quinta-feira, 23 de julho de 2015

BioMelides: do outro lado da duna







Quem os visse a rastejar pelas dunas, de máquina fotográfica na mão, atentos a qualquer movimento nas proximidades, no mínimo ficaria espantado; contudo, para não acalentar maiores especulações, passo a explicar.

Em primeiro lugar - não era nenhuma invasão da costa Portuguesa. Sem pretensões militares esta manobra obedecia a uma motivação maior - chegar perto de uma ave para a fotografar ao nível do olhar e com um enquadramento diferente.
É evidente que nem sempre o estilo é o melhor, até pode não compensar as dores nos joelhos ou nas costas, muito menos a real dor de cotovelo (não confundir com o desidratado da outra)
Enquanto pensava nisto, rastejava avançando uns centímetros com areia pela barba e pelos olhos. Ao mesmo tempo, na linha de praia, um casal bípede andava entretido a fotografar a beleza do areal de Melides e os seus encantos naturais. Quando repararam nos dois tipos rastejantes de roupa de padrão camuflado, que sorrateiramente tentavam ser duna, em avanços lentos e dolorosos, do espanto despertou-se tamanha curiosidade. Foi nesse momento que evidenciámos as fragilidades da nossa presença, e de tanto tentarmos passar despercebidos, fomos alvo das máquinas dos fotógrafos bípedes. E cá vai disto, em rajadas de cadência rápida, fotografados como parte integrante da faunística da lagoa.

As aves sabem distinguir o que é uma duna verdadeira de uma imitação móvel com dores na coluna e reumático, por isso debandaram antes que se levantasse ventania maior. Mas a lagoa continuou a sorrir em cambiantes coloridas, destiladas de um dia onde de novo tudo se anunciou.

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