quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O alimento da alma


(entraste em contagem decrescente 9-8-7-6-5)
Há dias assim: em que a alma não te serve de alimento
nem as cápsulas de ansiolíticos, nem os centros comerciais,
nem os ipad ou a tecnologia na ponta dos dedos.
Há dias assim: nada te serve de consolo
e vais alimentando a bomba relógio na iminente explosão consumista.

Foi nesse preciso momento que perto da porta do centro comercial
um presumível surdo-mudo pediu-te por gestos que assinasses uma petição qualquer;
tu assinaste
ele estendeu-te a mão
tu deste uma moeda
ele olhou para a moeda de 2 euros e riu-se,
devolvendo-te a simpatia com um sorriso e a moeda também,
depois apontou para o papel que servia de petição onde as doações eram no mínimo de 20 euros

Sem palavras que quantificassem o espanto,
(em contagem decrescente 4-3-2-1)
fugiste para o cinema, entraste no filme mais concorrido que estava em exibição,
ligaste o mp3 do telemóvel e colocaste os auscultadores,
aumentaste o volume e rezaste para que te explodissem os ouvidos com uma realidade qualquer;
ainda bem que o filme era preto e branco, mudo, senão o fim-de-semana seria maior.
(outra vez em contagem crescente...)

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