domingo, 3 de maio de 2026

730 dias



730 dias pregados no céu da boca

a tua ausência é uma ferida constante,

sangue lento num viver dormente,

e de tanto te lembrar longe,

imagino-te presente.


acordo sobressaltado na ilusão

que habitas os escombros

dos meus sonhos, em acenos

irreais de tão próximos,

vives no intervalo imaterial 

das pétalas desta casa sempre tua.


e dos desamores em que caí...

por mulheres imperfeitas na sua perfeição,

não haverá abismo tamanho

que se assemelhe ao negrume 

do perder Mãe,

repetitamente, todos os dias,

em que adormeço um pouco menos vivo.







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