segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Peter Murphy - Concerto em Lisboa - 02-10-2011



a Peter Murphy (Ulissipo, 2ª lua de Outubro negro, ano 11)



descalço, de voz sem igual,
a mesma pose imponente de sempre,
animal de pó de palco nocturno no adejar de braços que já foram asas
do tempo das capas negras
e dos vampiros em vermelho fragmentado quase água forte


"Bella Lugosi's Dead" 


o momento que já não volta mas que nunca se esquece,
como as  coisas boas que aprendemos e não subtraímos o seu sabor

"Silent Hedges”
o palco cheio, o anfiteatro cheio, e eu, por instantes, num escafandro corporal vazio, sem pinga de sangue,
a minha voz sem fala, a minha alma sem dor (pelo menos daquelas)

“She’s in parties”



“All I ever wanted was everything" 
com a estranha sensação que já estive ali,
naquele mesmo sítio,
que já vivi aqueles momentos
talvez numa outra vida dentro deste invólucro invisível

“Hurt”
foi uma noite onde se celebrou o regresso das coisas cá de dentro;
uma noite em tudo diferente de tantas outras
onde o fluxo sanguíneo foi invertido pelo mecanismo cardíaco das palavras novas,
memorial de sentimentos divergentes, cambiantes originais, matérias primordiais e memória.

“The Prince And Old Lady Shade”




“All Night Long”
isto porque...
nunca voltamos ao mesmo sitio e sentimos as mesmas coisas de forma igual;

“Cuts You up”


sentimos-nos diferentes,
como um livro que redescobrimos que não tem pontos finais,
quanto mais não seja, uma virgula de fala embargada,
e lemos o que fomos um dia:
aquilo que não voltaremos a ser, recordamos apenas,

a calda quente de uma noite em assobio lunar
vertigem, saudade, amor e fogo que não queima os dedos,

E no final, uma canção que não pertence a esta vida,
mas a outras vidas dentro e fora desta.

“Strange Kind Of Love”


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