quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Ilha-mulher




Vejo-te deitada no paralelo imaginário dos dias em que não te vejo.
Levitas na dimensão infinita dos sonhadores;
A tua nudez é uma ilha onde a lua repousa sobre a anca esquerda.
Chamo-te Ilha-Mulher. Dou-te um nome secreto e proibido. Amor.

Tu não respondes. Porque existes apenas nos dias em que não te vejo.
Um suspiro rouco. Que multiplica por mil as bocas suaves de veludo. A busca.
A tua boca entreabre-se um pouco. O suficiente para te manter em segredo.
Beijo-te no lábio superior e oiço uma semi-sílaba a florir.

Do seio direito recrio círculos concêntricos, no qual desenho o mapa dos teus afectos
A tua juventude em fogo e carne viva explode nas crinas dos cavalos felizes
Enquanto eu... sou homem de tantas ficções em palavras com gás.
Estou aqui mas tu não estás. Existimos amantes nos dias em que não te vejo.

Do teu cabelo escorrem fios de ouro.
O teu corpo eléctrico contorce-se de fome rápida pelo desejo
Num cruzar de pernas impaciente e luxuriante;
As tuas mãos em "v "deixam antever o regaço molhado pelo suor.

Tocas-te. Eu ignoro o sulco dos dedos e desvio o olhar.
Persigo o rumo pelas tuas pernas, lentamente, pela parte de dentro, num beijo só
Nesta dimensão húmida sinto-te vibrar na afinação imaterial dos corpos.
Tu olhas para o meu fim.

Os teus olhos são os meus dias felizes. Não te queria dizer isso nunca.
Se o repetir sei que te posso perder. O teu corpo une-se na calda e no arrepio,
Qual fruto maduro e apetecível num rossio labiríntico,
Lentamente a língua feroz deixa de obedecer ao comando férreo das mãos cegas
Sem saber ao certo o que faço entre a margem do períneo e a tentação da púbis.

Sou náufrago de silêncios em síncope de prazer
Perco-me a norte da ilha mulher e deixo-me ir
E se num novo dia me pedissem para voltar
Por certo reinventaria tudo o que não escrevi até então.

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