Lembro-me de ver o Jorge Palma numa esplanada nas Picoas em Lisboa, a contemplar fotografias relevadas do negativo. Fotos que ainda estavam dentro do envelope da kodac, num formato 10x15. Naquele tempo cada fotografia era uma surpresa. O Jorge Palma estava completamente enternecido com o que via. A luz do dia desenhava acordes felizes no rosto do músico Não quis entrometer-me para pedir um autógrafo, naquele tempo não havia selfies e ainda bem. Não me aproximei, apenas fiquei observar a margem radiante do poeta. Foi um dia completo e feliz. Tinha presenciado pela primeira vez, uma voz, um poema, uma melodia, num ser vivo, sem que houvesse música ou palavras no ar.
As maldades da vida levaram-nos o homem. Fica a voz e as melodias a ressoar por essas estradas invisíveis. O álbum "Só" de 1991, foi gravado com um microfone em cima da fita. É sem dúvida um dos maiores tesouros da música portuguesa. O álbum Palma's Gang, ao vivo no Johnny Guitar, de 1993, mostra-nos a vertente mais rockeira do Jorge Palma e conta com a colaboração do Kalu, Alex, Flak e Zé Pedro. Noutra dimensão, o Jorge e o Zé, vão formar uma nova banda.
