Ao fundo do quintal o "Ti Manel" observava as
videiras
protegidas por redes ante a ameaça dos pardais carteiros,
ouve o grito do portão e o embate dos figos maduros na terra seca,
atento a quem chega antes do rasgo das uvas de setembro.
“Nina”, a gata amarela, é a sua companhia,
vadia minguante, como a lua a ensinou a ser,
dorme noutros alpendres e não aos seus pés,
o "Ti Manel" fala-me da dor ao cursar madrugadas.
somos parecidos na forma como confiamos nos felinos
admiramos as suas vibrissas, com a capacidade de interceptar dimensões
e estabelecer comunicação entre a solidão e os espectros vigilantes;
mas só a “Nina” e o “Ti Manel” colhem uvas nas figueiras siderais.
ao sair do quintal, não fiz barulho quase nenhum ao fechar o portão,
enquanto a "Nina" e o "Ti Manel" corrigiam a órbita deste satélite.

