sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Convite: Café Poema 30-09-2011
Um desafio.
É certo que a voz da poesia não tem sexo. Contudo, curioso será ouvir;
um poema escrito por uma mulher declamado e defendido por um homem, e
um poema escrito por um homem interpretado e protegido por uma mulher.
Numa batalha de versos conjugais, que se quer pacífica, onde os sentimentos das vozes que sentiram serão diferentes dos ecos que as repetem.
O desafio está lançando. Não se sintam rogados e venha de lá essa voz.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Ciclo de entrevistas - Café Poema com Branca Rodrigues
Devagar... Vamos dar início a um ciclo de pequenas entrevistas com os artistas que assistem ao Café Poema no Cappuccinos Coffee Shop em Carcavelos.
A nossa primeira convidada é Branca Rodrigues, pintora e frequentadora assídua da nossa tertúlia e com uma exposição de pintura patente no Tea Lounge na Parede.
Entrevista com Branca Rodrigues, em 4 perguntas:
SG: Pintores que mais admira?
Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Guarda-rios
a chuva era uma sílaba que se desejava de rápido sabor
do rio até às nuvens estendia-se uma escadaria de degraus infinitos,
quando uma flecha de azul celeste cruzou o estuário das almas,
e da infértil terra de cemitério nasceram flores
que ainda hoje voam.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Sisão / The Little Bustard / (Tetrax tetrax)
No Alentejo, quando se sai da cidade Pax-Julia,
virando à direita, em direcção dos vinhais de Vitigeria,
há um ponto de coordenadas mágicas;
uma janela dimensional suspensa entre duas árvores de sobro
que mudam de lugar todas as noites:
audazes daqueles que a descobrem e fazem o tempo parar.
Nesse instante,
a voz do vento e da mulher despida de paisagem disse-me para ficar:
“só mais um segundo, por mais ínfimo que seja,
apenas mais um segundo, só meu e das coisas só nossas
não é pedir muito, pois não?”
Antes de desfazer as asas brilhantes de película binária que me trouxeram até aqui
contemplo o cosmos que trago na ponto dos dedos,
imagino que no topo dos sobreiros possam existir cidades tão pequenas
que fazem inveja às cidades inimagináveis do que nunca fui.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Monólogo da Espera editado na Revista-me
Na terceira edição da excelente revista Revista-me podem ler o meu conto, O Monólogo da Espera, adaptado para teatro o ano passado no Café Poema. Agora em formato digital e de fácil leitura aqui
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Sisão
há quem diga;
que o sol é um ilhéu em pleno naufrágio
e a lua, uma mulher que dança no pião e na malha do tempo
Há também quem conte;
que nos braços das ilhas do Alqueva existem pontes imaginárias,
onde os homens ainda não descobriram a cor nem o sal das lágrimas,
e o brilho do terço das viúvas tem o encanto de rejuvenescer as almas
Na beleza única das rugas do delta além Tejo
há quem cante a Deus por estas e outras vinhas,
num corpo de árvore feito alto madrugar
e tudo mais vive sem que se dê conta.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Rã-verde
nunca ficamos no parapeito da janela mais do que dez minutos,
sorvemos as novidades dos desorientados insectos mensageiros
e submergimos logo a seguir nos ecos verdes que se propagam na água;
às vezes somos tentados a sair para outro reposteiro mais soalheiro,
mas não é mesma coisa, nada se compara com o nosso charco.
por isso, fazemos fé nos pulos que o mundo dá para não saltar daqui para fora.
domingo, 4 de setembro de 2011
Andorinha-das-chaminés
é a mesma com que cortas as correntes de ar,
e as flores deixam de ser flores e passam a ser perfume,
quando o azul nasce todos os dias no caule do sol,
com a mesma rapidez com que dizes Setembro.
Chapim-azul
o mundo estava de pernas para o ar.
eu concordava; na expectativa de te ver desenhar uma cambalhota acrobática,
roendo-me de inveja pelo teu malabarismo que conferia aos optimistas
uma outra visão, só ao alcance daqueles que buscam o cume da fragilidade
transformando-a na maior das virtudes: um canto de esperança.
Vespa-do-papel
a picada do insecto de papel fez capturar o cupido
na teia de âmbar que vive para além luz crepuscular,
e quando se queria libertar das asas dos ventos idos,
apenas restou arma afiada da saudade
que na têmpera do tempo foi apenas
ínfimo milímetro do que poderia ter sido .
Joaninha-amarela
No teu dorso amarelo salpicado por pintas negras,
imagino o requinte da joalharia que inunda os olhos
dos fabricantes de sonhos e outros dissimuladores virtuais;
como desejaríamos andar enfeitados por insectos vivos de luz!
no colarinho da camisa, na gravata aperaltada,
ou na língua bifurcada por um piercing insectívoro;
mais tarde e talvez mais satisfeitos...
sentiríamos que a linguagem da dor,
proferida pelas alfinetadas ao rasgar o melindre da pele,
são o único sabor que a realidade nos oferece.
Esgravatar
O húmus remexido pelos melros ilumina o rasto das centopeias maria-café pelos escombros da terra húmida, aproveito para plantar dedos em sa...
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Durante vários anos andei à procura desta fantástica ave. Desde jardins em propriedade privada, cedidos amavelmente a título de empréstimo...
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