O Visitante é surpreendido pela conjugação fantástica dos elementos naturais. No silêncio da paisagem levanta-se um bando de íbis enquanto o arrozal dança nas mãos calejadas do vento. O Visitante não sabe que faz parte de um quadro impressionista anónimo e efémero. Um quadro que existe apenas durante alguns segundos, numa paisagem viva de uma moldura invisível, onde os protagonistas desaparecem logo após a curva do espanto. O Visitante lembra-se de ouvir dizer que "as coisas boas não duram nada". 4 segundos depois, o quadro impressionista desapareceu, levando com ele as aves, o arrozal, a água e o vento. O Visitante limpa com um lenço o relógio de pulso não se interessando pelo peso das horas. Do quadro apenas ficou a recordação do pó que se levantou sobre olhar e o sabor a terra que ainda tempera os lábios do Visitante. Do momento vivido, esquecem-se as dores, permanece a leve impressão que ao vento ficou qualquer coisa por dizer. O Visitante lembrou-se de Deus pela primeira vez no dia e esperou sentado na terra remexida pelo regresso da cor.
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