terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ciclo de entrevistas - Um Café Poema com Luís Ferreira


Um dia destes (ainda havia sol) estivemos à conversa com o Poeta Luís Ferreira que nos falou do seu último livro, “O céu também tem degraus” e de outras coisas que não lembra ao Outono esquecer:


Entrevista com Luís Ferreira
(poeta)




SG: Acabou de lançar o seu último livro “O céu também têm degraus” fale-nos dele?

LF: O livro é uma história de um caminho ou de um retrato de uma vida. Tem diversos patamares que retratam a vida do autor e qualquer pessoa se pode rever neles. O livro tem seis estágios mas podiam ser mais. São seis momentos, onde a vida é constituída por outras tantas peças. Cada patamar aborda um tema especifico e o leitor pode explorar esse capitulo. O primeiro e o mote e o último a conclusão desse caminho. Tirando o primeiro, o segundo e o sexto, todos os outros capítulos surgem por mero acaso.  Cada poema é um degrau e cada tema é um conjunto de degraus que constitui o patamar.

Em muitas religiões, existe uma simbologia de uma escada em direcção ao céu, como sou uma pessoa religiosa, associei esta temática ao título do livro




SG:Nos seus livros versa predominantemente sobre a temática do amor e...

LF: Não consigo fugir e mesmo que tente, acabo por ir lá cair. Daí o segundo patamar ser o maior,  é patamar que fala do Amor. Sem Amor não pode haver vida. O Amor não se esgota apenas numa relação entre homem e uma mulher, ou uma pessoa e um clube de futebol; mas antes na grandiosidade dos afectos, sejam eles de que ordem forem. Sou uma pessoa apaixonada e esse romantismo está-me no sangue. Gosto do Amor no seu aspecto idílico. Sou uma pessoa positiva. Que melhor positivismo pode existir... senão o Amor? Neste livro não utilizei a palavra morte. Não consigo abordar essa temática muito embora espere o contacto com Deus, faz parte das leis da vida.  Se eu quero encontrar Deus não pode existir um fim, mas sim continuidade.




SG: E quando o poema não sai?

LF: É uma grande preocupação. Quando escrevo, quando sinto necessidade de escrever, sai sempre alguma coisa. No entanto, alimento o meu fantasma (aquele bichinho que está dentro do guarda-fatos) só de pensar que esse poema não tem valor nenhum. Rasgo o poema e atiro para o caixote do lixo; escrever palavras secas não faz sentido. O meu problema é quando o poema sai e não tem sabor, está frio...  Por isso, não consigo fechar um poema no imediato. Faço uma revisão e volto a escrever o mesmo poema, com outro sentido, com outras palavras. É um quadrado fechado diferente do original.



SG: Os seus Poemas favoritos (dos outros, aqueles que não escreveu)?

LF: Os meus poetas favoritos são os meus amigos. Para mim, faz mais sentido ler a poesia dos meus amigos, uma vez que vou aos seus eventos e partilho com eles esses momentos. Todavia, admiro bastante, Mia Couto, José Luís Peixoto,  Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Pablo Neruda. Florbela Espanca e Manuel António Pina.




SG: Agora uma pergunta “verdadeiramente descabida”: Hoje não?...

LF: Hoje espero que o Benfica não perca com o Braga (risos). Agora uma resposta mais séria. Hoje não? Sinceramente não sei se aquilo que escrevo tem assim tanto impacto nas pessoas.
Será sempre poesia?


SG: Depois de tantas outras palavras em silêncios escritas, o meu sincero Obrigado pelo tempo no qual fizemos sombra. Aqui fica um poema do Poeta Luís Ferreira.

Longe

Longe,
Tão longe e ninguém...
Esvaziando o espaço
Onde as lágrimas
Deslizam até à foz.
Há muito...
Que os pássaros já não voam,
Nada existe,
Nem os nomes,
Secando palavras
Quando os dias acabam.
Sem alma,
Equívoca sombra,
Que fecha as pálpebras,
Esperando que os relógios,
Despertem...

“Longe”, in “ O céu também tem degraus” de Luís Ferreira.

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