sábado, 8 de setembro de 2012

Moinhos







Lembro-me do nosso encontro secreto.

tu, a sorrir, deitada na colina de Sant'ana de que se fala cidade mulher,
nua de impérios ou de qualquer faiança de pele branca;
sem saber o que fazer com todos os moinhos de vento que um dia
trouxera da Holanda para te oferecer.

muito simples, como só tu consegues ser, tão simplesmente assim,
sopraste para longe as sílabas do amor
e as asas do moinho deram alma à mó
moeram o grau de tempo que se escreve,
sempre ao contrário do desejo imediato.

os moinhos cresceram pela cidade secreta do teu corpo 
e como tudo o que se esconde um dia acaba por cair,
eu fui à minha vida e tu foste à tua sorte
muito simples, como só nós conseguimos ser, tão fanaticamente assim,

mas os moinhos lá ficaram nas colinas de outras mulheres feitas cidade
e moeram a paciência aos filhos da fome dos outros,
da solidão, da alma, do silêncio, da calma, do grito, da cama, da fala dos outros
mas ainda hoje guardo esta maresia que me adormece e alimenta.

em noites que são minhas órfãs de pele.


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