sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fantasma Branco # 3



(22:30  um segredo revelado indevidamente)


Dois quartos de tempo depois.

Quando acabei de imitar um rato a ave levantou voo. Pelo visor da máquina olhei para algumas fotos, estava satisfeito com o resultado obtido. A coruja aceitou a nossa presença e quando achou que já tinha mostrado a magnificência do seu porte nocturno, deu por terminada a sua actuação. Quando somos convidados para uma festa, temos que ter noção do nosso tempo, por isso mesmo, o carro fez inversão de marcha e seguimos em direcção da saída.




Um quarto de tempo depois.

Ponta da erva, à beira do rio, uma paisagem única e melancólica, uma velha casa emparedada por duas árvores e uma constelação de estrelas, apenas e só a noite como testemunha bastava.
A brincar, o meu Guia Humano contou-me que aquele lugar foi em tempos assolado por almas penadas. Lembrei-me das histórias que ouvira contar aos meus pais sobre as corujas que poisavam nos estendais da roupa, nos portões, ou nos telhados das casas, era presságio de mau agouro (qual Corvo, Corvus corax), mais concretamente, anunciavam o falecimento de um membro da família, nunca tal profecia se concretizou, para bem todos os protagonistas. Limitei-me a guardar máquina na mochila. Já não havia espaço para nenhuma outra fotografia. Devemo-nos contentar com as pequenas grandes coisas que nos são oferecidas sem que nos seja pedido nada em troca. Por isso mesmo, se me pudesse fechar dentro da mochila também o teria feito. 

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