quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

The meeting between Alfred Hitchcock and Edgar Allan Poe

Entre Allan e Alfred não havia assim tantas diferenças.
O mistério, o terror, o lado negro das palavras
serviam de pele aos dois homens que decidiram interromper a morte
e reaparecer...
Naquela noite Alfred e Allan estavam prontos para o duelo final
longe da cidade, numa clareira assustadora,
onde as árvores mortas eram estátuas de decapitados baloiçando os seus braços ao vento,
os corvídeos rondavam em círculos à espera do primeiro corpo a tombar,
enquanto os gatos negros esperavam pelo desfecho da história para se banquetear.

Eles sabiam que aquilo tinha que terminar,
e por isso decidiram marcar um duelo para por fim à especulação a ao mistério
que envolvia a obra das suas vidas depois das páginas de tantas mortes;
sem mestre de cerimónias nem padrinho de outras sortes
marcaram data e tiveram como armas a especial oferenda de Buffalo Bill:
duas espingardas “Lucretia Borgia” brilhavam prestas a sangrar a primavera.

Allan e Alfred estavam prontos para morrer uma segunda vez.
Mas desta feita tinha que haver um vencedor.
É verdade, entre eles não havia tantas diferenças assim ou má rés
contudo, mal ao bem, não podiam perpetuar que a culpa tivesse um sucessor

A duzentos pés de distancia os homens apontaram as armas um ao outro
Depois ao primeiro piar do corvo ouviu-se dois tiros das bocas de fogo
E por entre a névoa desapareceram os dois amigos abraçados num dialogo que versa assim:

- Com o que anda para aí, se fosse hoje.... não tinha medo de nada.
- Do medo meu irmão... resta a chave com que fechas os teus olhos à noitinha!

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