segunda-feira, 26 de junho de 2023
Um estorninho que veio comer à mão
terça-feira, 13 de junho de 2023
Pazada
oiço a pá a rasgar o saibro;
som cheio, arenoso,
sincopado e nervoso
ritmo quase fúnebre.
ao lado, o canto harmonioso
da trepadeira ao subir a árvore,
ave de cabeça para baixo e bico agulha,
minuciosa cata insecto e costura
o bichinho penado assiste ao trabalhador,
obra ao sol sem feriado ou clemência,
a ferir a terra que o pariu.
terça-feira, 6 de junho de 2023
O incansável cansaço
São corredores infindáveis
para chegar às batas brancas,
que nos alinham em nuvens de fé,
num telegráfico e ambicioso receituário.
- o médico disse que as análises estavam boas...
o passo faz-se curto pelo chão gasto dos hospitais,
Tu minha Mãe cada vez mais cansada do depois,
sempre que sobes os degraus do nosso canto
e repousas no sofá à espera do fôlego sem hora,
- a nossa rua é a mais bela mas a nossa árvore tem pouca folha.
Tu minha Mãe - mulher única e triunfal!
quando o meu mundo é a ciência do teu sorriso,
ficarás sempre nestes dias por preencher.
segunda-feira, 10 de abril de 2023
O murmúrio da baleia-corcunda e os peixes coloridos.
domingo, 9 de abril de 2023
Aranha saltadora Evarcha jucunda
Para mim, é sempre proveitoso apanhar vento na cara depois de nos anestesiarem a boca. Na vinda do dentista decidi visitar uma ribeira em Carcavelos para espairecer e observar a chegada da primavera por estas paragens. Aproveitei para caminhar e para pensar em tudo menos em dores, seringas e doenças. Observei a ressurgimento das flores e as cores que embelezam os poucos locais que não foram ceifados como medida preventiva dos incêndios. Aqui em Carcavelos não há muito para arder mas há muita construção que dizima as poucas zonas de vegetação silvestre. Reparei nas flores primaveris e entre elas a erva-da-inveja ou as pervincas (Vinca difformis) que se distribuíam abundamente junto à sombra da ribeira.
Agachei-me para tirar uma fotografia e algo saltou. De mais perto constatei que era uma pequena aranha saltadora. Tentei um registo com com o telemóvel mas o bicho voltou a pular e desapareceu no meio das ervas. Quando mexi o pé reparei noutra aranha saltadora mais escura que sem medo fitou-me com os seus oito olhos. Arrisquei mais uma foto que ficou uma desgraça. Levantei-me e deixei no local um pauzinho a marcar o sítio da observação. No outro dia de manhã, antes de ir trabalhar, dirigi-me ao local; já sem anestesia e com força e vontade renovadas. Com a minha máquina fotográfica e uma lente de macro estava preparado para arriscar a sorte. E lá estava o macho não muito longe do local inicial onde o tinha encontrado. O bicho estava calmo e só ergueu uma pata quando afastei suavemente uma ervinha que estava à frente do foco. Afastei-me e montei o tripé junto ao chão para depois fotografar a aranha-saltadora (Evarcha jucunda), esquecendo-me das dores que renovavam estes dias de abril. A aranha saltou para detrás das ervas-da-inveja, onde estava outra aranha escondida. O meu tempo tinha passado, entendi o sinal e arranquei dali para fora, esquecendo por momentos, as dores monetárias e físicas de cada ida ao dentista.
sexta-feira, 7 de abril de 2023
A sala
na tua sala repousa
uma asa caída de todos nós,
já a janela virada a norte,
espera que te voltes a debruçar
em busca das escamas de sol.
a corrente de ar matinal
anima as fotografias insolúveis
ao pó do tempo;
esta sala de luz forte em tijoleira vermelha,
foi o altar da mulher que ainda te ama,
ao lavar-te os pés, fizesse fé ou falta.
por esta dimensão...
escasseiam manhãs simples,
em que as sopas de café
abriam o apetite
da porta da rua...
roda viva.
quarta-feira, 22 de março de 2023
Domingo magro
um homem cai num jardim cheio de
domingo,
ninguém repara, a felicidade
estoura balões,
as crianças riem, os pais
seguram o sol,
cicatrizando medos na pele
familiar.
o homem levanta-se com a
dignidade solitária
de quem não se importa com as
calças mictadas
ou com a fome que lhe seca a
casca do corpo,
sorri, procura a sombra entre
pinheiros.
o domingo está prestes a findar,
as crianças desaparecem com os
progenitores
engolidos nas filas de carros que falam sozinhos,
familias recolhem exaustas às
colmeias.
o homem de calças com manchas de
urina
e camisa com nódoas de sangue
ou vinho,
não deixa o domingo eclipsar-se
nem o jardim fechar,
sem antes esquecer-se de um qualquer poema;
numa noite a fazer-se de abrigo.
Descobrir Dublin em 3248 minutos
Lisboa 5:20 - Aeroporto de Lisboa um formigueiro de vidas apressadas. Após duas horas e meia de voo, saímos do aeroporto e já escutava um ...
-
E assim dei por terminada a leitura destas páginas que me inquietaram durante mais de um ano. Debaixo do braço ou na mochila, transport...
-
Lisboa 5:20 - Aeroporto de Lisboa um formigueiro de vidas apressadas. Após duas horas e meia de voo, saímos do aeroporto e já escutava um ...
-
Em Junho deste ano, quando estava a gravar a entrevista para a reportagem da Sic sobre o Parque Florestal de Monsanto , perguntaram-s...