quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Como quem sobe a Serra à procura de uma Estrela



Rodeado de bons amigos embarquei em mais uma viagem; desta feita o destino foi a Serra da Estrela.
Traçámos como objectivo principal fotografar algumas espécies da avifauna e assim foi.
Durante dois dias acordámos de madrugada e enfrentámos temperaturas a rondar os - 5 e - 6 graus, depois foi aquecer a alma e iniciar demanda por vários pontos marcados no mapa: Unhais da Serra, Barco, Vale do Rossim, Penhas da Saúde e Torre.



De madrugada, nas Penhas da saúde, as miragens que nascem do nevoeiro fazem parecer o topo dos sonhos um imediato alcançável.


A neblina deixa antever os certos movimentos. 
Quantas máquinas voadoras consegues ver?


A serra ainda despida da candura do seu manto mas com vestígios de mãos de fumo e degelo. 


O acordar lento dos seres incógnitos que habitam outra dimensão serrana.


A pele da Estrela a serpentear pela estrada, e como qualquer estrada que sabe para onde vai,  não devia ter nome. 

  
Da Torre desce a sombra dos amantes, como querem eles tocar nos pés do céu?


No Vale do Rossim, se não fosse o gelo, um mergulho na ficção era um convite inevitável.


Pelo caminho verificámos uma quantidade considerável de bagas vermelhas; a grande oferta deste fruto talvez tenha contribuído para  que os bichos andassem mais dispersos. 


 O gelo sobrevive ao calor da terra e às rasteiras que os espíritos vegetais por aí plantam.


Independentemente do esforço e dedicação, na fotografia como tudo na vida, a sorte é um factor incontrolável da equação. A boa-ventura dá muito trabalho àqueles que acreditam que os pés também servem para voar.


Tinha o dia nascido à pouco tempo quando o Cruza-bico (Loxia curvirostra) começou a reclamar o topo dos pinheiros nórdicos.




O Tordo-ruivo (Turdus iliacus) compreensivelmente tímido, expiava as nossas reais intenções, por isso nunca fiando.


Quando chegámos à Torre encontrámos na berma da estrada, entretida entre o gelo e o granito, a discreta Escrevadeira-das-neves (Plectrophenax nivalis)







Se os ossos não me doerem, um dia destes voltarei a sentir o frio cortante na ponta dos dedos e o cheiro de uma lareira quentinha.




2 comentários:

  1. Bela reportagem. Parabéns e muito obrigada Sérgio por estes momentos poéticos.

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  2. Obrigado pela atenção na leitura e pelas palavras de incentivo.

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