentos:

José Frade
Manuel Aldeias