domingo, 8 de agosto de 2010

apenas isso



[apenas noite branca e silêncios]
lembro-me de ver-te entrar no mar de Janeiro
carregando o peso de um longo véu branco
de passo calmo serena sem que nunca olhasses para trás

[apenas um tratado entre as mãos e a fúria de ficar]
do areal deserto gritei para que voltasses
na esperança que o medo te colhesse
como o frio que abençoa os solitários 

[apenas ida em frente apagando o rasto do que ficou por dizer]
e tu sem hesitar rasgaste a primeira vaga
depois outra e mais outra, até perder-te de vista
naquele mar fechado de um livro e nua era a tua página

[apenas isso e tão só uma marca de água]

Sem comentários:

Enviar um comentário