segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Impulsividade de relojoeiro


Na goela irrompe a fúria deste vulcão portátil,

a lava é o sangue ferruginoso que queima a garganta,

na boca, uma arma com canos serrados tem o gatilho pronto,

a qualquer momento faço explodir o espelho da paciência,


já está! solto a ira numa cega saraivada de disparates,

não sobra palavra, livro ou perdão depois desta vaga,

digo o que quero e o que não ouso imaginar,

rubro, enraivecido, espezinho, enxovalho quem ousar!


Mas depois vem a queda.

engulo o vidro cinzelado do arrependimento,

assumo a culpa arrancando com os dentes as crostas dos muros,

a calma só volta com o silêncio da pedra.


voltas e mais voltas na cama, à procura de uma desculpa para onde desertar.


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