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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Aves da Quinta da Alagoa - Felosa-bilistada (Phylloscopus inornatus)

 

Durante as minhas caminhadas tenho por hábito visitar a Quinta da Alagoa, em Carcavelos. É um local bastante aprazível mas a evitar (pelo menos para mim) durante o fim-de-semana devido. É muita gente que se junta neste espaço para festas de aniversário ou passeios domingueiros. Nada contra, porém o meu mau feitio arraçado de resmungão anti-social não deseja levar com um petardo de uma bola de futebol nas partes baixas, como já aconteceu. Por isso evito a Quinta da Alagoa ao fim-de-sema. Contudo, reconheço a sua importância para o convívio familiar. Já para quem queira passar um tempo a ler em frente à lagoa ou outra aclividade que requeira alguma paz e silêncio, recomento este espaço só durante os dias de semanas. Bem, foi isto que aconteceu hoje! 

A visita que fiz à Quinta da Alagora teve como principal intuito registar a felosa-bilistada (Phylloscopus inornatus)) que por lá tinha sido observada. Fui alertado pelo amigo Frade e juntamente com o amigo Luís lá fomos. Quando chegámos, colocámos o chamamento numa árvore perto da lagoa, e registámos alguma actividade, provavelmente uma felosa-comum, mas sem certezas. Não desistimos e tivemos sorte; uma vez que veio ter connosco quem tinha inicialmente encontrado esta espécie na Quinta da Alagoa. Pois bem, com a sua ajuda, encontrámos o bicho que de mu.to irrequieto ainda deu para um fugaz registo mesmo em fraca luz. Foi o que se arranjou. Pelo menos sem canções de "parabéns a você" ou boladas que me deitassem ao chão. Adoro este jardim quando o relógio anda  em contraciclo social.

9-11-2022





terça-feira, 7 de dezembro de 2021

4 Estações sobre Monsanto e Lisboa Capital Verde Europeia 2020

 


Inserido nas comemorações de Lisboa Capital Verde Europeia 2020,  foi realizado este vídeo promocional que demostra durante dois minutos o que foram  8 anos de trabalho fotográfico e de algumas filmagens; com muitas conquistas, algumas desilusões e muita aprendizagem. O Parque Florestal de Monsanto foi  onde  humildemente aprendi a fragilidade do lugar que ocupamos na natureza e por vezes (senão quase sempre) somos nós quem estamos a mais. 

Aqui fica o vídeo realizado pela Câmara Municipal de Lisboa. 








Agradecimentos:

Nuno Luz
Paulo Barbosa
João Paulo
Sandra (s)
Verónica
Almore
e tantos outros...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Claridade a Mário Piçarra


Assim foi...uma sala cheia de afectos e claridade. O auditório da Fnac de Oeiras foi pequeno para receber tantos amigos e admiradores do Mário Piçarra. O seu último trabalho musical "Claridade" ganhou luz nas vozes dos poetas e dos músicos que deram força aos acordes desenhados pelo Mário Piçarra. Tive oportunidade de descobrir que o Mário para além de excelente músico também era poeta / letrista. Gostei do que ouvi.

De uma forma ou de outra, ele partilhou o seu génio pelos olhos que se inspiravam ao recordar a sua obra, mas acima de tudo, a sua (exelcelente) pessoa. Eu conheci o Mário nas ondas poéticas de Carcavelos e ali estava uma boa pessoa, de sorriso cativante e com uma história pronta a desarmar qualquer um.

Ontem, o Mário esteve naquela sala, humanizou aquelas vozes, tocou nas cordas das guitarras e no tom das outras almas que o saudaram de pé e o que fizeram ecoar nesta e noutra dimensão a sua luz. 

Para ti...



segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Cruza-bico - 4 Estações sobre Monsanto






No início de Janeiro surgiu um bando de cruza-bicos (Loxia curvirostra) no Parque Florestal de Monsanto. Tentei arranjar tempo dentro do tempo para tentar a minha sorte. Para meu espanto, quando cheguei ao local, estavam estacionados vários carros de reportagem e outros tantos órgãos de comunicação social com câmaras e tripés montados. Por certo, tamanha movimentação, não seria por causa destes passeriformes, antes pelas diligências judiciais que ocorriam no tribunal de Monsanto. Naquele dia de sol ameno onde ainda soavam as janeiras, estavam a ser ouvidos vários intervenientes no caso da Academia de Alcochete. Era muita gente e mediante tal aparato mediático, achei improvável o aparecimento dos cruza-bicos. Pacientemente sentei-me na paragem do autocarro que me serviu de abrigo e mesmo com os repórteres a "passarinhar" de um lado para o outro, os bichos sobrevoaram para depois poisarem no topo dos altos plátanos ao lado do tribunal. Tentei um registo fotográfico mas a luz era muito má. Os cruza-bicos não ficaram muito tempo e debandaram sem aviso prévio.  


Volvidos alguns instantes veio ter comigo um outro companheiro deste passatempo fotográfico que andava na mesma demanda. Continuámos a nossa espera na paragem de autocarro em frente ao tribunal. O tempo tudo traz e tudo leva; com a partida de nuvens soltas e a chegada de outras testemunhas, as aves voltaram confiantes. Desta vez poisaram nuns plátanos mais pequenos e por lá permaneceram a degustar o fruto aquénio. Lentamente aproximámo-nos, quais reportes que almejavam chegar perto da fonte de notícia. Pé ante pé, metro após metro, ficámos a curta distância dos bichos. As aves não nos ligaram nenhuma, entretidas que estavam com as sementes que os plátanos ousaram enclausurar.


Em Portugal a população residente desta espécie está classificada como vulnerável. Os fluxos migratórios das populações provenientes do norte da Europa são bastante incertos. Como tal, temos anos em que somos brindados com um número considerável de cruza-bicos e outros nem vê-los. No Parque Florestal de Monsanto, 2020 foi o ano deles!



No topo do plátano, cruza-bico macho exibe orgulhosamente os tons vermelho-carmim, enquanto a fêmea não quer ficar atrás no protagonismo e reflete o brilho do sol pelos tons amarelo-esverdeados da sua plumagem. Porém, o cartão-de-visita desta espécie são as características mandíbulas de ponta cruzada com que desventram pinhas em busca do tão inflacionado pinhão. Este fringilídeo nómada mede entre 15 a 17 centímetros.










Agradecimentos:

José Frade
Rui Paulo Pereira

sábado, 13 de julho de 2019

Hornoya

Do porto de Vardo até ao ilhéu são 10 minutos de barco, depois foi contemplar a beleza selvagem de Hornoya com  milhares de aves marinhas.




sexta-feira, 28 de junho de 2019

Corrida Solidária em Mira


No passado dia 22 de junho participei na Corrida Altice Solidária em Mira. Uma iniciativa organizada com intuito de fazer face às catástrofes naturais que assolaram a região, nomeadamente o furacão Leslie em 2018 e os (incompreensíveis) incêndios de 2017. Foram perto de duas mil pessoas que se juntaram a esta iniciativa. Durante a corrida, a população espreitava curiosa, enquanto os atletas davam o seu melhor pelos trilhos que contornavam a lagoa. Quem por ali correu ou caminhou foi muito bem recebido com palavras de incentivo e gestos de apoio das gentes de Mira.
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Assim se faz a vida, correr em torno de um ideal ou objectivo, contornando obstáculos e redobrando o fôlego. Caminhei cinco quilómetros em uma hora e dois minutos, também motivado pelos andarilhos mais experientes que em jeito marcha aceleraram em passada rápida. Foi uma iniciativa extarodinária e muito bem organizada, que me fez querer continuar participar outros desafios


Quando cheguei perto da lagoa tive que parar para observar tamanha beleza natural que agora traduzo em tons cinza.














E no final ainda tive direito a partilhar este momento com a grande Rosa Mota.


Eis a ajuda solidária que chegou aos alunos de Mira.





sábado, 29 de dezembro de 2018

Caminhada por Monsanto


E assim fomos à descoberta do pulmão da cidade Lisboa, a passear pelo Parque de Monsanto, efectuamos no total quase 8 km, sem grande esforço e com o contentamento de estar entre amigos. Principiámos a caminhada às 10:00 e terminámos às 15:00, a temperatura estava amena, e as pernas prontas para o desafio. O percurso efectuado está no mapa e foi curioso verificar a dinâmica do parque durante o fim-de-semana, com muitos caminhantes e corredores, outros a andar de bicicleta e outras ainda a passear o cão, infelizmente muitos deles à solta, não servindo de nada o aviso de que os bichos deveriam andar com trela e talvez alguns donos. Porém do modo geral, as pessoas eram educadas, e cumprimentam quem fazia como eles um percurso de manutenção ou um simples passeio, salvo raras excepções, de quem pensa que o parque é só deles, e quase atropela de bicicleta quem lhe apareça pela frente. O Parque Florestal de Monsanto apresenta um grau de limpeza aceitável, com trilhos marcados e placas informativas nem sempre no melhor estado de conservação. Creio que estejam a faltar infraestruturas de apoio, como WC e fontes, tal como a manutenção do parque infantil da pedra. Fiz esta caminhada relativamente leve, transportando dentro da mochila apenas a máquina fotográfica com uma objectiva 18-140 mm, uma garrafa de água, fruta, uma sandes e uma barrita energética e esperança no coração.



Este passeio serviu também para observar a biodiversidade e a interacção com a carga humana num fim-de-semana de sol pós natalício. Nas zonas mais húmidas vimos alguns cogumelos já em decrescente recorte e decomposição mas sempre de magnificente beleza. Nas zonas mais arborizadas e recônditas, observámos 21 espécies de aves, e ainda ouvimos um esquilo a descascar afincadamente uma pinha.
Em breve, iremos repetir estas caminhadas pelo Parque Florestal de Monsanto mas por outros locais. Antes disso, deixo aqui os momentos fotográficos possíveis e desde já aconselho este percurso, sem cãozinho ou com cãozinho pela trela, com calçado e indumentária confortável para a época do ano e binóculos. Bons passeios e um excelente ano 2019.

No reino Fungi e seus dignos representantes:








Depois, segui-se o tão saboroso quanto colorido medronho.


Na sombra a busca do sol e da água do musgo.


Lá em cima uma águia-de-asa-redonda controlava as movimentações dos caminhantes.




Agradecimentos:
Nuno
Sandra

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Gavião-da-europa no Parque Florestal de Monsanto



O gavião-da-europa (Accipiter nisus) é uma pequena ave de rapina diurna de hábitos bastantes discretos. Nesta espécie, a fêmea é 25% maior e apresenta listras horizontais cinzentas no abdómen, contrastando com o peito alaranjado do macho. O gavião habita bosques isolados e alimenta-se quase exclusivamente de aves que captura em voo. Sendo uma ave pouco comum, é residente no nosso país e em particular no Parque Florestal de Monsanto, onde voa por entre os pinhais com velozes batimentos de asa.

Uma ave a nidificar com sucesso é sempre uma boa notícia. Efectivamente, havia poucos registos da observação do gavião-da-europa no Parque Florestal de Monsanto. Este documento serve para comprovar a saudável evolução desta ave na orla florestal da cidade de Lisboa. No video é demonstrado as interacções da cria e do progenitor, e em ambos os casos, foi interessante observar as movimentações em torno do ninho.

Os registos fotográficos e as filmagens foram realizados num curto espaço de tempo, tendo sido assegurados todos os cuidados para não perturbar a rotina das aves nem o ecossistema envolvente.








Lista do  Ebird





segunda-feira, 30 de julho de 2018

O vagaroso eclipse Lunar




Outro eclipse como este só em 2100 e nessa altura, por certo, o teletransporte molecular entre a terra, e outros planetas fará parte dos nossos dias de tédio. Enquanto esse futuro não chega, andava eu do quarto para a sala, com o tripé às costas, numa azáfama lunar a tentar despachar-me, sem deixar escapar a marcha dos planetas. Ainda para mais, este alinhamento planetário contou com a particularidade de Marte juntar-se à festa exibindo-se de forma generosa. Para mim, foram instantes rápidos, onde importunei os meus pais que assistiam calmamente à telenovela, enquanto eu passava à sua frente, tipo vulto corcunda de três andares, com objectivas e máquinas, preparado para montar o arsenal na janela maior da casa. Este eclipse, de tão vagaroso, iria durar  uma hora e quarenta e cinco minutos, contudo eu não tinha esse vagar todo para despender. Bem tentei o equilíbrio de tarefas entre o jantar, banho, mochila e viagens mas não foi fácil. Com ou sem eclipse, com ou sem lua de sangue, tinha que ir trabalhar e o ponteiro não desmentia o peso do tempo e das suas prioridades. Tirei 4 fotografias, mas o mais importante foi ver sorrir estas órbitas maiores cá desta terra.









domingo, 15 de julho de 2018

Sexta-feira 13 com os Queens Of The Stone Age, The National e tanta sorte




Talvez por isso... não seja capaz de passar um dia sem música. Ainda agora, enquanto escrevo, dos auscultadores emana uma melodia calma, uma companhia musical que me segreda ao ouvido estas palavras e outras intenções. Talvez por isso... A música seja para mim um alimento emotivo sem o qual não consigo tolerar a sagração dos dias. Creio que... pela música não haja bandeiras, fronteiras, ou divisões e quando tentam compartimentar o que é indivisível, ela musicalmente prova que é um corpo só. A pulsão que nos faz ir, que nos completa e satisfaz, ao mesmo tempo que clama por mais. Dançante e inebriante, Um chamamento tantas vezes incoerente, dissonante mas também melódico, harmónico, pessoal e transmissível. Acredito na melodia dos astros e das estrelas, a pauta dos átomos e das células, o orquestral ribombar do universo. Talvez por isso... Sejamos todos (uns mais do que outros) musicais, afinados ou desafinados, tanto faz, tentando sobreviver a estes dias com uma melodia o mais agradável possível. 

Da música vem um paladar, um sabor especial que se discute e se materializa no dia do concerto, na hora da actuação - a verdade bem à frente dos olhos. Vibrámos e pulamos com a coração a saltar pela boca e o sangue a correr pelos membros que desconcertados tentam se soltar do corpo, fazendo dançar a alma. Talvez por isso, preciso deste remédio para tolerar tudo o resto e como eu...

Por estes dias, habitantes de uma improvável torre de babel espraiavam-se pelo  passeio marítimo de Algés para assistir ao Nós Alive ´18. Gente de todos os "cantos" do mundo reunidos pela musicalidade dos afectos, na busca daquela preciosidade emotiva que tanta falta lhe faz. Musica-me por favor!

Ah e como queria muito assistir a um concerto dos Queens Of The Stone Age!!!!....  por isso comprei o bilhete para a sexta-feira 13, uma supersticiosa conspiração de sorte e momento. 

Quando cheguei ao recinto percorri os cantinhos em busca de novidades. Gostei muito do saudoso coreto, calcorreei a calçada portuguesa com edifícios lusitanos, espreitei os vários palcos, encontrei de tudo um pouco, desde o punk ao fado, numa combinação e romaria perfeita. Disse olá e recebi saudações em vários idiomas e sorrisos e por ali andei até os pés me doerem. O primeiro concerto que assisti foi o dos Black Rebel Motorcycle Club do qual apreciei a onda "noisy" e psicadélica (Whatever Happened to My Rock and Roll)




Estava à frente do palco quando começou o concerto dos The National (quase tugas com15 concertos por cá) - e que concerto. Estes nossos amigos foram do silêncio à impulsão sónica de uma forma maleável, sabendo dosear as emoções. Tocaram no coração da audiência (About Today e Terrible Love) como fossem  a própria audiência, misturam-se no exorcismo colectivo (Bloodbuzz Ohio), falaram do medo, da perda, da insondável falta das coisas boas desta vida de uma forma simples e poética.



Depois vieram os Queens Of The Stone Age e com eles um tremor de terra sonoro, uma descarga de energia suficiente para esquecer, por momentos, qualquer dor ou tormenta e para nos renovar de energia e de mundo sonoro. A música apresentada por estes senhores do rock não é simples, nem pode ser. Por vezes, a formula apresentada é rude, agressiva mas também sexy e cheia de experiências bem sucedidas e incursões dançantes (If I Had a Tail) por outros paralelos (Make It Wit Chu). A música é assim, e por isso nos faz bem (até aos calos). Foi uma hora e meia repleta de agulhas sonoras (A Song for the Dead e My God Is the Sun) espetadas nas orelhas numa onda de prazer e abandono. Metáforas (sofríveis) à parte - Foi um concerto muito bom. Tanto mais, foi por eles que decidi desafiar uma sexta-feira 13 e sair de casa, passar por debaixo de uma escada e cruzar-me com um adorável gato preto. 




segunda-feira, 2 de julho de 2018

4 Estações sobre Monsanto - O Sobreiro




Uma árvore imponente casa de muitas casas. Para além do valor da cortiça, enquanto matéria-prima de excelência, o sobreiro (Quercus suber L.) serve de abrigo a diversos tipos de seres vivos; desde aves, insectos, líquenes e musgos. Com aproximadamente 70 anos este nobre sobreiro do Parque Florestal de Monsanto exibe a sua rica e robusta casca que nunca foi alvo de descortiçamento e por ali já muitos céus viu passar.

Os mil e um fins da cortiça: 

Desde naves espaciais como Apolo 11, passando por efeitos especiais no cinema (simular explosões e rochas vulcânicas), ou na medicina, onde o contacto da rolha de cortiça com o espírito do vinho possibilita a criação de compostos anticancerígenos e antioxidantes. E por que não falar da industria têxtil, arquitectura e revestimento?  De tudo um pouco a cortiça serve para fazer bem! Preservemos!


domingo, 17 de junho de 2018

Poleiros contra roedores



Foi com satisfação que cedi uma fotografia da minha autoria para uma associação de protecção da natureza em França (LPO Aude). O objectivo será a  sensibilização da sociedade civil na rede Natura 2000, com a criação de painéis informativos sobre as aves da rapina e o estabelecimento de poleiros para essas aves estimulando assim a diminuição de roedores.






terça-feira, 29 de maio de 2018

Atlas de Mamíferos de Portugal


Foi com enorme orgulho que aceitei o convite para participar nesta obra e assim com duas fotografias da minha autoria contribuo humildemente para este atlas de mamíferos de Portugal. Desde já, reitero os parabéns aos autores e a todos os colaboradores deste excelente trabalho.







segunda-feira, 30 de abril de 2018

Cabo Sardão



Partimos de manhã cedo em direcção ao Cabo Sardão, freguesia de São Teotónio em Odemira, terra do meu Pai e um pouco minha também. Levávamos na bagagem esperança redobrada com o intuito de observar uma raridade recentemente avistada no local. A trepa-fragas ou trepadeira-dos-muros, uma pequena ave que orgulhosamente exibe  as suas asas carmim durante as movimentações pelos rochedos Chegámos cedo e iniciámos as buscas, contudo a procura tornou-se longa e infrutífera. Faz parte da história. Juntaram-se mais amigos, trocaram-se ideias e brincou-se sobre aos sucessos e os infortúnios destas lides. A ave não apareceu mas fizeram-se ainda mais novos amigos e isso é já é uma rara descoberta. 
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Lá em baixo a força da água alimentava-nos de respeito com os consecutivos rastos do tempo cravados na rocha. Rebentação. Renovada finitude dos reencontros entre a  água e a pedra. Tal como nós, os sorrisos que se trocam entre povos diferentes, tudo nos aproxima e nos afasta. As caras que julgamos novas, outras geometrias, máscaras de nós próprios. A redescoberta, a queda dos nomes no eco da memória. Novo é o nome que damos a um abismo. 
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Durante a estadia, o local foi visitado por muitos turistas que se sentiram maravilhados com a paisagem. E não é para menos. Almas repletas de mar. 













Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...