Sofia grita fúrias e abraços sonoros
Está contente por ser desafiada
Pelos exercícios de caminhada
Na roleta física da fisioterapia
Sofia de olhos primaveris e cabelo de andorinha
Tem um sorriso incompreensivelmente contagiante
Não deixa que o silêncio se confesse ao suor
E rasga decibéis à saúde de quem a ampara
Sofia não articula uma palavra completa
Coxeia ao andar e arrasta o tempo com os pés
Um acidente vascular cerebral esquémico
Roubou-lhe caminho e a esgrima vocal
Sofia ri e vive nas histórias dos outros
Ensina-me que há coragem nas arestas das pedras
A simplicidade com que grita bem alto “oh pá!”
Faz-me acreditar que há um motivo para tudo isto.
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