Por uma questão de honra anfíbia:
nunca ficamos no parapeito da janela mais do que dez minutos,
sorvemos as novidades dos desorientados insectos mensageiros
e submergimos logo a seguir nos ecos verdes que se propagam na água;
às vezes somos tentados a sair para outro reposteiro mais soalheiro,
mas não é mesma coisa, nada se compara com o nosso charco.
por isso, fazemos fé nos pulos que o mundo dá para não saltar daqui para fora.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Andorinha-das-chaminés
A rapidez com que dizes primavera
é a mesma com que cortas as correntes de ar,
e as flores deixam de ser flores e passam a ser perfume,
quando o azul nasce todos os dias no caule do sol,
com a mesma rapidez com que dizes Setembro.
é a mesma com que cortas as correntes de ar,
e as flores deixam de ser flores e passam a ser perfume,
quando o azul nasce todos os dias no caule do sol,
com a mesma rapidez com que dizes Setembro.
Chapim-azul
De cabeça para baixo tu dizias que:
o mundo estava de pernas para o ar.
eu concordava; na expectativa de te ver desenhar uma cambalhota acrobática,
roendo-me de inveja pelo teu malabarismo que conferia aos optimistas
uma outra visão, só ao alcance daqueles que buscam o cume da fragilidade
transformando-a na maior das virtudes: um canto de esperança.
o mundo estava de pernas para o ar.
eu concordava; na expectativa de te ver desenhar uma cambalhota acrobática,
roendo-me de inveja pelo teu malabarismo que conferia aos optimistas
uma outra visão, só ao alcance daqueles que buscam o cume da fragilidade
transformando-a na maior das virtudes: um canto de esperança.
Vespa-do-papel
E da dor que um dia foi ferida aberta ao sol
a picada do insecto de papel fez capturar o cupido
na teia de âmbar que vive para além luz crepuscular,
e quando se queria libertar das asas dos ventos idos,
apenas restou arma afiada da saudade
que na têmpera do tempo foi apenas
ínfimo milímetro do que poderia ter sido .
a picada do insecto de papel fez capturar o cupido
na teia de âmbar que vive para além luz crepuscular,
e quando se queria libertar das asas dos ventos idos,
apenas restou arma afiada da saudade
que na têmpera do tempo foi apenas
ínfimo milímetro do que poderia ter sido .
Joaninha-amarela
No teu dorso amarelo salpicado por pintas negras,
imagino o requinte da joalharia que inunda os olhos
dos fabricantes de sonhos e outros dissimuladores virtuais;
como desejaríamos andar enfeitados por insectos vivos de luz!
no colarinho da camisa, na gravata aperaltada,
ou na língua bifurcada por um piercing insectívoro;
mais tarde e talvez mais satisfeitos...
sentiríamos que a linguagem da dor,
proferida pelas alfinetadas ao rasgar o melindre da pele,
são o único sabor que a realidade nos oferece.
domingo, 7 de agosto de 2011
Poema Colectivo - 29-07-11- Anti-crise
Meus Amigos,
as vossas palavras num poema colectivo "quasi" bilingue.
É agora ou nunca: temos a oportunidade para acontecer
Je crois que dans le ciel il ya une fleur d'espoir
Talvez com menos ganancia e um pouco mais de amor
Ajuda-me que eu preciso dá-me sempre a tua mão
não fiques indeciso porque eu de ti preciso
Crise tempo de crescimento
tempo para reinventar a alegria e o abraço
meu amor, o mar...
o tempo que faz lá fora é o calor que temos cá dentro
A crise serve de desculpa para o que corre mal
mas nesta fase de transição vou deixar a palavra crise
e troco-a por uma esperança
pois a vida é composta por mudança
já dizia o poeta...
Correu-mal as provas de aferição
e para resolver isso tenho que estudar mais
e ter atenção às aulas
Mas continuamos vivos!
Agradecimentos:
a todos os que apareceram
aos que desapareceram
aos que escreveram
a todos os de coragem
aos outros da outra margem
Amigos em noites de palavra e partilha
Ah....quase me esquecia
ao Rafael Melo pelo registo fotográfico "desfocado"
e à Manuela pelo Licor Beirão sem pedras de gelo.
as vossas palavras num poema colectivo "quasi" bilingue.
É agora ou nunca: temos a oportunidade para acontecer
Je crois que dans le ciel il ya une fleur d'espoir
Talvez com menos ganancia e um pouco mais de amor
Ajuda-me que eu preciso dá-me sempre a tua mão
não fiques indeciso porque eu de ti preciso
Crise tempo de crescimento
tempo para reinventar a alegria e o abraço
meu amor, o mar...
o tempo que faz lá fora é o calor que temos cá dentro
A crise serve de desculpa para o que corre mal
mas nesta fase de transição vou deixar a palavra crise
e troco-a por uma esperança
pois a vida é composta por mudança
já dizia o poeta...
Correu-mal as provas de aferição
e para resolver isso tenho que estudar mais
e ter atenção às aulas
Mas continuamos vivos!
Agradecimentos:
a todos os que apareceram
aos que desapareceram
aos que escreveram
a todos os de coragem
aos outros da outra margem
Amigos em noites de palavra e partilha
Ah....quase me esquecia
ao Rafael Melo pelo registo fotográfico "desfocado"
e à Manuela pelo Licor Beirão sem pedras de gelo.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Vila dos prazeres descalços
Na vila não se falava de outra coisa...
esta manhã a dona Aurora,
púdica confessa todos os dias, incluindo feriados e domingos,
mas capaz de violar o enteado leiteiro no meio de tanta fominha
deparou-se com um fenómeno estranho:
Vários tipos de calçado, suspensos pelos atacadores nos fios eléctricos baloiçavam ao vento como corpos dependurados,
para que conste: uns mokasans pretos nº36, uns sapatos-vela castanhos nº 42, e umas sapatilhas de ginástica nº 34
E não é que...
cem metros mais à frente, na rotunda, como quem vai para a drogaria do vinagreiro chunga
um casal de jovens em pelota, entretidos na degustação libinal,
marcavam no empedrado em preceito bem aprumado,
uma erótica acrobacia das quais projectavam sombras gigantes num relógio de sol em carne humana
numa alusão espíritos protagonistas do kamasutra
tal não era a composição sexual num acto perene sem desfecho à vista
Era bonito de se ver, tal labor e empenho na satisfação mútua,
a vila centrava-se num fio de baba a escorrer pela boca aberta dos seus habitantes
uns, montados em carros de bois, de velas nos faróis e pneus em câmara de ar remendada, badalavam chocalhos numa alegre romaria e chinfrineira,
enquanto outros, empoleiravam-se nas janelas batiam tachos e panelas numa algazarra endiabrada;
porém o casal mantinha-se na deles como se nada fosse,
entretidos por fazer cumprir o desejo em acto contínuo
Ora quando a Dona Aurora viu os jovens naqueles impróprios preparos no meio da rotunda em plena circulação diurna
veio de lá com a sua besta de estimação, uma esfregona vileda de última geração, daquelas que chegam aos sítios mais difíceis,
e toca de arrear a bom ritmo nos miúdos que ainda agora descobriam as valências da boca nos sexos e dos sexos nas bocas
Os jovens de tez branquinha e suada, com nódoas negras ficaram de tanta pancada
e com medo de apanhar ainda mais
lá se separaram da boda húmida que os unia
nesse precioso momento uma enorme descarga eléctrica fez-se ouvir
e começou a cair dos fios eléctricos todo o tipo de calçado que ali estava pendurado,
seguiu-se um clarão os jovens nus evaporaram-se
Há quem diga que o casal seriam Anjos dos 7 Pecados ou Demónios alados
opinião contrária teve a Dona Aurora que fez figura de tolinha
com a sua esfregona vileda no meio da rotunda
a esbracejar à maluca num preceito de ébrio policia sinaleiro
nada mais foi igual desde então e toda a população
em memória de tal aparato passou andar de pé descalço
Após esse dia a vila foi baptizada com um letreiro
no qual se podia ler:
" Vila dos prazeres em pés descalços, terra dos que fazem em público, aquilo que outros sussurram em privado”
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