segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As cidades de A.









Nunca lá estive,
não sei o caminho nem os pontos cardeais que me possam guiar,
mas já ouvi falar da fama que encerra as suas veredas de urbe tão desejada.
Sem nunca ter conhecido as altas ruas cinematográficas de Nughen,
nem as curvas marginais de pecado inesquecível de Vipira,
tampouco as boutiques de perfume e moda que vestem Chymara,
ou as planícies vinhateiras de néctar eloquente de Symfia,
já para não falar das bibliotecas transparentes e infindáveis nos jardins musicais de Alytra,
das praias feitas de pérolas e safiras que descem do flanco desnudo de Fabera,
ou até da ópera de fogo, do teatro de vapor, do bar burlesco
onde a poesia é dita em cálice sensual e de cigarrilha de anis na mão,
recorda-nos que só podemos estar em Kania.
Há mulheres que trazem cidades dentro dos olhos
e sem perguntar mais nada, porque a palavra só serve para nos encontrarmos,
basta um brilho teu para que o universo se inicie.


Inspirado em A. e no livro "As Cidades Invisíveis" (1972), de Italo Calvino.




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