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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

mais uma raridade na Foz do Sizandro

Lá sai eu de máscara no rosto e com algum distanciamento social como dita a etiqueta destes dias, porém entre amigos a distância não é fácil de conservar. Fomos em direcção à foz do rio Sizandro, não sem antes apalavrar e vaticinar os dias do fim do covid 19. Esse era o nosso desejo. Nesta época de pandemia em que a dizimação do vírus parece estar descontrolada, a natureza segue o seu curso, com as suas curiosidades e os seus movimentos errantes e dispersivos. Enquanto isso, os humanos procuram algo que os mantenha vivos e com esperança nos ensinamento que a natureza proporciona. Nem a fúria da chuva nos arredo...u da praia da Foz do Sizandro para ouvir o que este elegante perna-amarelo-pequeno (Tringa flavipes) tinha para contar. Alguns parágrafos e reticências sem luz ou vacina no enublado horizonte ou nada disto... as ondas não se cansaram de desarrumar os segredos guardaddos na areia.










segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Em busca da Gaivota-de-franklin (Leucophaeus pipixcan)



Saí do trabalho alguns minutos após a meia-noite, depois de carregar a bateria da máquina, esvaziar um cartão de memória, deitei-me após as duas e às cinco e meia da manhã já o despertador tocava lá muito ao fundo.
Sem ter tempo para aquecer as almofadas, levantei-me estremunhado, passei água pela cara, não reconhecendo o tipo ensonado que do outro lado do espelho fazia caretas, despachei-me, agarrei na mochila e desci as escadas. Lá em baixo já tinha à minha espera o meu amigo Frade, pelo caminho ainda apanhámos outros companheiros de aventura como os amigos Arinto e Humberto. Destino Vila Nova de Milfontes. O objetivo seria fotografar a gaivota-de-franklin ou gaivota-das-pradarias (Leucophaeus pipixcan). 

Quanto ao fenótipo, esta ave assemelha-se a um guincho, sendo que a principal diferença reside nas pontas pretas das asas. Confesso que não tenho um grande fascínio por gaivotas, contudo por se tratar de uma raridade em Portugal, fez-me esquecer as poucas horas de sono. Já para não falar da agradável sensação de revisitar a terra do meu pai (Odemira), incentivo maior para ver boa gente e confraternizar entre amigos, 

Chegámos às 8:15 a Vila Nova de Milfontes onde o amigo Rui Jorge aguardava-nos pacientemente. Às 8:30 embarcámos na expedição conduzida pelo André Albino da Bture. Principiávamos assim a busca pela gaivota que se escondia nas margens do rio Mira. Sem enjoos ou sobressaltos (houve homem prevenido que emborcou um comprimido para o enjoo), o barco subia o rio deixando antever as margens de uma bucólica paisagem. Nesta sexta-feira de Agosto as águas estavam concorridas com várias embarcações de recreio e pesca lúdica, tal como treinos de canoagem. O que vem comprovar as excelentes oportunidades que o local oferece desde que sejam respeitado o equilíbrio dos ecossistemas e a sustentável convivência entre o homem e a natureza. 

Passados alguns minutos, avistámos a gaivota nos seus ensaios de voo e repouso. O barco fez a manobra de aproximação para que nós pudéssemos registar a ave com alguma proximidade e luz favorável. Foi tempo de sorte e de muitos cliques. O que retenho destas viagens é o convívio saudável entre as pessoas com as suas diferenças e motivações. Observar, fotografar é apenas um pretexto para conviver e partilhar experiências que de outra forma não passariam de um distante "ouvi dizer". Claro, quando os objectivos são alcançados o caminho de regresso torna-se num suave embalo de sorrisos.




Eis o salto suspenso da gaivota e a alentejana luz que a desenhou:






Ainda observámos outras aves como esta garça-real sentinela de um  porto privado.

O percurso efectuado.



Aos reflexos matinais do rio Mira.




Os amigos da gaivota.






Agradecimentos:

Alexandre Cardoso
André Albino / Bture
José Frade
Luis Arinto
Humberto "Hermenegildo"
Rui Jorge
Samuel Patinha





quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

The king eider - Eider-real (Somateria spectabilis)


Longe mas perto. São breves segundos, num pequeno vídeo nem sempre bem focado, que ilustram o aparecimento desta raridade em Portugal. 





sábado, 5 de janeiro de 2019

Em busca do eider-real



Partimos cedo para Tróia em busca do eider-real (Somateria spectabilis). Em Setúbal embarcámos no ferry e independente do frio que se fazia sentir, fizemos a travessia do Sado atentos às surpresas que o rio nos podia reservar, porém não tivemos sorte e tampouco avistámos aves interessantes ou golfinhos. Depois de umas curvas e contracurvas pelas estradas dos empreendimentos de Tróia encontrámos uma praia quase deserta, sendo apenas frequentada por uns amigos observadores de aves a contemplar com alguma tristeza e resignação, a distância a que os bichos se encontravam. O voo das aves é surpreendente e as distâncias são sempre relativas mediante motivações ou necessidades. O ano passado fomos até à Noruega na esperança de observar esta espectacular ave, contudo foi precisamente em Portugal que a vimos. 



Está longe eu sei, mas está aqui...









Ave encontrada por Luís Gordinho.

Agradecimentos:

Família Frade
Luís Arinto
Humberto Matos

Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...