domingo, 22 de agosto de 2010

21%




a pairar no rebordo da costa quase bronzeada
em frenesim do ínfimo alfinete pela prospecção
eis que da derme desprende-se uma gota salgada
seguindo-se um zunido irritante e uma picada 
de ponta afiada eles lambuzam-se em secreta degustação

de que me vale
enrolar-me em papel vegetal feito mortalha
ou besuntar-me em repelentes não mais que acendalha
tão pouco desenhar no ar uma elipse em tom de protesto
ou afugentá-los à paulada estalada palavrão e manifesto?

eles lá estão
na antecâmara que ladeia o meu flanco
expiam a miragem do meu contra-ataque
ante tamanha surpresa de um alvo ainda em branco
voam para cá e para lá deixando o meu corpo a saque

e voltam às voltas
a flanquear o cúmulo do meu labor voam na eminência
de chupar até ao tutano o que resta da pele da minha paciência 
já agora.. seus.... grandes...

grandessíssimos sanguinário pernilongos cruéis
de fato e asa com poleiro bancário tantas vezes parlamentar
este meu corpo que usam como pisa-papeis
tenham lá dó e deixem um poro ou outro por sangrar.

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