quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ciclo de entrevistas - Café Poema com Branca Rodrigues



Devagar...  Vamos dar início a um ciclo de pequenas entrevistas  com os artistas que assistem ao Café Poema no Cappuccinos Coffee Shop em Carcavelos.


A nossa primeira convidada é Branca Rodrigues, pintora e frequentadora assídua da nossa tertúlia e com uma exposição de pintura patente no Tea Lounge na Parede.


Entrevista com Branca Rodrigues, em 4 perguntas:
 
SG: Para si, como nasceu o gosto pela pintura?

BR: Já veio comigo desde pequenina. Aos sete anos fiquei fascinada com a revista “ Fagulha” e o "Cavaleiro Andante". Lá em casa, todas as revistas que eu apanhada, era o suficiente para ir ver logo as ilustrações, e era isso que gostava mais. Nos livros, as ilustrações Conde Monte Cristo tornaram-se marcantes. Tal como as histórias do meu pai sobre bruxas e o lobisomens. Gostei muito de geometria, que o meu irmão estudava, era o rigor. E visitava os Oleiros ( havia 9 nove em Árgea, concelho de Torres Novas distrito de Santarém) e fascinava-me com os desenhos que eram feitos. E até ajudava...
Sempre gostei de desenhar. A minha primeira exposição de pintura foi no clube Naval em 2001.

SG: Onde se inspira?

BR. A minha pintura é uma viagem.
É o que me vem à cabeça ( ou de outro lado qualquer) e vou-me lembrando das coisas que acontecem durante essa viagem; começo a pintar os sítios, às acções, às emoções, recordações e as sensações. O meu o trabalho não é auto-biográfico, é antes, movimento gestual expressivo . Uma viagem até à praia é inspirador. Já pintei na rua. No meio de muita confusão fico concentrada. Dá-me liberdade de pensar. É um gesto rápido, uma pincelada de cor, e no fim fica bem...
 
 SG: Pintores que mais admira?

BR: O meu primeiro contacto com Pablo Picasso foi marcante. Tal como a vida dele e a maneira como ele via a arte. O tamanho da Guernica fascinou-me. Em El Greco, identifico-me muito com a linha das figuras no expressivo movimento das mãos. No caso dos portugueses, gosto muito do Pomar e do Júlio Resende.
 
SG: E a Poesia?

BR: Gosto de poesia porque tem muito movimento e ritmo... O meu poema favorito é do Cesário Verde o “piquenique de burguesas” e claro o "Livro do Desassossego" do Fernando Pessoa.

Então, para Branca Rodrigues, aqui fica:

DE TARDE

Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde (1855-1886)

1 comentário:

  1. 1-gostei muito deste poema tão colorido.Francisco
    2-lá estarei na 6ªf para apreciar a luta de poemos e de poemas .Branca

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