quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Curta-metragem: mar



Aqui fica a versão para internet da minha curta-metragem - mar - exibida no segundo aniversário do Café Poema. Também podem assistir à versão para televisão no MEO Kanal. 


terça-feira, 11 de setembro de 2012

4 Estações sobre Monsanto: Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)


À primeira vista não parecia uma ave mas sim um ratinho que timidamente espreitava por detrás do tronco. Quando o animal perdeu a vergonha e deu a conhecer os seus contornos, dissiparam-se as dúvidas; era uma Trepadeira-comum que de semblante ligeiramente tímido veio ver o que se passava perto de uma linha de água.



Não se demorou muito e depois de matar a sede lá foi ela à sua vida, que tristezas não pagam dívidas. Ora a subir, às vezes a descer e tantas vezes de barriga para cima, assim evoluiu esta pequena ave agarrada aos troncos das árvores em busca de pequenos insectos.


Tal como nós, às vezes de barriga para cima, outras de barriga para baixo, fazemos o que pudemos para que a esperança volte à luz destes dias.



sábado, 8 de setembro de 2012

Moinhos







Lembro-me do nosso encontro secreto.

tu, a sorrir, deitada na colina de Sant'ana de que se fala cidade mulher,
nua de impérios ou de qualquer faiança de pele branca;
sem saber o que fazer com todos os moinhos de vento que um dia
trouxera da Holanda para te oferecer.

muito simples, como só tu consegues ser, tão simplesmente assim,
sopraste para longe as sílabas do amor
e as asas do moinho deram alma à mó
moeram o grau de tempo que se escreve,
sempre ao contrário do desejo imediato.

os moinhos cresceram pela cidade secreta do teu corpo 
e como tudo o que se esconde um dia acaba por cair,
eu fui à minha vida e tu foste à tua sorte
muito simples, como só nós conseguimos ser, tão fanaticamente assim,

mas os moinhos lá ficaram nas colinas de outras mulheres feitas cidade
e moeram a paciência aos filhos da fome dos outros,
da solidão, da alma, do silêncio, da calma, do grito, da cama, da fala dos outros
mas ainda hoje guardo esta maresia que me adormece e alimenta.

em noites que são minhas órfãs de pele.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

4 Estações sobre Monsanto: Cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis)


A cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) não é venenosa para o homem. Quando se sente ameaçada pode ter um comportamento dito agressivo, mas quem não o teria em certas situações limite?



Esta cobra que pode atingir 180 cm; com uma característica mancha escura na cabeça que se assemelha a uma ferradura, o que lhe confere a sua graça. É uma cobra ágil e pode ser encontrada em locais secos mas também em meios urbanos. De hábitos essencialmente crepusculares alimenta-se de ratinhos, lagartos e pequenas aves.


Já tinha fotografado e filmado um outro exemplar desta espécie, no entanto não tinha conseguido um registo de proximidade como este. Isto porque, esta cobra- de-ferradura ainda juvenil foi socorrida pelos bombeiros e conduzida até ao LXCRAS de Monsanto. Quando foi libertada deu-me a honra de registar para a posterioridade todo o ser esplendor.