segunda-feira, 10 de julho de 2017

depois do fogo rebentam eucaliptos








sabes porque ardem de velocidade as portadas?
lá fora o lume prende-se aos pés,
dos animais, das casas, dos egos,
lá fora é tudo tão frágil e rápido
como as folhas quadriculadas
onde aprendeste a somar 1+1 igual a sozinho
ou os fósforos que vês arder no cinzeiro
depois tentar adivinhar o futuro num chá,
tentas apagar o incêndio de todos anos mas não te apagas
das memórias, do sol, ou da serra enfeitada de ambulâncias.

sabes... num piscar de olhos e tudo muda,
a cor, os lábios secos, o calor, a pele aflita
tão rápido em cinza pincel,
fomos nós que fugimos por estas escadarias
até lá ao topo,
no alto das dores e dos músculos
fartos das doença do silêncio.

a madeira sangra o desleixo do homem,
o que fica desta paisagem queimada?
uma casa, uma eira, uma horta, lunar
um estendal de fogo remexido de nada;
e depois das chamas já rebentam eucaliptos das estradas

sabes porque não consegues fechar estas portadas?
uma senhora de idade limpa as cinzas do caminho,
com a bengala,
prenda do último natal de um dos netos de lá de fora.






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