terça-feira, 15 de novembro de 2016

Super Lua




Dia 14 de Novembro pelas 17:49 estava a trabalhar quando a lua iria subir aos céus. Como não queria perder este momento, tive que deixar o material preparado no meu primeiro andar altaneiro, para registar a passagem deste modelo lunar no anoitecer lisboeta. 
Assim, antes de sair de casa, junto à janela programei a máquina fotográfica para tirar uma fotografia de 5 em 5 minutos, apontando para o céu onde estaria em breve a super lua. Tinha em mente realizar um pequeno filme em time-lapse deste fenômeno lunar. Infelizmente, por questões técnicas (maldita mancha no sensor), o filme não correu como esperado. Todavia, salvaram-se algumas fotos que recordam o ponto de órbita mais próximo da terra (o famoso perigeu), onde o tamanho da lua foi 14% maior e o seu brilho 30% mais intenso, fazendo o nosso satélite parecer mais perto de nós.


Desde à 68 anos que não se via nada assim, esta foi realmente a maior super lua. Para os mais optimistas, é já ali ao virar da esquina, no próximo ano de 2034, que iremos presenciar  um evento lunar com indicadores superiores a este. Até lá que não andemos aluados. 



No dia 15 também houve lua e ainda bem túrgida.  Nada melhor que aproveitar folga para fotografar o nosso satélite, em cima do telhado na companhia de gatos e telhas frágeis.




sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Leonard Cohen e os amigos!




Hoje recordo o ano de 2008. Lembro-me de assistir a um concerto único, no passeio marítimo de Algés, onde um homem calmo e gentil entoava canções poemas numa voz grave e serena. De coração cheio e olhos lavados pelo vento, recordo aquelas horas que ficaram para sempre na minha memória. Tantas foram as vezes que aquela voz rouca e a poesia ofereceram inspiração aos meus humildes escritos. Em cima no palco, o homem tirava o chapéu e agradecia aos músicos e ao publico que o saudava em aplauso vivo, enquanto ele tratava todos por amigos. Amigos!

De céu cinzento a música toca na rádio. Não vale a pena aumentar o volume das sílabas. Não vai aproximar o eco da falta. Perplexo, fico imóvel e procuro um som grave na discografia que me ampara. Encontro um Homem capaz disso. Olho as fotografias que compõem o corpo do disco. De costas, um vulto segura uma guitarra. À sua frente estende-se uma paisagem de telhados velhos com segredos renovados e janelas por descobrir. Letras de canções e vidas. Talvez ainda hoje ele vá escrever ou cantar. Nunca se sabe as possibilidades que um génio tem para nos surpreender.  Noutra fotografia ele toca na biqueira da bota e segue-nos de semblante sedutor com um cigarro na boca. Coisas simples. Por cima das nossas cabeças ele continua a falar-nos aos ouvidos.

Ainda não chove mas por certo que hoje será o dia mais indicado para isso. Daqui, deste canto de anonimato, continuo a aplaudir o homem que um dia me chamou amigo, tal como apelidou de amigos a milhares de pessoas, e assim ficámos amigos sem nunca nos conhecermos. Talvez seja esta a melhor forma de amizade.

Lá em cima, há um palco onde cantam homens de alma eterna e sonhadora e nós cá em baixo continuamos a ouvir o mar das suas palavras, enquanto a chuva se encarrega dos nossos dias.


Leonard Cohen
1934-2016


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Borboleta-caveira e o terço




O céu gritava sentenças de chuva enquanto deslocava-me para mais uma consulta de rotina. Por entre as árvores que cercavam o caminho observei um estranho pássaro num voo desengonçado, culminando numa aparatosa queda. Aproximei-me do bicho que repousava por entre as folhas outonais e verifiquei que estava enganado na identificação do errante voador, pois a borboleta-caveira (Acheronthia atropos) nada tinha de passeriforme na sua fisionomia. Pequei no insecto e tirei algumas fotografias de onde sobressaia a sugestão ilusória de uma caveira desenhada no dorso. Com este inesperado encontro, o tempo tinha voado. Com cuidado deixei o animal abrigado numa concavidade entre dois troncos de uma árvore e apressei-me para o consultório. Uma hora depois, da consulta resultaram exames e mais exames, nada que não tivesse à espera. Antes de ir para casa, regressei à árvore onde tinha deixado a borboleta. Ela lá estava, porém, infelizmente, já sem vida. Restou-me o desejo, de que durante  as suas viagens, tivesse deixando espaço genético para outras surpresas voadoras. 

No outro dia festejava-se o feriado de Todos os Santos e eu sai de casa para o trabalho ainda o sol não tinha nascido. Quando cheguei à estação do metro encontrei a gare abandonada e no meio de sombras e escadas rolantes avariadas, ecoavam passos sem passageiros, tal como sombras sem ânimo. Por fim chegou o comboio, as portas abriram-se e quando entrei, num voo pendular, algo raspou ao de leve no meu rosto. O quer que fosse que me tivesse atingido, era de recorte fino e emanava um brilho rápido. Olhei para trás e de mão aberta capturei-o quando fazia o voo de regresso. Tratava-se de um pequeno crucifixo de madeira suspenso por um fio composto por muitas esferas negras.. Desconheço a motivação de quem atou o crucifixo no vestíbulo da carruagem, mas revejo-me no desígnio de fé anónimo. Estação após estação, viajei como se estivesse dentro de um fotograma móvel, seguindo as luzes e os rostos que entravam neste suposto filme. Ao mesmo tempo, contemplava o crucifixo embalado pelo ritmo das bênçãos o terço e do movimento da carruagem. Durante o percurso, a reacção dos passageiros ao símbolo religioso fez-se de espanto, sorrisos e esperança silenciosa, como qualquer viagem da qual se antevê o inicio mas desconhece-se o fim.


Com 13 centímetros de comprimento esta será uma das maiores borboletas e mais pesadas que por cá voa. Espécie migradora proveniente do continente africano é apreciadora de sol e de calor. É um dos poucos insectos que imite um som quando se sente ameaçada. Pode ser observada entre Maio e Setembro e apresenta 2 gerações durante o ano. A sua alimentação é variada, porém privilegia o mel, nem que para isso tenha que invadir colmeias e ludibriar as operárias que a defendem. Para não ser atacada pelas abelhas, faz jus do seu zunido para as acalmar, passando quase despercebida, podendo assim alimentar-se dos favos. Mas nem sempre consegue infiltra-se com sucesso e quando é detectada a história não acaba bem.



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Workshop de Borboletas nocturnas no Parque Florestal de Monsanto



Resultado da parceria com o Parque Florestal de Monsanto, aqui está um workshop onde vamos esperar pelo regresso das borboletas nocturnas, ante o chamamento espectral da lâmpada de vapor de mercúrio.







Esgotado

Biomelides: corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)

Não foi sobre este corvo que Edgar Allan Poe escreveu o seu famoso poema "The Raven". O corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) é frequentemente observado de asas abertas, a secar ao sol, exibindo os reflexos da sua plumagem predominantemente negra, em contraste com o bico pintado de amarelo quente. Esta ave aquática escolhe as zonas húmidas do nosso país para passar o inverno, praticando em açudes, lagos, rios e albufeiras, os dotes de excelente mergulhador nas lides da pesca. 





Foi numa das veredas que circundam a lagoa de Melides que encontrámos este corvo-marinho, entre mergulhos e reflexões, à espera que da maré chegassem boas notícias, sem que à passagem lhe dedicássemos uma estrofe, antes um fotograma de um dia por escrever.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Em busca do perna-verde-fino (Tringa stagnatilis)



Antes das 09:00 já estávamos à porta do Evoa na Reserva Natural do Estuário do Tejo. 
Quando fomos atendidos dizemos ao que vínhamos. Pelas indicações obtidas há dias, andaria nas imediações de um dos abrigos um perna-verde-fino (Tringa stagnatilis).
Pagámos a entrada e depressa fizemo-nos ao caminho com mochilas às costas e olhos cheios de esperança.  

Mal entrámos no abrigo demos com o bicho, no meio de outras aves, entretido a debicar numa poça de reflexos tão interessantes quanto distantes. Longe, mas era ele, disso não restavam dúvidas.



Passado alguns minutos todas as limículas levantaram voo, asas para que te quero, ante a presença de uma ave de rapina, o perna-verde-fino não foi excepção.




Pensámos que o bicho tinha desaparecido com debandada urgente. Todavia lá estava ele, escondido do lado esquerdo do abrigo, a jeito de uma fotografia e foi isso que fizemos. Esta ave é mais pequena que o perna-verde-comum, o bico não é curvado para cima e é ligeiramente mais fino. Depois a ave alimentou-se calmamente e foi andando entre águas até ficar em contra luz.











Na boca de cena do abrigo os bichos continuaram na sua vida, compondo melodias de adejares entre reencontro e partidas. 

A correria desenfreada do borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula).



Entre momento de chegada e reflexão dos abibes (Vanellus vanellus).




As manobras elegantes da Garça-branca-pequena  (Egretta garzetta) marcavam o ritmo da luz.





O pilrito-pequeno (Calidris minuta)  andava agitado e nada preocupado com o seu tamanho ante a dimensão da lezíria e dos seus pares.





Um jovem colhereiro (Platalea leucorodia) passou desconfiado pelo abrigo para depois se juntar com as outras aves brancas.








Agradecimentos:



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Em busca da Gralha-cinzenta (Corvus cornix)



Outubro quente. Quando chegámos às imediações da Base Aérea de Sintra estavam 27 graus e o verão parecia não ter fim. Desde logo tentámos localizar gralhas-pretas e com elas a gralha-cinzenta. Demos várias voltas, desfeitas em várias horas, percorremos os terrenos adjacentes e pequenas localidades, até que avistámos perto da base aérea uma gralha e depois mais duas e com elas a tão desejada gralha-cinzenta. Estavam longe, andavam entretidas no solo com pequenos insectos, perfazendo um pequeno bando que aparentemente aceitara a gralha-cinzenta como novo elemento. Tentámos uma melhor aproximação, deixando o carro deslizar por entre o mato, porém os corvídeos não colaboraram, partindo em debandada, primeiro as gralhas-pretas e só depois a gralha-cinzenta. 






A gralha-cinzenta (Corvus cornix) é relativamente do mesmo tamanho da gralha-preta (Corvus corone). Apresenta a cabeça e asas escuras sendo a restante plumagem marcadamente cinzenta. Trata-se de uma ave oriunda do centro e do norte Europa, estendo-se a sua distribuição até à Ásia e Egipto. Para Portugal é uma raridade.









Entretanto, enquanto no meio da busca ainda deu para registar o banho de sol de um sardão (Lacerta lepida)


E surpresa maior, o meu primeiro contacto com um Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)









Agradecimentos:



Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...