domingo, 28 de dezembro de 2014

Chapim-palustre / Marsh Tit / (Poecile palustris)



Temos dias assim em que nada acontece de extraordinário ou relevante. Na iminência de não haver nada de novo para contar, não depositamos muita esperança nas horas que se seguem, porém num apelo à "boaventura" dos audazes, a surpresa contrariou as expectativas do meu ego mais conformista. Se calhar tive sorte por o céu não me cair em cima, todavia nunca sabemos o que nos espera nesta terra de acasos imprevisíveis. Assim se faz a importância de ir e não ficar a pensar como poderia ter sido.


O que aconteceu naquele dia de verão foi uma questão de sorte e justiça seja feita, excelente visão dos meus amigos amantes da natureza. Quando viajávamos pelas estradas dos Picos da Europa, nas Astúrias, e contemplávamos a paisagem montanhosa na expectativa de ver algum quebra-ossos (Gypaetus barbatus), avistámos um pequeno chapim nos silvados, perto da berma da estrada, mas aquela ave não se assemelhava a nenhum outro chapim antes observado. Estávamos perante um chapim-palustre (Poecile palustris) e o espanto não podia ser maior.


 A surpresa fez-se aliada do improviso. Ainda com os railes de protecção da estrada à frente das objectivas e com medo que o bicho desaparecesse, tentámos registar aquele momento de afortunada oportunidade. Depois, o carro teve que servir de abrigo móvel e lentamente adoptámos um ângulo de abordagem fotográfica diferente. Porém, o chapim-palustre foi colaborante deixando-nos sair da viatura, e por detrás dos railes improvisámos uma trincheira e fizemos mais algumas fotos do bicho, enquanto este andava entretido a debicar um cardo. Nós aproveitámos.



O chapim-palustre (Poecile palustris) não habita território português. É uma espécie sedentária e residente no noroeste de Espanha, estendendo a sua distribuição pela Europa e Ásia. Este passeriforme com uma coloração castanha acinzentada e de faces brancas, apresenta uma coroa preta na nuca e um pequeno babete preto, mede perto de 12 centímetros e pesa aproximadamente 12 gramas. É uma espécie que não está ameaçada de extinção.


São estes dias de luz e fortuna que fazem valer a pena um ano inteiro.

Setembro, 2014 - Astúrias.


Sem comentários:

Enviar um comentário