Tenho que andar muito, fazer muitas caminhadas, muitos quilómetros para combater uma maleita que me irá atormentar se não o fizer. Foi com esse intuito que palmilhei os terrenos contíguos ao Centro Desportivo Nacional do Jamor, levando comigo a minha pequena companheira de caminhadas - uma velhinha máquina fotográfica, não fosse surgir algo que me fizesse arrepender de a ter deixado em casa. Foi curioso observar toda uma multidão activa em torno de um complexo desportivo, gente das mais variadas classes etárias ou estratos sociais, a exercitar os músculos em plena comunhão com a natureza. A meia-idade endinheirada jogava golfe; no outro campo, os rapazes voavam em terríveis placagens de râguebi. Mais acima, dois sexagenários subiam e desciam heroicamente as bancadas desertas, enquanto nos trilhos, as meninas corriam de cabelo apanhado e leggings de justa curva. Confesso que gostava de desatar a correr por aqueles campos a fora, qual desvairado maratonista, mas resfriei esse impulso para outra oportunidade e deixei esses feitos para quem se treina afincadamente, obviamente não é o meu caso. No Jamor foi bom constatar que existe uma população fervilhante e crescente num treino global. Não muito longe dali, num dos terrenos ao lado dos campos de golfe, fazendo fronteira com os campos de râguebi, vários coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus) assistiam às movimentações dos humanos, ao mesmo tempo que a sua natureza se exercitava nas práticas mais elementares de sobrevivência e boa disposição.
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