quinta-feira, 9 de julho de 2015

A menina do Priolo






No último sábado de Junho foi encontrada uma criança perdida na avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. A menina apresentava sotaque acentuado, e pelo que foi possível perceber da voz embargada pelas lágrimas, era oriunda dos Açores e perdera-se dos avós nas avenidas labirínticas da capital. 
Da ténue voz ouviam-se baixinho e entre soluços o nome de uma pensão da qual nunca tinha ouvido falar. As pessoas que passavam não ficavam indiferentes ao desespero da criança e tentavam ajudar mas também ninguém conhecia aquela pensão ou residencial. Perguntámos em vários cafés das imediações mas sem sucesso. Seria aquele o nome correcto da unidade hoteleira? No meio de tanta emoção não estaria a criança equivocada? Perante todas estas dúvidas ponderei entregar a menina à guarda da Policia Judiciaria. Contudo, lembrei-me realizar uma última tentativa junto de um hotel próximo. 

Realmente assim foi. A senhora da recepção tinha o contacto da tão desejada pensão e para descansar a criança ligámos de imediato para o local. A criança correu para o telefone e falou com os familiares. Combinámos então levar a pequena para junto dos seus. Fizemo-nos ao caminho mas durante o percurso a menina estava muito confusa e olhava para todo o lado em busca de referências. Para acalmá-la perguntei-lhe de que ilha era residente. Ela respondeu - São Miguel. Tentei alegra-la, perguntando-lhe se conhecia um passarinho pequenino chamado Priolo. Ela reagiu ao nome, e pelo que consegui perceber, relatou convictamente uma visita de estudo ao Centro Ambiental do Priolo. De seguida abriu os olhos de oceano profundo e da sua face brilhou um sorriso que valia mais do que qualquer outra história. Instantes depois, a menina estava de mão dada com o tio e prometeu-me escrever uma redacção sobre a ave que a fez sorrir entre oceanos perdidos e memórias. 



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