sábado, 22 de dezembro de 2012

Nove meses depois



hoje colecciono novos odores e sabores das índias
reaprendo o cheiro da terra e das fábulas perdidas
se me dão a provar frutos de outro mundo qualquer,
na ponta da língua apuro o descarnado palato e redescubro-me

quando tudo é novo cansa-se o corpo até não puder mais,
quando tudo é diferente desfaz-se o verbo e inventam-se desculpas
para perdoar vícios parvos e prazeres insensatos dos velhos tempos,
na quinquilharia do lume, qualquer ritual de fumo e cinza vencia o tédio.

onde uma mortalha servia para embrulhar uma urgente ninfa
de olhos grandes e ventre laminado pelo desejo cego do vício
a última vez que te levei à boca foi à nove meses:
desde então foste o meu último cigarro e não mais te pari de novo.

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