quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O isolamento






[E o que dizias?]

é tão bom não dizer nada,
deixar o horizonte transformar-se
num verbo abstrato para qual não tenho nome,
como não tenho nome para o meu amor;
apenas queimo fósforos para acender
qualquer átomo da memória
onde reside a curva do teu lume
e os lampejos daquela partida.

[Agora que não estás aqui]

passo a mão pela casca do sobreiro
que cresceu depois do teu incêndio
e sinto a urgência da falta e a sua raiz; 
a revolta dos sonhos e dos amores saudáveis
seria inverter as regras com que se rege a chuva
mas em todas as direções oiço o canto dos pássaros
e isso faz-me lembrar a sílaba tónica do teu nome.

[E o que esperas de mim?]

espero que tudo seja tão ou mais silencioso
como o encostar  mortiço desta porta
ou o crescer desta árvore rumo ao sul.

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