Mostrar mensagens com a etiqueta Ciclo de entrevistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ciclo de entrevistas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vida de António Feio / Poesia de Carlos Feio

No passado dia 07 de Setembro, no Palácio do Egipto, em Oeiras recordou-se António Feio por intermédio da Poesia de Carlos Feio.

Foi com muito prazer que estive presente neste sarau onde a palavra, a música, os amigos e as recordações ecoaram numa sala apinhada de emoções.

Um Abraço Carlos Feio.















terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ciclo de entrevistas - Um Café Poema com Luís Ferreira


Um dia destes (ainda havia sol) estivemos à conversa com o Poeta Luís Ferreira que nos falou do seu último livro, “O céu também tem degraus” e de outras coisas que não lembra ao Outono esquecer:


Entrevista com Luís Ferreira
(poeta)




SG: Acabou de lançar o seu último livro “O céu também têm degraus” fale-nos dele?

LF: O livro é uma história de um caminho ou de um retrato de uma vida. Tem diversos patamares que retratam a vida do autor e qualquer pessoa se pode rever neles. O livro tem seis estágios mas podiam ser mais. São seis momentos, onde a vida é constituída por outras tantas peças. Cada patamar aborda um tema especifico e o leitor pode explorar esse capitulo. O primeiro e o mote e o último a conclusão desse caminho. Tirando o primeiro, o segundo e o sexto, todos os outros capítulos surgem por mero acaso.  Cada poema é um degrau e cada tema é um conjunto de degraus que constitui o patamar.

Em muitas religiões, existe uma simbologia de uma escada em direcção ao céu, como sou uma pessoa religiosa, associei esta temática ao título do livro




SG:Nos seus livros versa predominantemente sobre a temática do amor e...

LF: Não consigo fugir e mesmo que tente, acabo por ir lá cair. Daí o segundo patamar ser o maior,  é patamar que fala do Amor. Sem Amor não pode haver vida. O Amor não se esgota apenas numa relação entre homem e uma mulher, ou uma pessoa e um clube de futebol; mas antes na grandiosidade dos afectos, sejam eles de que ordem forem. Sou uma pessoa apaixonada e esse romantismo está-me no sangue. Gosto do Amor no seu aspecto idílico. Sou uma pessoa positiva. Que melhor positivismo pode existir... senão o Amor? Neste livro não utilizei a palavra morte. Não consigo abordar essa temática muito embora espere o contacto com Deus, faz parte das leis da vida.  Se eu quero encontrar Deus não pode existir um fim, mas sim continuidade.




SG: E quando o poema não sai?

LF: É uma grande preocupação. Quando escrevo, quando sinto necessidade de escrever, sai sempre alguma coisa. No entanto, alimento o meu fantasma (aquele bichinho que está dentro do guarda-fatos) só de pensar que esse poema não tem valor nenhum. Rasgo o poema e atiro para o caixote do lixo; escrever palavras secas não faz sentido. O meu problema é quando o poema sai e não tem sabor, está frio...  Por isso, não consigo fechar um poema no imediato. Faço uma revisão e volto a escrever o mesmo poema, com outro sentido, com outras palavras. É um quadrado fechado diferente do original.



SG: Os seus Poemas favoritos (dos outros, aqueles que não escreveu)?

LF: Os meus poetas favoritos são os meus amigos. Para mim, faz mais sentido ler a poesia dos meus amigos, uma vez que vou aos seus eventos e partilho com eles esses momentos. Todavia, admiro bastante, Mia Couto, José Luís Peixoto,  Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Pablo Neruda. Florbela Espanca e Manuel António Pina.




SG: Agora uma pergunta “verdadeiramente descabida”: Hoje não?...

LF: Hoje espero que o Benfica não perca com o Braga (risos). Agora uma resposta mais séria. Hoje não? Sinceramente não sei se aquilo que escrevo tem assim tanto impacto nas pessoas.
Será sempre poesia?


SG: Depois de tantas outras palavras em silêncios escritas, o meu sincero Obrigado pelo tempo no qual fizemos sombra. Aqui fica um poema do Poeta Luís Ferreira.

Longe

Longe,
Tão longe e ninguém...
Esvaziando o espaço
Onde as lágrimas
Deslizam até à foz.
Há muito...
Que os pássaros já não voam,
Nada existe,
Nem os nomes,
Secando palavras
Quando os dias acabam.
Sem alma,
Equívoca sombra,
Que fecha as pálpebras,
Esperando que os relógios,
Despertem...

“Longe”, in “ O céu também tem degraus” de Luís Ferreira.

domingo, 16 de outubro de 2011

Ciclo de entrevistas - "Pinturas com a boca" de Nuno Rodrigues


Está patente no Cappuccinos Coffee Shop, em Carcavelos, a exposição de Nuno Rodrigues, "Pinturas com a boca"

Sem mais delongas,  segue-se uma lição de vida!


 
Pintar com a boca exige um outro esforço, uma outra dedicação?

Pinto à seis anos. Foi algo que nasceu por acaso e depois foi algo que se foi aperfeiçoando.





Onde se inspira para pintar?

Pintar é um desafio. E não desisto à primeira. Sou exigente comigo. Quando assino o quadro está pronto. Os quadros que me dão mais trabalho, sinto de pena de os perder, mas por um lado também é bom; é sinal que as pessoas reconhecem o meu trabalho.





  

Quanto tempo demora a fazer uma tela?

Uma semana ou duas, mas depende do grau de dificuldade. 




Os pintores que admira?

O professor António Dulcídeo.
E claro, pintores de referência como Pablo Picasso ou Salvador Dali.



Na sua pintura pode-se dizer que existe um apelo à natureza?

África inspira-me porque nasci em Moçambique. Actualmente pinto algumas elementos naturais, porém inicialmente, comecei por pintar paisagens e nus, o que no fundo também é natureza.

_________________________________________________________________________


E para ti, Nuno Rodrigues.

Ainda que os rios nunca cessem o seu curso
e a luz do dia nos leve a acordar
numa ilha por cima dos céus
em todo o tempo infinito esperança.


Existem Super Heróis que não usam capa, 
nem mascara, 
ou refugio,
não fossem eles...
homens para lá dos homens,
que fazem coisas para lá da força das coisas,
num dom único só alcance da simplicidade,
que habita as grandes constelações de Sonhadores.

Eles que sustentam o eixo do sorriso 
afinal, na forma mais pura d 'arte.

SG






quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ciclo de entrevistas - Café Poema com Branca Rodrigues



Devagar...  Vamos dar início a um ciclo de pequenas entrevistas  com os artistas que assistem ao Café Poema no Cappuccinos Coffee Shop em Carcavelos.


A nossa primeira convidada é Branca Rodrigues, pintora e frequentadora assídua da nossa tertúlia e com uma exposição de pintura patente no Tea Lounge na Parede.


Entrevista com Branca Rodrigues, em 4 perguntas:
 
SG: Para si, como nasceu o gosto pela pintura?

BR: Já veio comigo desde pequenina. Aos sete anos fiquei fascinada com a revista “ Fagulha” e o "Cavaleiro Andante". Lá em casa, todas as revistas que eu apanhada, era o suficiente para ir ver logo as ilustrações, e era isso que gostava mais. Nos livros, as ilustrações Conde Monte Cristo tornaram-se marcantes. Tal como as histórias do meu pai sobre bruxas e o lobisomens. Gostei muito de geometria, que o meu irmão estudava, era o rigor. E visitava os Oleiros ( havia 9 nove em Árgea, concelho de Torres Novas distrito de Santarém) e fascinava-me com os desenhos que eram feitos. E até ajudava...
Sempre gostei de desenhar. A minha primeira exposição de pintura foi no clube Naval em 2001.

SG: Onde se inspira?

BR. A minha pintura é uma viagem.
É o que me vem à cabeça ( ou de outro lado qualquer) e vou-me lembrando das coisas que acontecem durante essa viagem; começo a pintar os sítios, às acções, às emoções, recordações e as sensações. O meu o trabalho não é auto-biográfico, é antes, movimento gestual expressivo . Uma viagem até à praia é inspirador. Já pintei na rua. No meio de muita confusão fico concentrada. Dá-me liberdade de pensar. É um gesto rápido, uma pincelada de cor, e no fim fica bem...
 
 SG: Pintores que mais admira?

BR: O meu primeiro contacto com Pablo Picasso foi marcante. Tal como a vida dele e a maneira como ele via a arte. O tamanho da Guernica fascinou-me. Em El Greco, identifico-me muito com a linha das figuras no expressivo movimento das mãos. No caso dos portugueses, gosto muito do Pomar e do Júlio Resende.
 
SG: E a Poesia?

BR: Gosto de poesia porque tem muito movimento e ritmo... O meu poema favorito é do Cesário Verde o “piquenique de burguesas” e claro o "Livro do Desassossego" do Fernando Pessoa.

Então, para Branca Rodrigues, aqui fica:

DE TARDE

Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde (1855-1886)

Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...