sexta-feira, 13 de abril de 2012

O sonho e a semente




Com o sol a pique e em contra luz
Ella escavava um pequeno buraco na terra
no húmus remexido colocou um punhado de pequenas sementes,
ficando com algumas bagas nas mãos das quais pediu um desejo.

Nesse instante as bagas tornaram-se transparentes
e germinaram na ponta dos seus dedos,
e dos dedos das mãos a transparência evoluiu até aos braços,
e dos braços subiu pelo corpo como uma dor da qual se desconhece a origem
mas deseja-se passageira,
mesmo assim, Ella ficou tão transparente quanto feliz. 
 
Tapou o cultivo com o mesmo preceito e carinho de quem cuida de um filho
e esperou pelas nuvens carregadas de chuva promissora;
os dias que passava no campo evoluíam na candura de pequenos hortos rápidos
e cada vez que enterrava as mãos na terra surgia um remoinho
do qual a natureza fazia cumprir o tempo de forma estranhamente célere:
as sementes na terra medravam, as flores floriam, os frutos maduravam;
em 4 horas ocorreram as 4 estações do ano num bailado luminoso.
 
Depois começou a chover sem que houvesse uma só nuvem no céu
onde Ella pudesse esconder mais do que uma palavra ou um suspiro.


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