Nas margens da distração tudo me caí das mãos
ferramentas de carpinteiro, livros, maças, olhos de peixe
Oiço-te dizer “vai com jeitinho” quando não tenho engenho
com o óleo dos motores, nem feição para as curvas da vida.
Os teus pinheiros crescem à tua procura,
os cafés continuam a acumular pó de sonambulismo
os vizinhos envelhecem mais rápido que o prédio
enquanto a casa espera-te para adormecer de vez.
Já ninguém pergunta por ti ou pelas tuas pernas cansadas,
excepto eu, quando barafusto com Deus,
junto às fotografias onde sorris
numa sessão de ritmos perdidos.
Sabes Pai, passei a gostar de açorda alentejana!
como não estás cá para casar os coentros com o alho e azeite…
a punho, a vida dilui-nos, sem nos apercebermos.
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