terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Zero







Fala-me de ti curva perfeita
vamos subtrair os afectos vegetais,
somar os acasos e multiplicar as distâncias
o resultado será um pouco mais que a diferença que nos completa.

Querias dar nome às coisas que não sabes se existem
ambicionavas ser chamada de nada,
para que a surpresa fosse o teu apelido
sabias que para fazer amor bastava tinta e papel
por isso o teu corpo derrete-se na ponta dos meus dedos,
sobrevivendo a temperatura das bocas
que mastigam a espera como uma folha de ópio.

Acredito que acreditas que existo onde possas existir
nem que para isso,
se resuma o impossível que separa os amantes
Nulo é o espaço das letras que nos sustentam
sendo zero muito mais que um circulo que nos cerca.


Fevereiro | 2006




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