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quarta-feira, 18 de março de 2026

A calma do leopardo e a minha taquicardia

Desde sempre que aprecio o modo de vida dos felinos. Um dos momentos altos da minha paixão pela vida selvagem talvez tenha sido observar um leopardo a surgir do cenário de savana africana que o camuflava perfeitamente. Com a calma de quem põe e dispõe da lei do mais forte, o leopardo avançou na nossa direção sem ter receio ou vergonha. Estava abstraído pelo silêncio dos seus passos, quiçá a pensar no que seria o almoço. Com a indiferença selvagem de ser dono do relógio de predador e que a qualquer momento tudo pode acontecer, e ele, mais uma vez, seja declarado vencedor. O tempo quente daquela manhã de maio, em Samburu, no Quênia, fazia com que grande parte dos animais procurasse alimento às primeiras horas do dia. O leopardo sabia que nós íamos passar por aqueles caminhos pejados de arbustos despenteados por aves inquietas. Nós nem sonhávamos que o mato rasteiro também podia morder de beleza e harmonia. O jipe fazia barulho e o grande gato já o ouvia a quilômetros. O leopardo sentia a música da nossa linguagem, o arpejo do nosso cheiro. Saboreava a nossa ansiedade que se liquefazia pelos poros da pele. O nosso suor era um marcador de fraqueza, o alvoroço cardíaco que nos desnorteava. Os felinos sabem que os humanos passam e eles continuam. Calmamente, tão seguro quanto sarapintado, como magia africana, ele fundia-se nos arbustos e voltava a aparecer mais elegante que nunca. Que animal! Repeti para comigo: não esperava que fosse assim. Único! Estava tão nervoso que o vídeo e as fotos que se seguem ganharam uma assinatura de tremeliques. Os meus amigos enalteciam em surdina a beleza do felino. O calor queimava as palavras, porque o leopardo já não se comove com tantos adjectivos e considerações. Só anos mais tarde, digeri a dimensão deste momento. Sabem de uma coisa? Este foi aquele instante em que nos mordemos, arranhamos, e nem o sangue nos faz acreditar no que a memória cavou bem fundo. O leopardo deixou-me perdido nesta terra de vermelho esperança.


As manchas na pelagem do leopardo, denominadas por rosetas, são únicas e servem para identificar cada indivíduo, tal como as nossas impressões digitais.

A visão noturna extremamente apurada que o transforma numa máquina de matar crepuscular. 

O leopardo-africano (Panthera pardus) é um animal que vive e caça sozinho, socializa apenas no decorrer do período de acasalamento e por vezes, durante o tempo as fêmeas cuidam das crias. 


Este leopardo é um carnívoro versátil que caça desde antílopes, macacos e até aves, roedores e artrópodes.


Este felino pode atingir 1,7 m a 2,3 m de comprimento (incluindo a cauda): Por sua vez, a cauda isolada mede entre 58 cm e 110 cm.


Os machos pesam entre 60 kg e 72 kg, embora indivíduos de grande porte possam atingir os 90 kg. Já as fêmeas atingem menores dimensões.


Este foi o filme possível. As filmagens tremidas não eram de medo, mas sim da complicada emoção de ter o coração a mil, enquanto o felino procurava uma sombra para refletir sobre tantos encontros adiados.







segunda-feira, 2 de março de 2026

Uma noite com as borboletas nocturnas do Quênia

 

Não foram muitas as noites em que saí para observar os insectos nocturnos do Quênia. Houve, no entanto, uma noite em que o cansaço não me chamava para a cama e decidi, antes de ir tomar banho, percorrer os caminhos do lodge. Isto porque um amigo tinha-me alertado para uma grande borboleta que estava pousada numa cabine desabitada. Eram 21:00 e os elefantes movimentavam-se do outro lado do rio, marcando o ritmo do coração de África. Os ecos dos lamentos dos leões pareciam aproximar-se como as insónias. Será que os predadores chegariam a atravessar o rio até às casas do alojamento turístico? Pouco provável. O bafo da noite colava-se à pele, tal como os insectos eram atraídos pela luz das coisas artificiais. Por entre arbustos, paredes e candeeiros, encontrei um micro mundo de antenas que sobrevivem de forma corajosa aos desafios da noite. Borboletas, moscas, mosquitos e louva-a-Deus que me guardem. 

























sábado, 16 de novembro de 2024

Raposa-orelhuda ou raposa-orelhas-de-morcego? Para mim raposa com orelhas de abano.



Ainda o sol  lavava o rosto com areia vermelha, já em Samburu, Quênia, o calor tornava-se impiedoso para todos os bichos. A sombra dos arbustos era um verdadeiro  achado no meio de uma vegetação rasteira. Não fossem as suas orelhas estrondosamente grandes, quase passava despercebida esta raposa-orelhuda Otocyon megalotis, quando passou por ela um jipe com humanos incautos. É uma pequena raposa com apenas 45 centímetros, incluindo a cauda, pesando cerca de 3 quilos, exibe as suas orelhas de abano com a função de termorregulação, distribuído o calor pelo corpo, servindo também de radar na localizando das suas presas. Eram 5 raposas e nós 5  espantalhos sortudos em cima de um tronco com 4 rodas.










segunda-feira, 31 de julho de 2023

Rolieiro-de-peito-lilás

Em diferentes momentos do dia, as cores e África refletidas no rolieiro-de-peito-lilás Coracias caudatus, sereno guardião das estradas do Quénia.











Em Samburu no Quénia, o rolieiro-de-peito-lilás (coracias caudatus) reclamava a posse deste tronco e não saia de lá por nada. Mesmo que a escassos metros, passassem de carro uns tipos estranhos, de fala improvável, de hábitos invulgares e máquinas bizarras que o contemplavam como se tivessem encontrado aquela, a dita lança em África.




domingo, 23 de julho de 2023

O pão do tecelão

O tecelão-de-sobrancelhas-brancas | white-browed sparrow-weaver (Plocepasser mahali), veio debicar o pão que estava no cesto a um canto da cozinha. Sem vergonha e com muita confiança, esta foi uma das aves que observei com maior frequência durante a minha viagem ao Quénia.




segunda-feira, 26 de junho de 2023

Um estorninho que veio comer à mão


Quando o estorninho superb starling decidiu juntar-se para tomar o pequeno almoço. Nada tímido, não se fez rogado e veio comer um pouco do pão à minha mão. Nairóbi - Quénia 



Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...