domingo, 24 de abril de 2016

Em laboração contínua








Neste trabalho não se pode adiar uma segunda feira,
não há sábado, feriado ou festividade;
uma simples terça feira repete-se sete dias por semana,
sempre que a urgência incendiar a expectativa
assim segue a vida em contraciclo social.

Em laboração contínua de 8 oito horas de trabalho imediato,
o calendário é um mapa de minas esquecidas,
enquanto as nuvens movem-se ao contrário das efemérides,
o tempo é um bicho rápido que foge a sete pés dos afectos,
Porém  gosto do que faço!
porque nada do que me explode nas mãos
é suficiente para invejar quem dorme descansado.

Eu sei... e todas as famílias sabem:
das 09:00 às 17:00 o mundo é outro,
ficamos mais tempo no presente;
as cores, os cheiros, o transito das sombras espectrais é lento
depois, ao domingo, é ver famílias inteiras a passear pelos reptilários sociais
enquanto eu desenterro recordações em anomalias orbitais
em transmissões digitais de "zeros" e "uns".
como eu, existe tanta gente que não dorme de noite:
bombeiros, enfermeiros, médicos, policias, taxistas e artistas
e porque a falha não escolhe hora nem local,
também temos ladrões e vigaristas.

Aqui estou eu às 04 da manhã como se fossem 04 da tarde,
orgulhoso representante de uma nova espécie humana-radar
de olhos esbugalhados orelhas proeminentes e mãos tentaculares
capaz de “morcegar”, “toupeirar” ou "felinar"...
pelos recantos deste labirinto à prova de míssil, terremoto ou fogo,
sem que me faltem interruptores para desligar.



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