sábado, 19 de março de 2016

Falcão-de-pés-vermelhos (Falco vespertinus)



Estávamos em maio do ano passado quando Portugal foi alvo de uma saudável invasão de Falcões-de-pés-vermelhos (Falco vespertinus), provenientes do continente asiático e do leste europeu. Os ventos de leste podem ter estado na origem desta alteração de rota que conduziu estes pequenos falcões até ao nosso país. E foram muitos. Perto de uma centena, foram observados deste o Algarve, Alentejo e Ribatejo. Sendo as próximas fotografias um relato de um breve avistamento de uma fêmea ornamentando a serena paisagem das lezírias da ponda da erva.














sexta-feira, 18 de março de 2016

Leitura: A Escavação





Em Leitura Portátil hoje acabei de ler "A Escavação" de Andrei Platónov. 

Este romance distópico é de igual forma uma crítica apurada à edificação do regime socialista soviético.  No decorrer da história, os operários escavam os alicerces de um enorme edifício que servirá para albergar todo o proletariado, enquanto promessa de progresso e bem-estar social.

Gostei particularmente das seguintes personagens:

Voschev, homem inquieto em busca constante pela "verdade desta vida" e que após ter sido despedido de uma pequena fábrica, junta-se aos restantes operários para a construção deste gigantesco edifício. Tal como Pruchevski, eng.º que sonhava com a sua morte e que idealizou  e projectou o edifício global. E também, Jatchev, um mutilado que anda de cadeira de rodas e critica com desdém todos os operários, por vezes com estiradas cómicas, contrapondo com assomos de ternura para com uma menina misteriosa que queria abraçar os ossos da sua falecida mãe. Essa menina é Nástia, uma criança que será a metáfora  reveladora deste romance.

Algumas passagens interessantes:

“Sentindo a sua tristeza devido ao movimento organizado contra ele, veio aqui por si próprio e deitou-se entre os defuntos e morreu pessoalmente”

“Com a cuidadosa ganância de quando o proveito é mais necessário que o prejuízo”


Foram 172 páginas de boa companhia 
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terça-feira, 15 de março de 2016

BioMelides: Nocturno





Numa noite fria e sem nuvens foi possível contemplar o céu estrelado de Melides e as suas proeminentes constelações, porém ainda sem estarmos perfeitamente alinhados com a Via Láctea.
Esse será o próximo exercício: tentar seguir o rasto da Estrela Polar cá de baixo.







Até sempre Sr. Nico







Até sempre Sr. Talento, Sr. Contente, Sr. Actor Maior.
Hoje, enquanto chove para além das dimensões,
a televisão recorda-te, o país chama-te,
as palavras curvam-se nos sorrisos que fizeste ser,
além do mais, agora, entreabres os céus num brilho eterno Sr. Nico,
enquanto cá em baixo falta sempre qualquer outra coisa.

Nicolau Breyner (1940-2016)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O Grande Pavão nocturno - Saturnia pyri





No final de Abril do ano passado estava de férias no calmo Resort do Monte do Azibo. As noites ainda eram frias e muitas vezes acompanhadas por chuva, acentuado os contornos bucólicos que embelezavam a deslumbrante albufeira que se anunciava a escassos metros dos bungalows.


Já passava das 23:00 e estava sentado no sofá, em modo de "delete", entretido a apagar fotografias da máquina. Foi então que me pareceu ouvir bater à porta. Um som que se fez ouvir seco e tímido uma única vez. Talvez fosse alguém da recepção, algum vizinho falador ou uma alma desamparada.


Levantei a cortina mas não vi ninguém e depressa concluí que estava a ouvir coisas - facto nada invulgar por sinal. No entanto, passados alguns minutos, o som voltou a manifestar-se; uma, duas vezes e cada vez mais intenso e desconcertante, como se fosse um animal diabólico a esgadanhar na madeira. Podia ser uma ave nocturna, ou um morcego, ou até um predador de sonhos em busca de companhia. Num pulo abri a porta e deparei-me com uma enorme traça, melhor dizendo: A maior borboleta da Europa - o grande pavão nocturno - Saturnia pyri que se sentia imensamente atraído pela luz que emanava da casa.

Após esta experiência não tive sono nem vontade de apagar memórias, e fiquei ali a contemplar o seu bater de asas acelerado até que a borboleta desapareceu na boca fria da madrugada. Na noite seguinte ainda montei uma luz e um pano branco na esperança que a borboleta voltasse mas a sorte só bate uma vez à mesma porta.

Com quase 18 centímetros de envergadura alar nunca tinha vista uma borboleta assim. Sendo a maior borboleta da Europa, vive apenas durante poucos dias e não se alimenta porque não dispõe de armadura bucal. Ao fim de 10 meses o processo de metamorfose é concluído e a borboleta sai do casulo para depois esticar as asas dando inicio ao seu voo triunfal. 




















domingo, 28 de fevereiro de 2016

12 dias de Cogumelo




O natal já passou e este foi um presente que muito apreciei. Trata-se de produto alimentar da marca Gumelo. Há muito que tinha em mente filmar um time-lapse de um cogumelo; assim juntei o útil ao agradável e meti mãos à obra.



Durante 12 dias filmei o evoluir deste organismo (PLEUROTUS OSTREATUS) em minha casa. 
Para tal, foi estrategicamente colocado num canto da sala, onde não incidisse luz directa mas com claridade suficiente e temperatura amena para frutificar Para fomentar o seu crescimento foi borrifado com água duas vezes por dia. No final do processo foi retirado da caixa e cozinhado num apetitoso refogado. Com esta experiencia aliei vários prazeres, a fotografia, o vídeo e a gastronomia num momento único. Recomendo vivamente esta prática e vamos ver se tenho a sorte de obter uma segunda colheita.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Impressionismo do Visitante






O Visitante é surpreendido pela conjugação fantástica dos elementos naturais. No silêncio da paisagem levanta-se um bando de íbis enquanto o arrozal dança nas mãos calejadas do vento. O Visitante não sabe que faz parte de um quadro impressionista anónimo e efémero. Um quadro que existe apenas durante alguns segundos, numa paisagem viva de uma moldura invisível, onde os protagonistas desaparecem logo após a curva do espanto. O Visitante lembra-se de ouvir dizer que "as coisas boas não duram nada". 4 segundos depois, o quadro impressionista desapareceu, levando com ele as aves, o arrozal, a água e o vento. O Visitante limpa com um lenço o relógio de pulso não se interessando pelo peso das horas. Do quadro apenas ficou a recordação do pó que se levantou sobre olhar e o sabor a terra que ainda tempera os lábios do Visitante. Do momento vivido, esquecem-se as dores, permanece a leve impressão que ao vento ficou qualquer coisa por dizer. O Visitante lembrou-se de Deus pela primeira vez no dia e esperou sentado na terra remexida pelo regresso da cor. 

Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...