não fosse este rectângulo
um país que caminha em pés de barro para a fornalha da desculpa
onde morrem jovens-árvores-bombeiros e morrem florestas-viandantes
onde se brinca ao faz-de-conta-que-somos-ricos-e-bonzinhos
tudo seria diferente
doidos? não. malucos? muito menos. digamos antes assim,
assassinos que se masturbam ante a sua façanha de tresloucada piromania,
sem que ninguém lhe abra a goela e de tição inflamado siga rumo até aos intestinos.
arde-me os olhos por isto não passar disto mesmo
um desabafo a quente.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
aluga-se
[porque a vista também come]
a estrear o corpo e o soalho fino
mais o tecto falso as aduelas e os caixilhos
das janelas o vidro duplo e o silêncio interior
o espaço sempre maior que o canto
nas paredes a imensa tela virgem de histórias por contar
o cheiro a diluente tinta misturada e distendida
no encanto da cal em miniatura de sonho
as portas sempre abertas para arejar o cheiro a novo
a marca subtil da mão no jeito da maçaneta
[porque às vezes a boca também vê]
vistas largas, desafogadas, áreas honestas
sem rumores de vizinhos e ainda sem fantasmas
sem discussões, sem estrondos nem dormidas no sofá
nem fila para ir à casa de banho que aflição medonha
para isso é wc no quarto e já está
[porque bem vistas as coisas - não é muito caro]
muito pelo contrário T1 e T2 ou T3
as divisões sem divisão na sala na cozinha
ou no hall ou até quem sabe open magnífico space
e depois é ver os risos presos por duas molas nos estendais da roupa
e assim se vive feliz
nesta casa novinha em folha, suspensa no cimo da única árvore
que resistiu aos incêndios de outras tantas partidas estivais
[porque a memória também se alimenta do erro]
aluga-se ou arrenda-se, melhor que isto só dado.
domingo, 8 de agosto de 2010
apenas isso
[apenas noite branca e silêncios]
lembro-me de ver-te entrar no mar de Janeiro
carregando o peso de um longo véu branco
de passo calmo serena sem que nunca olhasses para trás
[apenas um tratado entre as mãos e a fúria de ficar]
do areal deserto gritei para que voltasses
na esperança que o medo te colhesse
como o frio que abençoa os solitários
[apenas ida em frente apagando o rasto do que ficou por dizer]
e tu sem hesitar rasgaste a primeira vaga
depois outra e mais outra, até perder-te de vista
naquele mar fechado de um livro e nua era a tua página
[apenas isso e tão só uma marca de água]
domingo, 1 de agosto de 2010
Pó
visto de longe, imóvel em horas a um canto de pó
não tenho dúvidas sobre isto
[ dúvidas sobre o quê?]
não sou eu que habito esta página
[ então? ]
quando pego em algo para escrever há uma força que me obriga
a inclinar-me, declinar, pensar, registar todo o movimento que respira fome de criação.
às vezes dou por mim a infligir rudes golpes na ponta dos dedos.
[ mas és tu que escreves... ]
mais ou menos. é como se a caneta de prenhe de ideias fosse um prolongamento do meu corpo
e o corpo não passasse de uma biblioteca de recados e nódoas vivas de tinta.
[ e porque dizes isso? ]
não sei. há dias assim.
[ espaço ]
as palavras são tão brancas que tingem a língua de silêncio em aftas de fala
[ assim como?... ]
não me apetece escrever. não me apetece ser. não me apetece ir. só ficar em pó e mais nada.
[ só isso? ]
e não basta ? olha lá uma coisa.se começasse a esgravatar, só iria escrever o que não me apetece que seja escrito
[ se tu o dizes. mais nada! ]
ninguém me levava a sério!
[ isso é verdade!]
maldita hora em que não amarrei os dedos à boca
[ ainda bem que o dizes, e não o escreves. ]
sábado, 31 de julho de 2010
António Feio - Aplauso -
no espaço que ocupa um minuto e mais outro
a boca de palco ficou mais pequena
o pó e as sombras órfãos de pano
e mais os adereços, os pontos, as personagens
as encenações, as cadeiras e os guiões
tudo parou num acto de efémera levitação
de um momento para o outro
ouviu-se um eco perpétuo de encaixe perfeito
uma peça dentro de outra peça numa vida a pulso
em voz de aplauso e filigrana de luz
depois as crianças trouxeram as flores
e o humor nas rugas dos velhos risos
as portas dos teatros rasgaram os rostos
que de branco ainda choram numa palma eterna
e tu?
agora noutro palco sem fechar a porta
alma de par em par
tamanha saudade de uma árvore que ri.
e tu?
agora noutro palco sem fechar a porta
alma de par em par
tamanha saudade de uma árvore que ri.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Poema D - Colectivo de todos os desassossegados -
Meus caros Amigos,
a todos o meu Obrigado,
por abrilhantarem este Café Poema por si só inquietante.
isto porque, no meio de tanto desassossego,
tivemos tempo para rir e para fazer rir, para declamar e para ouvir as vozes de uma noite que transbordou num poema colectivo.
tivemos tempo para rir e para fazer rir, para declamar e para ouvir as vozes de uma noite que transbordou num poema colectivo.
________________________________________________________________
Dizem que a alma não morre porém o corpo perece
Deixo-me na perfeita melancolia salvo no arame farpado / perpetuado no silêncio / naquele demónio abraçado / permaneço nessa perdida histeria
Dinheiro
Dança nos sonhos da minha memória
Desejo é o que sinto por ti
Devoção
Derramavam a música que enchia o ar
Danças de vento num redopio
Debruço na varando do desassossego
Durmo em ti
Depois dos Abionz Brake you Fokers
Deitado esperando por ti / devaneios de amor eu senti / a emoção em mim crescer
Dizem que o amor é belo / não sei se será assim / quantas vezes ele nos leva /ver amigos num duelo
Diafragma faminto por ti / pelo desassossego eterno dos mortos / onde a vida se ausenta por medo / de sentir o vazio em que caímos
Dentro de mim há um sentimento asfixiante / não sei se é agonia / tristeza ou desespero / só sei que me consome / e já não é parte de mim / é o meu ser todo
Digo e volto a dizer...sem o desassossego, o que seria de mim viver?
Dar as mãos Dançar é ser feliz
De graça, com graça e em estado de graça
Devagar na letra D Deito o Dedo Do dia e Durmo Desassossegado Dançando.
___________________________________________________________
Ass: (d)os muitos poetas desassossegados.
Dizem que a alma não morre porém o corpo perece
Deixo-me na perfeita melancolia salvo no arame farpado / perpetuado no silêncio / naquele demónio abraçado / permaneço nessa perdida histeria
Dinheiro
Dança nos sonhos da minha memória
Desejo é o que sinto por ti
Devoção
Derramavam a música que enchia o ar
Danças de vento num redopio
Debruço na varando do desassossego
Durmo em ti
Depois dos Abionz Brake you Fokers
Deitado esperando por ti / devaneios de amor eu senti / a emoção em mim crescer
Dizem que o amor é belo / não sei se será assim / quantas vezes ele nos leva /ver amigos num duelo
Diafragma faminto por ti / pelo desassossego eterno dos mortos / onde a vida se ausenta por medo / de sentir o vazio em que caímos
Dentro de mim há um sentimento asfixiante / não sei se é agonia / tristeza ou desespero / só sei que me consome / e já não é parte de mim / é o meu ser todo
Digo e volto a dizer...sem o desassossego, o que seria de mim viver?
Dar as mãos Dançar é ser feliz
De graça, com graça e em estado de graça
Devagar na letra D Deito o Dedo Do dia e Durmo Desassossegado Dançando.
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Ass: (d)os muitos poetas desassossegados.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
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