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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Ferramentas para que te quero... Tool em Lisboa


Passados 13 anos vamos lá abrir a caixa das ferramentas para desconstruir umas ideias.
Um amigo disse-me uma vez " a música dos Tool não explode, está num constante crescendo, promete, promete, mas nunca rebenta a bolha". Perante tais palavras, sorri, compreendendo um certo desconforto musical. Aprendi com a vida que em determinadas ocasiões não se deve discutir, futebol, política ou gostos musicais e neste caso estávamos na antevéspera de concerto destes californianos em 2006.   Antes disso, em 2000, conheci a banda A Perfect Circle e o génio de Maynard,  um ano depois por intermédio de uma amiga fui iniciado nos ministérios dos Tool ao emprestar-me a discografia da banda. Realmente esta é uma daquelas bandas  que se ama ou então abandona-se ao esquecimento.  Inicialmente, o que mais cativou foi o som não se parecer com nada que conhecesse, até mesmo com os projectos paralelos do vocalista Maynard (A Perfect Circle, Puscifer).
Musicalmente as composições dos Tool vagueiam entre o do rock progressivo com alguns laivos de psicadelismo industrial ao apresentar momentos de extraordinária elaboração em contratempos e reviravoltas mecânicas como se grandes blocos de uma parede maciça se movessem numa cadência aleatória. Seque-se a componente de vídeo e visualmente somos confrontados com o imaginário de estranhos seres que habitam um sonho futurista e que nos levam a abrir estranhas entranhas multidimensionais.
Adjetivando à  bruta - no dia 2 de julho de 2019  assisti a um espetáculo inesquecível e quase místico, um ritual de contemplação sonora e visual. Foi um dos melhores concertos dos Tool que que tive o privilégio de presenciar e já lá vão 3.  Sentado numa cadeirinha, mas não durante muito tempo, porque mal o concerto começou, os que estavam resfaltados levantara-se para melhor assistirem e participarem à sua maneira no culto de ferramentas hipnóticas que por ali já devastava a plateia rendida. Os meus pés aguentaram um par de horas a marcar uma cadência rítmica e desafiante e não me queixo. Nunca!

Não vou dizer os Tool são  excelentes músicos, muito menos que o pavilhão estava à pinha com 20.000 almas, porque isso vocês já sabem. O que nunca tinha visto foi um intervalo cronometrado ao segundo num ecrã gigante para depois a banda voltar e anunciar a data de lançamento do seu novo trabalho. O concerto principiou com o tema Ænema seguindo-se The Pot, no meio foi-nos dado a conhecer Descending' e Invincible  dois temas do novo álbum a lançar a 30 de agosto, depois seguiram-se outros momentos da carreira dos Tool, terminando o ritual com duas picadas de agulhas analgésicas Vicarious e Stinkfist, tudo isto acompanhado por uma massagem sensorial com recurso a laser de hipnótica cadência.

Foi há 13 anos que vi os Tool pela última vez neste mesmo local. Todos estamos diferentes. A vida  moldou-nos com os seus enganos e sonhos desfeitos. Passado tanto tempo ainda sabemos o que nos faz falta -  momentos como este.

Agradeço ao Sr, Maynard e aos seus companheiros de ferramenteiros o momento proporcionado, tal como o facto de nos concederam o direito a fotografar com o telemóvel o último tema do concerto, coisa que de outra forma não teria sido possível...





Até à próxima Tool!



domingo, 15 de julho de 2018

Sexta-feira 13 com os Queens Of The Stone Age, The National e tanta sorte




Talvez por isso... não seja capaz de passar um dia sem música. Ainda agora, enquanto escrevo, dos auscultadores emana uma melodia calma, uma companhia musical que me segreda ao ouvido estas palavras e outras intenções. Talvez por isso... A música seja para mim um alimento emotivo sem o qual não consigo tolerar a sagração dos dias. Creio que... pela música não haja bandeiras, fronteiras, ou divisões e quando tentam compartimentar o que é indivisível, ela musicalmente prova que é um corpo só. A pulsão que nos faz ir, que nos completa e satisfaz, ao mesmo tempo que clama por mais. Dançante e inebriante, Um chamamento tantas vezes incoerente, dissonante mas também melódico, harmónico, pessoal e transmissível. Acredito na melodia dos astros e das estrelas, a pauta dos átomos e das células, o orquestral ribombar do universo. Talvez por isso... Sejamos todos (uns mais do que outros) musicais, afinados ou desafinados, tanto faz, tentando sobreviver a estes dias com uma melodia o mais agradável possível. 

Da música vem um paladar, um sabor especial que se discute e se materializa no dia do concerto, na hora da actuação - a verdade bem à frente dos olhos. Vibrámos e pulamos com a coração a saltar pela boca e o sangue a correr pelos membros que desconcertados tentam se soltar do corpo, fazendo dançar a alma. Talvez por isso, preciso deste remédio para tolerar tudo o resto e como eu...

Por estes dias, habitantes de uma improvável torre de babel espraiavam-se pelo  passeio marítimo de Algés para assistir ao Nós Alive ´18. Gente de todos os "cantos" do mundo reunidos pela musicalidade dos afectos, na busca daquela preciosidade emotiva que tanta falta lhe faz. Musica-me por favor!

Ah e como queria muito assistir a um concerto dos Queens Of The Stone Age!!!!....  por isso comprei o bilhete para a sexta-feira 13, uma supersticiosa conspiração de sorte e momento. 

Quando cheguei ao recinto percorri os cantinhos em busca de novidades. Gostei muito do saudoso coreto, calcorreei a calçada portuguesa com edifícios lusitanos, espreitei os vários palcos, encontrei de tudo um pouco, desde o punk ao fado, numa combinação e romaria perfeita. Disse olá e recebi saudações em vários idiomas e sorrisos e por ali andei até os pés me doerem. O primeiro concerto que assisti foi o dos Black Rebel Motorcycle Club do qual apreciei a onda "noisy" e psicadélica (Whatever Happened to My Rock and Roll)




Estava à frente do palco quando começou o concerto dos The National (quase tugas com15 concertos por cá) - e que concerto. Estes nossos amigos foram do silêncio à impulsão sónica de uma forma maleável, sabendo dosear as emoções. Tocaram no coração da audiência (About Today e Terrible Love) como fossem  a própria audiência, misturam-se no exorcismo colectivo (Bloodbuzz Ohio), falaram do medo, da perda, da insondável falta das coisas boas desta vida de uma forma simples e poética.



Depois vieram os Queens Of The Stone Age e com eles um tremor de terra sonoro, uma descarga de energia suficiente para esquecer, por momentos, qualquer dor ou tormenta e para nos renovar de energia e de mundo sonoro. A música apresentada por estes senhores do rock não é simples, nem pode ser. Por vezes, a formula apresentada é rude, agressiva mas também sexy e cheia de experiências bem sucedidas e incursões dançantes (If I Had a Tail) por outros paralelos (Make It Wit Chu). A música é assim, e por isso nos faz bem (até aos calos). Foi uma hora e meia repleta de agulhas sonoras (A Song for the Dead e My God Is the Sun) espetadas nas orelhas numa onda de prazer e abandono. Metáforas (sofríveis) à parte - Foi um concerto muito bom. Tanto mais, foi por eles que decidi desafiar uma sexta-feira 13 e sair de casa, passar por debaixo de uma escada e cruzar-me com um adorável gato preto. 




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Peter Murphy volta a Lisboa para tocar Bauhaus

Foi uma noite única. 
Às vezes sabe bem gritar, ficar rouco, com dores nas pernas e nas costas; só assim ganhamos a certeza que os anos passam (20 para aí) e que ainda temos algumas histórias para contar. 

Foi há mais de vinte anos que ouvi "BELA LUGOSI'S DEAD"pela primeira vez. Foi à tanto tempo que parece que foi ontem... e foi. Foi ontem que ouvi Peter Murphy a cantar com uma voz tão poderosa como nunca. Com uma presença em palco como o palco fosse ele. Onde desfilaram canções cheias de memória. Depois veio a saudade, nome que se veste de preto e embarga a voz. O concerto acabou com uma versão de "Transmision" dos Joy Division. O motivo pela qual Peter Murphy escolheu um tema de uma banda de culto para fechar uma noite de culto aos Bauhaus não sei, mas soube tão bem... 
Que venham outros... 
Vinte.











domingo, 15 de julho de 2012

Optimus Alive 2012 - O dia da Cura -


The Cure

 

há coisas que só o tempo explica e por vezes complica. há canções que nos marcam na pele, como se fosse uma cicatriz indelével e intemporal, algo que está lá, não se vê, mas quando ouvimos um acorde daquela canção acorda a ferida voraz de emoções, às vezes doí, outras vezes não, passamos as mãos pela pele e sentimos que aquele momento foi só nosso. depois de duas horas de cura, perdemos vinte anos e vinte rugas e outras dores. 

e isto só foi possível porque os rapazes não choram quando ouvem canções de embalar.

  
Awolnation




se houvesse mais...
gostei do "Sail "(música que actualmente têm que gramar quando ligam para o meu telemóvel) fez-me lembrar muita coisa, não vou dizer o quê porque não gosto de comparar musicalmente o que é geneticamente incomparável, gostei da energia do homem e da maneira como arrebatou a plateia e moldou o rock de músculo com um toque suave de pop.

como eles dizem, fazem música para todos gostos e para todas as nações, querem lá saber dos rótulos, e muito bem.


Tricky


foi curioso de ver estilo do homem, doseando o culto do corpo (suponho que era vinho e tabaco) com a postura de provocação genital. mas afinal estava enganado, não foi nada disto...
porque o mesmo actor que de língua de fora ameaçava a plateia com um voz sussurrante e provocadora, convidou humildemente a mesma a subir para o palco (ao som de uma versão de "Ace of Spades", dos Mötörhead)

e veio a invasão de palco, o público junto com os músicos, no mesmo patamar de altura e de contemplação, assim é que devia de ser, de vez em quando. fazia falta.

sábado, 16 de junho de 2012

Mars Volta & Le Butcherettes - Lisboa - 14-06-2012

 

Não estava cheio. Bem composto, por um público variado, tanto nas idades como na indumentária genérica, assim se engalanou o Coliseu dos Recreios para receber os Mars Volta, dita por muitos como a melhor banda de rock progressivo da actualidade.

Mas para mim, quem realmente encantou (admito, tão modesta como tendenciosa opinião masculina) foi a menina Teri Gender Bender (animal de palco, de tantas caras e vozes quanto o diabo e o anjo permite) assim foi a vocalista dos Le Butcherettes, banda que abriu a noite e fechou os olhos da mesma.


O experimentalismo, a revolta e a paixão, do trio aqueceram os ânimos. Talvez deixe cair o estereótipo punk e prefira a força de 3 almas num palco que foi pequeno para tanta energia e talento.

Quanto aos Mars Volta, uma viagem espacial por entre perfeição musical, onde tudo parece tão simples como complexo, às vezes idílico.

 
Cedric Bixler-Zavala, excelente vocalista; desculpem-me os fãs tamanha comparação, mas este senhor fez-me lembrar, (salvaguardando as devidas distâncias da farta carapinha e com toda a carga simbólica e respeito) o Grande Herman José com o seu Serafim Saudade nas suas energéticas coreografias dos finais dos anos 80.

 

De resto, passou-se uma boa noite sem direito àquela repetição dos previsíveis "encore", e ainda bem... confesso que já me doía a imaginação.



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Não vi a sombra de Mark Lanegan


Naquela noite não vi a sombra de Mark Lanegan. Por isso, quando as palavras são demais e só atrapalham...  Que impere a fala da alma na canção.

Assim foi.
Mark Lanegan permaneceu distante, tímido, contudo ante a ausência da cor propriamente dita dos afectos, sobressaiu a supremacia do dom e do génio. Brilhante.

Lisboa assistiu a um concerto único de uma das vozes mais carismáticas da América.
O homem alto, trajado de negro, pose contemplativa do horizonte mais distante, de voz poderosa num apelo às sensações de igual forma intensas. Ao mesmo tempo que a alma que dava voz ao palco invocava fantasmas, estes não passavam de meros acasos para homens que não precisam da sombra para nada. Mark Lanegan é um deles.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Peter Murphy - Concerto em Lisboa - 02-10-2011



a Peter Murphy (Ulissipo, 2ª lua de Outubro negro, ano 11)



descalço, de voz sem igual,
a mesma pose imponente de sempre,
animal de pó de palco nocturno no adejar de braços que já foram asas
do tempo das capas negras
e dos vampiros em vermelho fragmentado quase água forte


"Bella Lugosi's Dead" 


o momento que já não volta mas que nunca se esquece,
como as  coisas boas que aprendemos e não subtraímos o seu sabor

"Silent Hedges”
o palco cheio, o anfiteatro cheio, e eu, por instantes, num escafandro corporal vazio, sem pinga de sangue,
a minha voz sem fala, a minha alma sem dor (pelo menos daquelas)

“She’s in parties”



“All I ever wanted was everything" 
com a estranha sensação que já estive ali,
naquele mesmo sítio,
que já vivi aqueles momentos
talvez numa outra vida dentro deste invólucro invisível

“Hurt”
foi uma noite onde se celebrou o regresso das coisas cá de dentro;
uma noite em tudo diferente de tantas outras
onde o fluxo sanguíneo foi invertido pelo mecanismo cardíaco das palavras novas,
memorial de sentimentos divergentes, cambiantes originais, matérias primordiais e memória.

“The Prince And Old Lady Shade”




“All Night Long”
isto porque...
nunca voltamos ao mesmo sitio e sentimos as mesmas coisas de forma igual;

“Cuts You up”


sentimos-nos diferentes,
como um livro que redescobrimos que não tem pontos finais,
quanto mais não seja, uma virgula de fala embargada,
e lemos o que fomos um dia:
aquilo que não voltaremos a ser, recordamos apenas,

a calda quente de uma noite em assobio lunar
vertigem, saudade, amor e fogo que não queima os dedos,

E no final, uma canção que não pertence a esta vida,
mas a outras vidas dentro e fora desta.

“Strange Kind Of Love”


sexta-feira, 27 de maio de 2011

The National ao vivo e a cores no Campo Pequeno

Eu estive lá.
mas por instantes fracionados numa dimensão paralela
habitei outro lugar e não me apetecia nada voltar
nem a teoria das cordas ou dos multiversos me valeram
de resto, fechar os olhos nem sempre foi um bom refugio.



 

Nunca uma sala foi tão pequena para se ouvir a calda ébria de uma voz sem dono

de copo na mão o espírito do vinho ecoou na ronquidão da alma
numa canção que repetia o refrão "eu tenho medo de toda a gente"
depois de se escreverem canções de raiva e amor (vai dar tudo ao mesmo)
uma hora não chegou para beber uma lágrima de ressaca
pior foi regressar mas sempre foi assim.


 

Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...